
1962: Quem levou o mundo à beira do holocausto nuclear?
A instalação de mísseis soviéticos em Cuba colocou o mundo à beira de uma guerra nuclear. Os Estados Unidos protestaram e Nikita Khrushchev, sem consultar a liderança da Revolução Cubana, decidiu retirá-los. Os EUA decretaram um bloqueio naval à ilha caribenha, que, por sua vez, colocou o seu povo em pé de guerra para se defender. Todos os pormenores são explicados aqui pelo autor deste artigo.
A 6 de fevereiro de 1962, John F. Kennedy assinou o decreto que classificou Cuba como «inimigo» para impor um bloqueio total ao comércio; embora tenha utilizado o termo «embargo» para encobrir o carácter violador do direito internacional. Informações da KGB e dos serviços secretos militares soviéticos confirmaram as intenções de invadir Cuba.
Nikita Khrushchev falava com emoção sobre Fidel e a Revolução Cubana. Sentia que era seu dever demonstrar-lhe solidariedade e reflectia sobre a melhor forma de o fazer. No início de maio, enquanto descansava em Varna, nas margens do Mar Negro, a proximidade da base turca onde os Estados Unidos instalaram mísseis de médio alcance com ogivas nucleares apontadas para a URSS deu-lhe a ideia: iria instalar mísseis nucleares em Cuba. Matariam dois coelhos com uma cajadada só: dissuadir os Estados Unidos e alcançar a paridade face aos 105 mísseis que o tinham na mira a partir da Grã-Bretanha, Itália e Turquia.
Os Estados Unidos detinham uma superioridade de 17 para 1 em armas nucleares — das quais 229 mísseis intercontinentais contra 48 — e, no Japão, possuíam quatro bases de lançamento de mísseis de cruzeiro com um alcance de 2 000 km e ogivas nucleares. No total, dispunham de uma potência de 35,2 megatoneladas apontadas para Hanói (Vietname), Pequim (China), Piongiang (Coreia do Norte) e Vladivostok (URSS). E, em 1960, Eisenhower tinha aprovado uma ordem que previa o ataque nuclear simultâneo contra a URSS e a China nas primeiras 24 horas de uma guerra.
Ao regressar a Moscovo, a 7 de maio, mandou chamar o conselheiro da embaixada soviética em Havana, Alexandr I. Alekseyev, um oficial da KGB com acesso a Raúl, a quem comunicou a sua nomeação como embaixador e a decisão de instalar os mísseis. «… os nossos discursos na ONU e os nossos protestos não surtiram efeito; é absolutamente evidente que haverá um ataque contra Cuba devido à derrota de Girón, com forças dos Estados Unidos», disse-lhe ele (Conf. Tripartida 1992, 2012: 31).
Estaria a exagerar? As tropas norte-americanas realizavam um grande exercício na Carolina do Norte; em agosto, no Swift Strike II, desenvolvido em dois cenários: Carolina do Norte e Carolina do Sul, mais de 500 caças da Força Aérea treinaram em missões de apoio juntamente com 70 mil efectivos da infantaria terrestre; entretanto, o Comando do Atlântico reforçava-se com novas unidades terrestres, aéreas e navais, e navios das frotas do Pacífico e do Mediterrâneo passavam a integrar a frota do Atlântico.
Entre janeiro e agosto de 1962, organizações terroristas controladas pela CIA levaram a cabo 5 780 actos de sabotagem, terrorismo e subversão no interior da ilha. Mais de 700 grandes alvos económicos e sociais foram danificados. O seu novo director, John A. McCone, insistiu a 23 de agosto: «…se Cuba tiver sucesso, devemos esperar que a maior parte da América Latina caia» (McCone, 1997: 955).
A proposta apanhou Fidel de surpresa. A ideia não lhe agradou. Poderia dar a imagem de que Cuba era uma base soviética. Foi uma consideração de ordem ética que fez pender a balança: ele achava incoerente esperar da URSS o máximo apoio em caso de agressão e recusar-se a enfrentar os riscos políticos quando precisava de ajuda. O seu ponto de vista prevaleceu entre o pequeno grupo de dirigentes com quem discutiu o assunto. Seriam instalados 60 mísseis com um potencial nuclear de 75,6 megatones.
Uma discussão entre a URSS e os Estados Unidos sobre a natureza ofensiva ou defensiva dos mísseis complicou a situação, apesar de o vice-presidente Lyndon Johnson ter declarado ao The New York Times que era política do governo derrubar o regime cubano, e tanto o senador Prescot Bush como a revista Time invocaram a Doutrina Monroe para justificar uma invasão directa.
