Arthur GonzálezArtigos de Opinião

Chega de mentiras, digam a verdade sobre Cuba

Desde 1959, os sucessivos governos norte-americanos repetem a mesma ladainha de mentiras sobre Cuba, mas omitem a verdade que consta nos seus documentos oficiais.

Insistem incessantemente que Cuba é um Estado falhado e que o socialismo é um fracasso, para semear essa imagem entre os norte-americanos e no resto do mundo, recorrendo à mesma estratégia seguida por Hitler e pelo seu ministro da Comunicação, Joseph Goebbels, algo que o presidente Donald Trump pratica há muitos anos, conforme confirmado nas ordens dadas pessoalmente a Stephanie Grisham, secretária de imprensa da Casa Branca: «Enquanto continuares a repetir algo, não importa o que digas, as pessoas vão acreditar.»

O mesmo faz Marco Rubio, secretário de Estado, que nutre um ódio particular pela Revolução cubana.  Esse «bezerro», alimentado com o leite da vaca terrorista anticubana, não se cansa de repetir o velho refrão: «a situação económica de Cuba não pode melhorar sem mudanças políticas significativas, porque o modelo económico actual fracassou e qualquer recuperação exigirá transformações estruturais profundas».

No entanto, não menciona que, em 23 de dezembro de 1958, durante a reunião do Conselho de Segurança Nacional, o então director da CIA, Allen Dulles, afirmou: «Temos de impedir a vitória de Castro…»

A Revolução ainda não tinha triunfado, nem as propriedades americanas tinham sido nacionalizadas, e a CIA já afirmava que Castro não era o homem de que os Estados Unidos precisavam.

Também não faz qualquer referência ao que está exposto no plano de «Acções Encobertas», aprovado a 17 de março de 1960 pelo presidente D. Wight Eisenhower, onde se afirma: «O objectivo é provocar a substituição do regime de Castro por um que responda melhor aos verdadeiros interesses do povo cubano e seja mais aceitável para os Estados Unidos».

Fidel Castro não era do agrado dos ianques e, por essa razão, a CIA começou a planear o seu assassinato já em 1959, segundo consta de um relatório desclassificado, o que comprova a natureza terrorista e criminosa dos Estados Unidos, que semeiam o terror e a morte em todos os países cujos governos não lhes agradam.

Cuba nunca criou organizações com o objectivo de derrubar o capitalismo nos Estados Unidos, como eles fazem contra a Revolução cubana. Recorde-se que a primeira organização contrarrevolucionária foi criada em Miami a 28 de janeiro de 1959, por Rafael Díaz-Balart, que lhe deu o nome de «La rosa blanca», com o apoio da CIA, tendo-lhe seguido outras organizações financiadas com fundos do governo norte-americano.

Essas organizações incendiaram dezenas de centros comerciais, teatros, cinemas, escolas e fábricas de todo o tipo, cumprindo à risca os planos da CIA aprovados pelos governos norte-americanos. Quem desejar verificar isso pode consultar o documento elaborado pela CIA para o Grupo Permanente do Conselho Nacional de Segurança, em 8 de junho de 1963, intitulado: Política secreta e programa integrado de acções propostas para Cuba.

Esse programa expõe todas as medidas a tomar para derrotar a Revolução cubana e, entre outras questões, propõe:

«… as informações de inteligência são necessárias para permitir o planeamento e a organização de operações de retaliação económica. Só depois de os efeitos da retaliação económica e das acções de sabotagem se fazerem sentir profundamente na população e nos grupos de elite é que se pode esperar transformar a insatisfação nas forças armadas e noutros centros de poder do regime em revoltas ativas contra a camarilha castrista-comunista».

Então, quem representa um perigo para a segurança de qualquer país do mundo?

Chega de mentiras e acusações contra Cuba para justificar as suas guerras contra a Revolução, que, apesar de estar sujeita a uma guerra económica, comercial e financeira implacável há quase 70 anos, resiste estoicamente, e isso é algo que os ianques não suportam.

