Cuba

Cuba reafirmou perante a ONU que o bloqueio norte-americano “é um acto de guerra”

O chefe da diplomacia cubana afirmou que «o bloqueio ao combustível é um acto de punição coletiva que ameaça a vida dos cubanos».

Nesta quarta-feira, 28 de outubro, durante o seu discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, iniciou a sua intervenção expressando as suas condolências ao Reino de Espanha pelas perdas humanas causadas pelo trágico acidente ferroviário em Toledo.

Em seguida, o diplomata elogiou a atcuação da presidência do órgão no sentido de fazer respeitar o regulamento e denunciou a actitude desrespeitosa e provocadora da delegação dos Estados Unidos, cujos membros cometeram actos de assédio e filmagens não consentidas contra a delegação cubana.

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano rejeitou categoricamente a retórica de Washington que tenta apresentar a ilha como um perigo regional, sublinhando que «Cuba não é uma ameaça» e denunciando que «o bloqueio demonstra, sim, cinismo e hipocrisia quando se classifica Cuba como uma ameaça invulgar e extraordinária à segurança nacional da maior potência nuclear do planeta».

Com base num contador em tempo real transmitido durante a sessão, Rodríguez detalhou a magnitude devastadora do estrangulamento económico que se abate sobre a nação caribenha, precisando que «desde o início desta sessão, os prejuízos causados pelo bloqueio ascendem a mais de 22,9 milhões de dólares», uma punição sistemática infligida a um povo pacífico, solidário e soberano.

Na sua intervenção sobre o impacto humanitário do cerco imperialista, o chefe da diplomacia cubana afirmou que «o bloqueio ao combustível é um acto de punição colectiva que ameaça a vida dos cubanos», classificando as restrições energéticas como um verdadeiro bloqueio naval que constitui um ato de guerra e genocídio proibido pelo direito internacional.

O ministro ilustrou a crueldade destas medidas, mostrando no estrado os medicamentos Pemetrexet — um fármaco norte-americano indispensável no tratamento do cancro do pulmão, cuja aquisição é impedida pelo bloqueio — e o Neuralzim — um fármaco biotecnológico cubano contra doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, que a política da Casa Branca impede que sete milhões de cidadãos norte-americanos recebam.

O ministro dos Negócios Estrangeiros salientou que as consequências da agressão «chegam à mesa das famílias cubanas, à cama de um doente, a um parto ou a uma sala de operações», revelando números preocupantes sobre o impacto no sistema de saúde nacional: «Desde o início da política de pressão máxima, a nossa taxa de mortalidade infantil duplicou» e «actualmente faltam 70 por cento dos medicamentos do esquema básico», o que mantém cerca de 100 000 pessoas, incluindo 12 000 crianças, em listas de espera para procedimentos cirúrgicos.

Além disso, referiu que 85 por cento dos sistemas de bombagem de água potável dependem da eletricidade, que foi afectada pela crise energética, deixando 2,6 milhões de pessoas com sérias limitações no acesso à água, ao mesmo tempo que Washington sabotou a chegada de 7 000 contentores com alimentos, consumíveis para hemodiálise e medicamentos encomendados por empresas cubanas.

Rodríguez alertou também para a chantagem desencadeada pela Administração norte-americana contra os Estados-Membros da ONU através de «a exigência coerciva, ilegal, imoral e injustificada de que alterem a sua posição tradicional» histórica de condenação do bloqueio.

Para evidenciar a natureza intervencionista de Washington, citou textualmente as palavras proferidas a 7 de agosto pelo Secretário de Estado norte-americano: «O que estamos a tentar fazer-vos compreender é que não há qualquer válvula de escape. Sempre que criarem um novo mecanismo para tentar livrar-se do laço da forca, nós simplesmente o apertaremos ainda mais».

Perante a pretensão colonialista de controlar a economia e o destino da ilha, o ministro das Relações Exteriores cubano concluiu recordando que a própria sociedade norte-americana repudia estas acções de força, referindo que «72 por cento dos cidadãos norte-americanos se opõem ao bloqueio a Cuba» e que metade rejeita o cerco energético.

Rodríguez reafirmou a determinação inabalável do povo cubano, «estranhamente unido, instruído e consciente, nobre e solidário, patriótico e digno», garantindo que não cederá no seu empenho pelo bem-estar nacional e que manterá a firme convicção de defender a sua soberania, independência e autodeterminação face às agressões do imperialismo.

Durante as sessões de 27 e 28 de outubro de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas procede, pela trigésima quarta vez, à análise e votação do projeto de resolução apresentado pela nação caribenha, intitulado «Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba».

O fórum multilateral volta a abordar a reivindicação histórica do povo cubano num ambiente dominado pela exigência internacional de pôr fim às agressões unilaterais de Washington.

A sessão anterior foi marcada por um forte conflito diplomático quando a delegação cubana exigiu que o embaixador norte-americano, Mike Waltz, fosse chamado à ordem, devido às suas afirmações injuriosas e deturpadas sobre a vida nacional da ilha.

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