Fidel sugeriu declarar que Cuba disporia de armamento para se defender, em conformidade com o direito internacional, e solicitou que o acordo fosse tornado público, tal como era prática entre os Estados Unidos e os seus aliados. Não era possível manter em segredo uma operação da magnitude exigida pela introdução dos foguetes e das suas rampas de lançamento — impossíveis de camuflar com palmeiras, como dizia Khrushchev —, que incluía o transporte de 48 mil homens. Nunca o Exército Vermelho realizou um transporte dessa magnitude para além do Atlântico. Tinham de recolher tropas em sete portos do Mar Branco, do Mar de Barents, do Mar Negro e do Mar Báltico.
Khrushchev alegou que, se a notícia fosse divulgada antes das eleições intercalares previstas para 4 de novembro de 1962, Kennedy não iria permitir isso.
Oleg V. Penkovsky, um coronel dos Serviços Secretos Militares recrutado pela CIA, transmitiu a informação e, quando, a 13 de outubro, um avião U-2 fotografou as rampas em San Cristóbal, Pinar del Río, tudo ficou confirmado.
O recurso à mentira para desinformar encorajou Kennedy. A Força Aérea mobilizou 146 mil homens e preparou 579 caças que realizariam 1 190 incursões no primeiro dia de um golpe; outros 15 mil homens e mais de mil aviões, com um plano de operações para 15 dias, concentraram-se na Flórida. A Marinha entrou em estado de prontidão de combate com oito porta-aviões e 175 navios; o Exército mobilizou cinco divisões — duas delas aerotransportadas, com 14 500 paraquedistas —, totalizando 100 mil soldados. Como se isso não bastasse, foram convocados 150 mil reservistas. As estimativas norte-americanas calculavam em 18 500 as baixas que sofreriam nos primeiros dez dias de combate; embora a previsão total fosse de mais de 25 mil.
Kennedy não se deixou levar por quem apelava a uma resposta com um ataque nuclear cirúrgico ou uma invasão, pois nem mesmo com um grande ataque aéreo surpresa se poderia ter a certeza de destruir todas as bases de mísseis e armas nucleares em Cuba. Pesou muito a certeza de que a resposta a um bombardeamento nuclear custaria a vida a dezenas de milhões de norte-americanos, sem contar que «… um ataque surpresa minaria, e talvez destruísse, a autoridade moral dos Estados Unidos em todo o mundo» (Kennedy, 1968: 48-49).
Estava a pôr em jogo a sua reputação e a reeleição para um segundo mandato. Percebeu que a humanidade não estava disposta a tolerar um conflito nuclear em nome do interesse dos Estados Unidos em subjugar Cuba. O MNOAL tinha pedido ao secretário-geral da ONU, U. Thant, que intercedesse para normalizar a situação nas Caraíbas.
Na manhã de 22 de outubro, Penkovsky foi detido. Antes disso, recebeu dois sinais codificados do seu contacto na CIA: o primeiro avisava-o de que estava prestes a ser detido; o segundo pedia-lhe que confirmasse se um ataque contra os Estados Unidos era iminente. Penkovsky transmitiu o aviso sobre o ataque. «Ao que parece, tinha decidido afundar-se juntamente com o mundo inteiro!», sublinhou o embaixador soviético em Washington, quem referiu que os acontecimentos não tomaram um rumo catastrófico porque a CIA não acreditou nele, uma vez que sabiam que era um charlatão (Dobrynin, 1998: 92).
Na mesma altura, quatro forças-tarefa dos Estados Unidos (20 mil homens), seis mil fuzileiros navais, 40 navios de guerra — entre os quais dois porta-aviões com 100 caças a jacto cada um e dois porta-helicópteros de assalto — e três submarinos deslocaram-se para Vieques para um exercício de desembarque. O objectivo era libertar uma suposta República governada por um primeiro-ministro chamado Ortsac (Castro ao contrário). Estes exercícios permitiram mobilizar as forças e os meios necessários para uma invasão contra Cuba sem despertar a inquietação da opinião pública.
