
Médico cubano denuncia o grave impacto do bloqueio na prestação de cuidados a doentes em estado crítico
O agravamento do bloqueio por parte da Administração Trump prejudicou as vias de abastecimento que, mesmo durante a fase pós-pandemia da COVID-19, permitiam manter a prestação de cuidados de saúde em Cuba.
O presidente da Sociedade Cubana de Medicina Intensiva e Emergências, o Dr. Frank Daniel Martos, denunciou que as medidas coercivas impostas pelo Governo dos Estados Unidos dificultam a prestação atempada de cuidados médicos a doentes em estado crítico na rede hospitalar nacional. O especialista descreveu a situação nas áreas pediátricas, onde há escassez ou indisponibilidade de materiais e equipamento técnico para a realização de intervenções cirúrgicas complexas em menores de idade.
O especialista em saúde explicou que o parque tecnológico do setor funciona atualmente a menos de 50% da sua capacidade operacional, em consequência da deterioração constante e da impossibilidade de adquirir peças sobressalentes ou tecnologias de substituição, devido às restrições impostas pelo bloqueio ou ao impacto financeiro resultante dos seus efeitos económicos.
🇺🇸🆚🇨🇺 Los graves efectos de la política hostil del Gobierno estadounidense contra Cuba, en la Salud Pública y su repercusión en el bienestar del pueblo, fue tema de análisis hoy durante el XXII Foro de la Sociedad Civil contra el bloqueo. #CubaNoEsUnaAmenaza, el bloqueo sí. https://t.co/aNDFkuGJbd
— Ministerio de Salud Pública de Cuba (@MINSAPCuba) October 23, 2026
A rede de cuidados de saúde enfrenta restricções constantes no tratamento de doenças de elevada prevalência na população, tais como a hipertensão arterial e as doenças cardiovasculares crónicas. «A situação é muito mais complexa quando se trabalha com crianças, porque, embora o nosso sistema de saúde dê prioridade aos menores e às grávidas, muitas vezes os poucos recursos a que temos acesso não chegam a tempo», afirmou.
Segundo o Dr. Martos, os problemas mais complexos na idade pediátrica estão frequentemente associados a malformações congénitas ou outras afeções que requerem intervenções altamente especializadas, cuja realização pode ser limitada pela falta de materiais, equipamentos ou tecnologias indispensáveis.
O especialista salientou a profunda carga emocional e o desgaste psicológico que esta situação provoca nos profissionais de saúde, ao não disporem das ferramentas necessárias para salvar vidas. A impossibilidade de oferecer soluções clínicas imediatas a doentes com possibilidades de recuperação desencadeia episódios graves de frustração, stress e desesperança entre os médicos e intensivistas das unidades de emergência da ilha caribenha.
Martos recordou que a capacidade de resposta do sistema nacional de saúde sofreu uma deterioração acelerada devido ao endurecimento das sanções unilaterais aplicadas durante a administração de Donald Trump.
O reforço das medidas de bloqueio nos últimos meses prejudicou os canais de abastecimento que, mesmo durante a fase pós-pandemia da COVID-19, permitiam manter a operacionalidade dos serviços de saúde em Cuba.
#CUBA | Una audiencia pública parlamentaria en Cuba denunció las graves secuelas del bloqueo económico impuesto por Estados Unidos en la salud, la industria farmacéutica, la cultura y la población de la isla. De cara a la próxima votación de la resolución antibloqueo en la ONU, el pueblo cubano reafirma su resistencia soberana contra el cerco imperialista y las medidas coercitivas unilaterales. Reportó: Evelyn Leyva
— teleSUR TV (@teleSURtv) October 23, 2026
O presidente da Sociedade Cubana de Medicina Intensiva e Emergências explicou que os profissionais desta área atendem doentes em estado grave e crítico que, se não receberem tratamento oportuno e adequado, podem vir a falecer. Mesmo que sobrevivam, a falta de recursos pode resultar em incapacidades e limitações que comprometam a sua qualidade de vida futura.
«Para tratar estes doentes, são necessários inúmeros recursos, tanto para determinar com precisão o seu diagnóstico, como para monitorizar os sinais vitais ou substituir a função dos órgãos danificados», explicou, reiterando que muitos dos equipamentos disponíveis ficaram obsoletos ou estão deteriorados, apresentam defeitos ou são incapazes de fornecer parâmetros precisos, uma vez que o bloqueio impede a compra de novos equipamentos ou a aquisição de peças de substituição.
Martos afirmou que o cerco económico, financeiro e comercial dos Estados Unidos provocou até mesmo uma escassez de soro, um recurso básico no tratamento de qualquer doente, a que se soma a escassez de antibióticos e de outros medicamentos destinados ao tratamento da hipertensão arterial e das doenças cardiovasculares.
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