
Caracas comemora a resistência indígena com uma sessão especial do Conselho Municipal
Desde 2002, a Venezuela comemora o Dia da Resistência Indígena para homenagear a luta e a dignidade dos povos indígenas.
No dia 12 de outubro de 2026, a Venezuela comemorou o Dia da Resistência Indígena para homenagear os 534 anos de luta dos povos indígenas contra o império espanhol e reconhecer as reivindicações consolidadas nos últimos 27 anos, nas áreas legislativa, da saúde, da educação e da cultura.
Desde 2002, a Venezuela comemora o Dia da Resistência Indígena para homenagear a luta e a dignidade dos povos indígenas face aos colonizadores espanhóis em 1492. A Constituição de 1999 inclui, pela primeira vez, um capítulo inteiro — o oitavo — dedicado aos direitos dos indígenas: língua, cultura e direito de habitar as terras ancestrais.
A deputada indígena, Noheli Pocaterra, salientou que, no início deste século XXI, «não tínhamos experiência parlamentar, mas tínhamos o amor pelo nosso povo, o conhecimento dos nossos direitos e foi assim que travámos essa luta, foi uma luta cheia de amor, como sempre digo, uma luta de convicção, não de joelhos, mas de pé, com dignidade para lutar pelos nossos direitos e foi assim que conseguimos dar-lhe visibilidade; estamos em destaque no preâmbulo da Constituição, estamos presentes de forma transversal em toda a Constituição. É o único sector que tem um capítulo na Constituição Bolivariana»
Na Venezuela, coexistem cerca de 40 povos indígenas, como os kariña, wayu, warao, yekuana, pemón, entre outros, cujas tradições ancestrais são uma demonstração da diversidade cultural e tradição que, ainda hoje, se mantêm vivas. «Por isso, continuamos aqui a lutar pelos nossos direitos; nunca tivemos uma atitude passiva, não para estar no poder, mas para tomar decisões sobre as questões que nos dizem respeito, para que o nosso território seja reconhecido e a nossa cultura seja reconhecida», afirmou a deputada indígena Noheli Pocaterra.
A vice-ministra para a Formação Internacional, Radina Castillo, precisou que «cada um de nós assumiu esta luta, em cada uma das frentes, seja como docentes, ministrando uma educação intercultural bilingue, seja como comunicadores indígenas, seja em cada uma das responsabilidades que nos cabem enquanto povos indígenas, porque temos o grande compromisso para com aqueles que iniciaram essa luta».
O presidente do Instituto de Línguas Indígenas da Venezuela, Armando Antonio Marín Velásquez, considera que «a reivindicação é imensa, porque tudo o que temos vindo a dar visibilidade em cada um dos territórios é a língua. Na visibilização do facto de que as nossas crianças que emigraram do seu território, neste momento, já falam a sua língua materna e, por isso, vivem o realce da sua cultura».
O acesso à saúde por parte dos povos indígenas, de forma oportuna e equitativa, bem como o reconhecimento da sabedoria da medicina ancestral, são também direitos consolidados. Moly Fernández, vice-ministra da Saúde Integral, explicou que a Venezuela tem sido reconhecida internacionalmente nesse sentido. «Tendo em conta a discriminação e a estigmatização nos estabelecimentos de saúde de alta complexidade, foram criados gabinetes indígenas nos 45 hospitais mais importantes do país, o que minimiza essa barreira linguística, essa lacuna cultural, bem como o trabalho que tem vindo a ser realizado no reconhecimento das parteiras tradicionais, que em breve será protegido por legislação especial».
Neste 12 de outubro de 2026, o leste, o oeste e o sul da Venezuela realizaram marchas para comemorar o espírito indomável de Guaicaipuro, Urquía, Baruta e Teques, entre outros guerreiros indígenas. Entretanto, em Caracas, a Câmara Municipal do Município Libertador realizou uma sessão especial no monumento à resistência indígena, onde foi feita uma oferta floral e foram prestadas homenagens aos líderes dos povos indígenas das diferentes freguesias.
Na sua intervenção, a presidente da Câmara de Caracas, Carmen Meléndez, afirmou que esta ocasião é propícia para «recordar o Comandante Chávez, que dizia: “Vamos celebrar um 12 de outubro! O Dia da Raça? Não! É o dia da resistência indígena, e aqui estamos nós a celebrar todos os dias a resistência do povo venezuelano, presente em todos os bairros, em cada aldeia, em cada vila, ali junto ao povo, a ouvi-lo e a levar soluções».
Estas comemorações dos 534 anos da resistência indígena constituem o prelúdio do Congresso da Juventude Indígena, a realizar-se de 25 a 31 de outubro de 2026, rumo a um grande encontro nacional dos povos indígenas.
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