Às 19h00 do dia 22 de outubro, Kennedy dirigiu-se à nação através da televisão. Anunciou o bloqueio naval a Cuba, um acto que equivalia a uma declaração de guerra em tempo de paz, mas definiu-o com o termo «quarentena», na esperança de negociar o conflito. Do Malecón de Havana observou-se o cerco. Perante a ameaça nas águas e no espaço aéreo cubanos, o país entrou em pé de guerra.
Quando a pressão aumentou, Khrushchev perdeu a cabeça. Não previu a reviravolta que os acontecimentos iriam tomar e não parava de mentir. É surpreendente como conseguiu lidar com uma crise nuclear de forma tão leviana. A 26 de outubro, escreveu a Kennedy: «Estes materiais estão instalados em Cuba a pedido do Governo cubano […]» (León, 1983: 352).
Naquela tarde-noite, Fidel reuniu-se com o comando do contingente soviético. Considerou que o aumento dos voos rasantes e a movimentação de tropas não eram meras provocações; constituíam um estratagema para levar Cuba a baixar a guarda. Recordou o ataque nazi de 22 de junho de 1941, que apanhou Stalin de surpresa por este não ter prestado atenção às informações dos serviços secretos. Cuba não podia dar-se a esse luxo.
Será que Fidel estava a exagerar? «Estes voos proporcionariam não só um melhor reconhecimento aéreo, mas também, ao mesmo tempo, um sistema para pressionar os russos e humilhar Castro […]. Além disso, a rotina de vigilância aérea da ilha poderia facilitar-nos, num determinado momento, o lançamento de um ataque surpresa […]», confessaria Theodore C. Sorensen, assessor de Kennedy (Sorensen, vol. II, 1966: 1 054).
Após a análise, chegou-se à conclusão de que era provável que os Estados Unidos lançassem um ataque aéreo nas próximas 24 a 72 horas. Fidel comunicou ao comando soviético que tinha dado ordem às tropas cubanas para abrirem fogo contra qualquer avião que sobrevoasse o espaço aéreo a baixa altitude a partir de 27 de outubro. Apesar de ter consultado Moscovo e não ter recebido resposta, o contingente soviético decidiu agir em conjunto com as FAR. «… nós, os combatentes soviéticos aqui presentes, estávamos dispostos a dar tudo para defender a Cuba revolucionária», confirmou anos mais tarde o general do exército (aposentado) Anatoli I. Gribkov, então chefe da Direcção Principal de Operações das Forças Armadas da URSS e, durante a crise, representante em Cuba do Ministro da Defesa (Conferência Tripartida de 1992: 17).
Às 10h22 da manhã de 27 de outubro de 1962, uma unidade de mísseis soviética posicionada no município de Banes, na actual província de Holguín, abateu um U-2 que sobrevoava Cuba de oeste a leste a 22 mil metros de altitude.
Khrushchev concordou em retirar os foguetes a 28 de outubro. Em troca, aceitou a promessa de retirada dos mísseis da Turquia e o compromisso verbal de não agressão a Cuba. Fidel tomou conhecimento da notícia pela Rádio Moscovo: «Muitos olhos de homens, cubanos e soviéticos, que estavam dispostos a morrer com a máxima dignidade, derramaram lágrimas ao saber da decisão surpreendente, inesperada e praticamente incondicional de retirar as armas», escreveu-lhe indignado (Ramonet, 2018: 307).
A Revolução Cubana defendia meticulosamente a sua independência. Ao tomar conhecimento do acordo, Fidel declarou que não haveria garantias enquanto não se pusesse fim à guerra contra a ilha e apresentou cinco pontos:
- Fim do bloqueio económico e das medidas de pressão comercial;
- Cessação das actividades subversivas e terroristas, da organização de invasões mercenárias e da infiltração de espiões e sabotadores levadas a cabo a partir do território dos Estados Unidos e de outros países da região;
- Cessação dos ataques piratas a partir de bases militares nos Estados Unidos e em Porto Rico;
- Cessação das violações do espaço aéreo e marítimo cubanos;
- Retirada da Base Naval de Guantánamo e devolução do território usurpado.
Nenhum desses pontos foi acordado. Evitou-se a guerra, mas não se conquistou a paz.