Querem fazer o mundo acreditar que Cuba é um Estado falhado, quando os documentos da CIA revelam toda a verdade. A 12 de dezembro de 1963, um extenso memorando sobre a situação interna de Cuba expõe:

«A actual política dos Estados Unidos em relação a Cuba tem como objectivo isolá-la do hemisfério ocidental e do resto do mundo livre, e exercer a maior pressão possível… para impedir a consolidação e a estabilização do regime comunista de Castro. O programa de Acções Secretas foi concebido para apoiar outras medidas governamentais, com o objectivo de aumentar e intensificar as pressões contra Castro e estimular os elementos dissidentes, especialmente no exército, a levar a cabo um golpe de Estado e a eliminar Castro…»

«O principal objectivo dos programas secretos contra Castro é completar o isolamento económico, político e psicológico de Cuba em relação à América Latina e ao mundo livre… Estas medidas têm sido, em grande parte, responsáveis pelas actuais dificuldades económicas de Castro, mas poderiam ser adotadas novas e eficazes medidas de guerra económica».

Isto é afirmado pela CIA e não se trata de propaganda comunista, mas é preciso acrescentar as leis que regem essa guerra económica, todas disponíveis na Internet.

Nenhuma nação no mundo consegue desenvolver-se plenamente com tantas leis que asfixiam a sua economia, e, apesar disso, Cuba continua a avançar.

Por que é que o Marco Rubio e o Donald Trump não as mencionam?

Essa guerra teve início a 19 de outubro de 1960, quando o presidente D. Eisenhower aplicou a Cuba a Lei do Comércio com o Inimigo (TWEA). Esta lei proíbe qualquer tipo de transacção comercial ou financeira, incluindo as relacionadas com viagens, transportes ou negócios em tempo de guerra, ou quando tenha sido declarada uma emergência nacional em relação a um país específico.

Em 1961, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei de Cooperação Internacional, secção 620.a, que proíbe qualquer ajuda a qualquer país comunista, incluindo Cuba, e a qualquer outro país que preste ajuda à ilha. A lei autoriza o presidente dos Estados Unidos a estabelecer e manter um «embargo» total sobre todo o comércio entre os Estados Unidos e Cuba.

Em 18 de janeiro de 1962, o presidente J.F. Kennedy aprovou o Projecto Cuba (Plano Mangosta), cujos objectivos eram:
“Ajudar os cubanos a derrubar o regime comunista em Cuba e instaurar um novo governo com o qual os Estados Unidos pudessem conviver em paz. Apoiadas por uma guerra económica que induza o regime comunista a fracassar nos seus esforços para satisfazer as necessidades do país, as operações psicológicas aumentarão o ressentimento da população contra o regime e as de tipo militar darão ao movimento popular uma arma de acção para a sabotagem e a resistência armada em apoio aos objectivos políticos”.

Em 7 de fevereiro de 1962, ao abrigo da autoridade que lhe era conferida pela Lei de Cooperação Internacional, o presidente John F. Kennedy suspendeu todo o comércio com Cuba e, através do Decreto 3447, Resolução Federal n.º 1085, instituiu o bloqueio sobre todo o comércio com Cuba, proibiu a importação para os Estados Unidos de todos os bens de origem cubana e bens importados de ou através de Cuba, bem como todas as exportações dos Estados Unidos para Cuba.

Em 1963, o governo dos Estados Unidos promulgou os regulamentos relactivos ao Controlo dos Activos Cubanos (CACR), ao abrigo da secção 5.b da Lei do Comércio com o Inimigo de 1917. O objectivo expresso das sanções é: «isolar economicamente o governo cubano e privá-lo de dólares americanos». As sanções congelam todos os activos cubanos nos Estados Unidos e o Departamento do Tesouro ficou encarregado de regular todas as transações comerciais com Cuba, incluindo as viagens autorizadas à ilha por cidadãos americanos.

A CACR prevê, para quem violar as sanções, penas criminais que variam entre 10 anos de prisão, multas às empresas até um milhão de dólares americanos e multas individuais até 250 000 dólares. Podem também ser aplicadas sanções civis até 55 000 dólares americanos.

Em 1 de março de 1982, Ronald Reagan incluiu Cuba na Lista de Países que Apoiam o Terrorismo, o que implica severas restrições económicas, financeiras e diplomáticas, tais como a proibição da exportação de armas, a suspensão da ajuda económica, o bloqueio de créditos internacionais e limitações ao acesso ao sistema financeiro global.

Em 1991, o Instituto de Estudos Estratégicos dos Estados Unidos declarou: «As dificuldades socio-económicas, por si só, não são suficientes para desencadear uma revolução autónoma a partir da base. A sociedade civil cubana não sentiu a necessidade de se rebelar contra o sistema, mas convive, pelo contrário, em harmonia com ele».

