
Denunciam aumento dos feminicídios e dos casos de violência sexual na Colômbia
Em Pasto, San Bernardo, San Vicente de Chucurí e La Unión, foram denunciados, no espaço de poucas semanas, casos de feminicídio e abuso sexual contra mulheres idosas.
A Colômbia enfrenta uma preocupação social e humanitária crescente, na sequência de um aumento alarmante dos casos de violência sexual e feminicídio.
O caso mais recente ocorreu em Pasto, capital do departamento de Nariño, no sudoeste do país, onde Deisy Guerrero foi assassinada na madrugada de 9 de outubro. Tinha uma filha de um ano e um filho de 19. Segundo as notícias, um homem ainda não identificado atacou-a com uma arma branca às 00h30 no bairro de Santa Bárbara, e as autoridades continuam a investigar o caso.
No mesmo departamento, a 29 de agosto, Blanca Pardo, uma camponesa de 72 anos, foi violada e gravemente ferida no município de San Bernardo. Foi transportada de urgência para o hospital de Pasto, onde faleceu no dia seguinte. Até ao momento, as autoridades ainda não revelaram quem foi o responsável.
Foram denunciados mais dois casos de violência sexual contra mulheres idosas noutras regiões. Em San Vicente de Chucurí, no departamento de Santander (nordeste do país), uma mulher de 70 anos foi vítima de abuso no dia 5 de outubro numa zona rural, enquanto caminhava perto do Batalhão Luciano D’Elhuyar. A sua identidade mantém-se em sigilo. O agressor, um homem de 28 anos conhecido como «Picapiedra», foi detido, confessou as acusações de violação e foi enviado para a prisão.
Em La Unión, na região oriental do departamento de Antioquia, uma mulher de 83 anos foi vítima de abuso sexual a 26 de setembro. A sua identidade também foi mantida em sigilo para evitar que fosse novamente vitimizada. Segundo as primeiras informações, um homem que circulava num veículo ofereceu-se para a transportar e levou-a para uma zona isolada, onde ocorreu a agressão. A mulher está a receber cuidados médicos e psicológicos no Hospital San Roque, onde foi ativado o protocolo para estes casos. O agressor continua a monte e a Polícia está a trabalhar para o capturar.
De acordo com dados da Medicina Legal, durante o ano de 2026 os casos de abuso sexual de mulheres idosas aumentaram 31 %. As análises desta entidade indicam que estes casos passaram de 70 para 92 entre janeiro e julho desse ano. Este panorama põe em evidência a vulnerabilidade persistente das mulheres e das populações historicamente desprotegidas no país.
No entanto, os profissionais consultados afirmam que estes registos correspondem apenas aos exames realizados às vítimas que denunciaram algum tipo de abuso. Uma vez que outros casos não são investigados nem denunciados, acredita-se que o número real de vítimas seja muito superior ao relatado pelas autoridades.
Até julho de 2026, os dados oficiais da Colômbia indicam 89 feminicídios e 16 451 crimes sexuais, embora existam discrepâncias significativas em relação às organizações sociais, que apresentam números mais elevados.
🚨 La #ONU incluyó a #Israel en su lista negra de países que cometen violencia sexual en conflictos, verificando 33 casos contra palestinos en Gaza y Cisjordania. El Club de Prisioneros Palestinos celebró la decisión. #teleSUR #Palestina #DDHH https://t.co/brJjx371xi
— teleSUR TV (@teleSURtv) May 31, 2026
A Provedoria do Povo registou 89 casos consumados, além de 74 tentativas e 20 transfeminicídios, reconhecendo 191 casos em 2025, em comparação com os mais de 600 registados por organizações, enquanto o Observatório de Feminicídios registou 621 feminicídios em setembro de 2025, antes de suspender a sua contagem por falta de fundos.
Por seu lado, o Ministério Público colombiano regista 16 451 queixas por crimes sexuais, das quais a maioria das vítimas são crianças e adolescentes, com 12 457 casos, seguidas por mulheres adultas, com 3 583. Além disso, registam-se outros casos de violência, incluindo 166 casos de exploração sexual de menores e 151 vítimas de tráfico de pessoas.
O Ministério Público informou que entre agosto e setembro de 2026 registou a instauração de processos judiciais contra 275 pessoas por crimes sexuais contra menores, das quais 258 ficaram sujeitas a medidas de prisão preventiva (privação de liberdade) enquanto o processo decorre, esclarecendo que tal não equivale a uma condenação.
Por fim, a Fundação Paz & Reconciliação (Pares), com base em dados do INPEC, informou que 347 pessoas estão acusadas e privadas de liberdade por feminicídio em centros prisionais. Além disso, um dado histórico do Conselho Superior da Magistratura registou 2 937 adultos condenados por crimes sexuais específicos entre 2020 e 2025, e um relatório sobre a infância revelou que, de mais de 300 000 casos de abuso sexual, apenas tinham sido proferidas 74 condenações.
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