Um tema que suscita controvérsia é a troca de mensagens entre Fidel e Khrushchev. A versão segundo a qual o líder cubano lhe teria pedido para dar o primeiro golpe preventivo é falsa. Khrushchev começou a negociar no dia 26. Enviou uma primeira mensagem através da sua embaixada em Washington, propondo a retirada dos mísseis sob supervisão da ONU, sem fazer qualquer referência a Cuba; em troca, pediu um compromisso público de não invasão. Naquela tarde-noite, realizou-se em Havana a reunião entre os comandantes das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) e do Agrupamento de Tropas Soviéticas; depois, Fidel dirigiu-se à embaixada da URSS e, na madrugada do dia 27, redigiu uma carta a Khrushchev na qual alertava para a iminência de uma agressão:
Existem duas variantes possíveis: a primeira e mais provável é o ataque aéreo contra determinados alvos, com o objectivo limitado de os destruir; a segunda, menos provável, […] é a invasão. […]. Se a segunda variante se concretizar e os imperialistas invadirem Cuba com o objectivo de a ocupar, o perigo que tal política agressiva acarreta para a humanidade é tão grande que, após esse facto, a União Soviética não deve permitir, jamais, que se criem circunstâncias nas quais os imperialistas possam desferir contra ela o primeiro golpe nuclear. Digo-lhe isto, porque acredito que a agressividade dos imperialistas se está a tornar extremamente perigosa e, se eles chegarem a cometer um acto tão brutal e violador da lei e da moral universal como invadir Cuba, esse seria o momento de eliminar para sempre tal perigo, num ato de legítima defesa, por mais dura e terrível que fosse a solução, porque não haveria outra (Ramonet, 2018: 299-300).
Ou seja, Fidel propôs agir apenas no caso de uma invasão a Cuba, sem contar que a mensagem só chegou a Khrushchev na madrugada de 28 de outubro, quando este já tinha acordado com Kennedy a retirada praticamente incondicional dos mísseis. Um pouco de equanimidade e sangue-frio teriam permitido chegar a um acordo justo.
Cuba não autorizou a inspecção no seu território e foi Khrushchev quem aceitou uma nova chantagem: os navios soviéticos seriam inspecionados em alto mar. «Não vou esconder […] — e tive de lutar muito, desde os anos de 1939-1940, quando era um jovem tenente, condutor de tanque, durante a Guerra Patriótica — que conheci a amargura das retiradas, conheci vitórias; mas em todo o meu longo serviço militar ao longo de 54 anos, o mais humilhante foi a inspecção dos nossos navios no mar”, recordou 30 anos mais tarde, em Havana, o general Gribkov (Conferência Tripartida de 1992: 17).
Superada a Crise de Outubro, a 31 de janeiro de 1963, Khrushchev convidou Fidel para visitar a URSS. A visita sarou as feridas. A 29 de maio de 1963, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR) assinou um acordo em Moscovo para reforçar a capacidade defensiva de Cuba. O valor das armas e do equipamento a fornecer a título gratuito entre 1963 e 1965 ascendia a 307 milhões e 81 mil rublos, e em setembro foi acordado manter uma brigada de três mil soldados soviéticos em Havana. As suas missões de combate, até então determinadas pelo Ministério da Defesa da URSS, passariam a ser atribuídas pelo comando cubano em coordenação com a contraparte soviética.
Em 1964, foi criado nos arredores de Havana um centro de radioexploração electrónica conhecido como «Base de Lourdes» e foi analisado um Tratado de Assistência Recíproca que conferisse garantias a Cuba em caso de agressão. «É preciso assinar o Tratado de Assistência Recíproca com Cuba. Vão gritar que isso é aventurismo. Que se lixem, que gritem!”, insistia Khrushchev em Moscovo (Sánchez Monroe, 2018: 95).
Mas, a 14 de outubro de 1964, uma sessão plenária extraordinária do Comité Central do Partido aprovou a substituição de Khrushchev. Entre várias razões, a Crise de Outubro teve um peso determinante. Alguns dos responsáveis da sua equipa nunca concordaram com a instalação dos mísseis: resumiam a questão numa frase: «o barco pode virar». Outros consideraram racional a sugestão cubana de assinar e tornar público um tratado antes de instalar os mísseis, tal como os Estados Unidos costumavam fazer com os seus aliados. Khrushchev recusou-se a ouvir e, no meio da crise, faltou-lhe firmeza. Mostrou-se precipitado, algo inconcebível na idiosincrasia russa.
Os militares nunca lhe perdoaram a humilhação sofrida pelas forças armadas que derrotaram o fascismo, quando ele cedeu à chantagem de Kennedy e permitiu que o Exército dos Estados Unidos inspeccionasse os navios soviéticos em alto mar.
