Quando Cuba Dançou na Festa do Avante: Arnaldo Rodriguez el Talismán Fizeram Saltar o Coração
Lisboa, 6 de setembro de 2026
A Festa do Avante tem destas coisas: junta gente, ideias, bandeiras — e, por vezes, música que nos transporta para longe. Ontem, foi Arnaldo Rodríguez, el Talismán de Cuba, quem fez a noite tremer. E, com ele, veio Cuba inteira.
Não foi um concerto. Foi um reencontro. A música cubana a tocar na Festa Do Avante, e eu ali, no meio da multidão, a sentir que Havana estava mais perto do que nunca.
O som que nos levou de volta
As primeiras notas chegaram e, de repente, o recinto transformou-se. Centenas de pessoas começaram a dançar, os braços no ar, os sorrisos a crescer. Não havia fronteiras entre quem era cubano, português, ou de qualquer outra paragem — havia apenas o ritmo, a alegria, a força de uma música que não se rende.
E, no meio daquela festa, senti o que já não sentia desde que saí de Cuba. O calor, a cumplicidade, a sensação de que a vida é feita destes momentos: simples, partilhados, profundos.
As lágrimas que vieram
Houve momentos em que as lágrimas me vieram aos olhos. Não de tristeza — de emoção. De lembrar os apagões, as caminhadas no Malecón, os abraços do Paquito, a senhora de 62 anos, a mala de medicamentos, as pessoas com quem conversei durante horas. De lembrar Cuba.
O Talismán cantou, o povo dançou, e eu, por breves instantes, senti que estava de novo em Havana.
O que fica do concerto
O concerto acabou, a multidão dispersou-se, mas a música ficou. Ficou no corpo, na memória, na certeza de que Cuba não se apaga — mesmo longe. Ficou a prova de que a cultura é a maior trincheira da Revolução, e que ela viaja connosco, onde quer que estejamos.
Ontem, Cuba dançou no Seixal. E eu dancei com ela.
Pátria ou Morte, Venceremos! 


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Paulo Da Silva
Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negoceiam.



