Cuba

Bruno Rodríguez: Cuba resistirá à pressão dos EUA «pelo tempo que for preciso»

«Nestes 60 anos, a política dos Estados Unidos contra Cuba não funcionou, enquanto a política de resistência e adaptação de Cuba face a essa agressão sim funcionou», afirmou Bruno Rodríguez.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou numa entrevista ao The New York Times que o seu país aguentará mais do que Trump e resistirá às pressões dos Estados Unidos «pelo tempo que for preciso». Rodríguez salientou que a política de Washington em relação a Cuba irá mudar, «tem de mudar. É inevitável», sublinhou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros confirmou que os canais de comunicação com os Estados Unidos continuam activos através de reuniões presenciais, chamadas telefónicas e mensagens do WhatsApp, embora tenha alertado que «»é muito difícil que as conversações avancem quando são constantemente acompanhadas por ameaças». «Estão a registar-se poucos progressos», acrescentou.

Por outro lado, o diplomata cubano classificou os apelos do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para colaborar com a Agência Central de Inteligência (CIA) como «pouco sérios» e «um pouco infantis», acrescentando: «A verdade é que não faço ideia do que o secretário de Estado pretende com essas publicações».

Face à pressão económica, que inclui um bloqueio petrolífero e sanções secundárias em vigor desde janeiro deste ano, que mantêm milhares de contentores retidos e duplicaram a mortalidade infantil, o Governo da ilha implementou reformas como a entrada de bancos privados, a venda de acções de empresas estatais e a eliminação de restrições ao investimento estrangeiro e às empresas privadas.

No entanto, Rodríguez insistiu que essas mudanças não respondem às exigências de Washington e que a economia continuará a ser socialista, enquanto Havana mantém a sua posição, recordando que «nestes 60 anos, a política dos Estados Unidos contra Cuba não funcionou, ao passo que a política de resistência e adaptação de Cuba face a essa agressão sim funcionou».

A entrevista, assinada por Jack Nicas, foi publicada depois de a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas ter aprovado, por 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, uma resolução contra o bloqueio ilegal imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

Nesse sentido, o presidente da ilha, Miguel Díaz-Canel, expressou a sua gratidão às nações que apoiaram a resolução que exige o fim do bloqueio económico, comercial e financeiro, que se intensificou.

O apoio majoritário contra a guerra económica do imperialismo concretizou-se na sequência de disputas diplomáticas no cenário multilateral e de pressões da Casa Branca sobre Estados soberanos para que alterassem o seu voto e não apoiassem Cuba. Trata-se da trigésima quarta vez, desde 1992 até à data, em que o mundo disse «não» a esta política norte-americana.

A aprovação da resolução apresentada pela maior das Antilhas ocorreu num contexto de recrudescimento das restrições norte-americanas. Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, os prejuízos atribuídos ao bloqueio ascenderam a 8 083,3 milhões de dólares, mais sete por cento do que no período anterior. Os prejuízos acumulados ao longo de seis décadas ascendem a mais de 178 700 milhões de dólares a preços correntes.

O bloqueio petrolífero e as sanções secundárias impostas pela Administração Trump desde janeiro de 2026 agravaram a crise no sector do turismo, pilar fundamental do produto interno bruto (PIB) e uma das principais fontes de divisas do país.

De acordo com dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatística e Informação (ONEI), Cuba recebeu, entre janeiro e setembro deste ano, 477 707 visitantes internacionais, o que representa uma queda de 34,9 por cento em relação aos 890 140 viajantes registados no mesmo período de 2025.

Os meses com menor afluência foram junho (28 100 turistas) e setembro (27 354). O principal factor que provocou este impacto foi a grave escassez de combustível resultante do bloqueio petrolífero, que provocou a paralisação dos transportes e o cancelamento de rotas aéreas essenciais.

Além disso, o Governo cubano reconheceu em julho passado que as pressões dos Estados Unidos forçaram o encerramento de hotéis e a retirada de empresas internacionais, incluindo a saída de sete cadeias hoteleiras estrangeiras — Meliá, Iberostar, Barceló, Blue Diamond, Archipiélago International e ATG — que geriam 46 por cento dos mais de 80 000 quartos do país.

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