Em 1992, o presidente George H. Bush assinou a entrada em vigor da Lei para a Democracia em Cuba (Lei Torricelli), que proíbe as filiais de empresas norte-americanas de estabelecer relações comerciais com Cuba, proíbe os cidadãos norte-americanos de viajar para Cuba e proíbe o envio de remessas de dinheiro para o país. Um dos objectivos é «procurar alcançar uma transição pacífica para a democracia e a retoma do crescimento económico de Cuba, através da aplicação cuidadosa de sanções contra o governo de Castro e do apoio ao povo cubano». Exorta os governos de outros países que mantêm relações comerciais com Cuba a restringirem as suas actividades comerciais e de crédito.

Será que algum país pode ter um desenvolvimento harmonioso nessas condições?

É precisamente isso que incomoda os americanos, pois, apesar de todas as leis, Cuba seguiu em frente. A máfia de Miami orquestrou as provocações da organização narcoterrorista «Hermanos al Rescate», para obrigar o presidente W. Clinton a assinar outra lei que intensificasse a guerra económica.

Em março de 1996, o presidente Clinton assinou a Lei pela Liberdade e Solidariedade Democrática em Cuba, conhecida como Lei Helms-Burton. Com ela, as sanções contra Cuba passaram a ter maior força de lei e só podem ser revogadas pelo Congresso. Essa lei visa «reforçar as sanções internacionais contra o Governo de Castro» e «planear o apoio a um governo de transição que conduza a um governo democraticamente eleito na ilha».

Perante a resistência heróica do povo cubano, Donald Trump, instigado pelo seu secretário de Estado, assinou, em 29 de janeiro de 2026, um decreto presidencial que declara uma «emergência nacional» em relação a Cuba e anuncia a imposição de tarifas aos países que lhe vendam petróleo, ao considerar que a ilha representa uma ameaça extraordinária e invulgar para os Estados Unidos.

Ao constatar que a maioria do povo cubano continua a apoiar a Revolução, a 1 de maio de 2026, Donald Trump assinou outro decreto presidencial que endurece as medidas contra o governo cubano, impondo sanções a empresas e bancos estrangeiros que realizem negócios com a ilha. Acrescenta que os Estados Unidos irão bloquear, entre outras pessoas, aqueles que operem ou tenham operado nos setores da energia, mineração, defesa ou segurança de Cuba, ou que tenham prestado apoio material, financeiro ou tecnológico ao governo de Cuba ou a outros indivíduos «sancionados».

Qualquer pessoa, empresa ou instituição financeira que opere ou faça negócios com entidades cubanas sujeitas a sanções sofrerá o bloqueio total dos seus activos nos Estados Unidos. Se um banco de outro país facilitar uma transacção significativa para alguma entidade cubana sujeita a restrições pelo governo norte-americano, estará sujeito ao encerramento das suas contas em Wall Street ou à proibição de operar em dólares.

O resultado destas medidas foi imediato. Desde grandes cadeias hoteleiras estrangeiras até empresas mineiras canadianas e processadoras de pagamentos internacionais, todas interromperam as suas relações comerciais com Cuba. A Mastercard e a Visa suspenderam as transacções para visitantes estrangeiros não norte-americanos.

As companhias marítimas europeias CMA CGM, da França, e Hapag-Lloyd, da Alemanha, suspenderam temporariamente novos envios e operações de transporte de mercadorias para a ilha.

Dezenas de companhias aéreas internacionais suspenderam os seus voos para a ilha e o turismo, principal sector da economia cubana, foi significativamente afectado — um antigo sonho de Marco Rubio para estrangular a economia da ilha e prejudicar o povo, com o objectivo de que este culpe o socialismo pelas suas dificuldades.

Ted Henken, especialista em Cuba do Baruch College, observou: «Pode chamar-se um duplo golpe; tem sido um estrangulamento gradual, mas consistente, por parte da administração Trump contra a economia cubana»

Mas isto ainda não acabou; faltam ainda novas medidas para matar de fome todo o povo cubano, para depois dizer que Cuba é um Estado falhado.

Recordemos José Martí, quando afirmou:

“Los flojos respeten: los grandes adelante. Esta es tarea de grandes”.

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Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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