Foi aposentado e isso teve implicações nas relações bilaterais. A intervenção na sessão plenária do membro do Presidium, Dmitri Polyanski, foi um mau presságio: «O camarada Khrushchev estava muito feliz, porque conseguiu o que Stalin não conseguiu: penetrar na América Latina. Em primeiro lugar, a penetração na região latino-americana não era um objectivo da nossa política e, em segundo lugar, isso significava que o nosso país teria de assumir a obrigação de efectuar fornecimentos militares para além do oceano, a uma distância de 15 mil quilómetros» (Sánchez Monroe, 2018: 95).
Documentos desclassificados pela Rússia revelam que o embaixador transmitiu a inquietação cubana e relatou uma observação sarcástica de Che: «Para nós, não é segredo que na União Soviética há pessoas que não demonstram entusiasmo pela Revolução Cubana, uma vez que Cuba, além de ser um fardo económico, é para a URSS uma fonte potencial de guerra termonuclear mundial» (Sánchez Monroe, 2018: 95)
Leonid Brezhnev assumiu o cargo de secretário-geral do PCUS, e Alekséi N. Kosyguin assumiu a presidência do Conselho de Ministros. Cuba não enviou qualquer mensagem de felicitações, embora ambas as partes tenham feito um esforço para que as coisas continuassem normalmente; mas nunca mais voltou a existir a mesma afeição. Trinta e sete anos mais tarde, a 18 de outubro de 2001, num congresso da Associação Hermanos Saíz, Fidel fez uma análise do que significou para Cuba a amizade de Khrushchev:
Eu era um rebelde, mas numa altura em que tínhamos um monstro à nossa frente e um país que, emocionado com a surpresa de que, não sei há quantos anos, ao lado do império, se tivesse revelado e estabelecido um regime socialista radical — um regime radical neste país —, os levou à coragem de nos ajudar. Tenho a certeza de que, se isso tivesse acontecido na época de Stalin, aqui não teria chegado um navio de petróleo, porque eram demasiado calculistas e cautelosos; tivemos a sorte de que coincidiu com o momento em que havia um camponês no poder, mas esse era Khrushchev, um camponês, e demonstrou um enorme entusiasmo quando estes poderiam ter liquidado a Revolução naqueles momentos. […] um bom número de revolucionários teria morrido gloriosamente, mas não teríamos conseguido resistir. Isso deu-nos a oportunidade de trinta anos, e fizemos uma obra […] (Castro Ruz, F., 2018: 69).
Bibliografia
Castro Ruz, Fidel: «Fragmentos das intervenções do Comandante-Chefe Fidel Castro Ruz, primeiro secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, na última sessão do Primeiro Congresso da Associação Hermanos Saíz, no Palácio das Convenções, a 18 de outubro de 2001, «Ano da Revolução vitoriosa no novo milénio»”, em Fidel e a AHS. Havana, Casa Editora Abril, 2018.
Conferência Tripartida de 1992. O mundo à beira da guerra nuclear. Havana, Editora Política, 2012.
Dobrynin, Anatoly: Em confidência. O embaixador de Moscovo perante os seis presidentes norte-americanos da Guerra Fria (1962-1986). Cidade do México, Fondo de Cultura Económica, 1998.
Kennedy, Robert F.: Treze dias. A crise de Cuba. Barcelona/Buenos Aires/Cidade do México/Bogotá, Plaza & Janes, S.A., Editores, 1968.
León Cotayo, Nicanor: O bloqueio a Cuba. Havana, Editorial de Ciências Sociais, 1983.
Mccone, John A.: «Memorando da reunião com o Presidente Kennedy», 23 de agosto, Departamento de Estado dos EUA, Relações Exteriores dos Estados Unidos, 1961-1963. Washington, D.C., 1997.
Minfar: Perigos e princípios. A Crise de Outubro vista de Cuba. Havana, Editora Verde Olivo, 1992.
Ramonet, Ignacio: Cem horas com Fidel. Conversas com Ignacio Ramonet. Havana, Editorial de Ciências Sociais / Gabinete de Publicações do Conselho de Estado, quarta edição, 2018.
Sánchez Monroe, Juan: «As relações cubano-soviéticas em 1968 vistas de Cuba», em Temas (Havana), n.º 95-96 (julho-dezembro de 2018).
Sorensen, Theodoro C.: Kennedy, o homem, o presidente. Barcelona / Cidade do México, Edições Grijalbo S.A., 1966.
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Ernesto Limia | Historiador e escritor cubano
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