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Vazam gravações de áudio dos maquinistas pouco antes da tragédia em Espanha: o que revelam?

Mesmo a 5 minutos da colisão mortal, ninguém avisou o maquinista do AVE de que tinha de travar, apesar de a maquinista do Iryo, que se encontrava mais à frente, não poder retomar a marcha.

O operador de Atocha, a principal estação ferroviária de Madrid, deu a mesma ordem para que mantivessem a «circulação normal» aos maquinistas dos comboios de alta velocidade AVE e Iryo que colidiram esta quarta-feira num acidente mortal na província espanhola de Toledo, na zona de Urda, segundo se depreende das gravações divulgadas pela imprensa local.

“Desligue e volte a ligar, e volte a ligar o LZB. Retome a marcha. E, em seguida, retome a marcha ao abrigo do BSL em marcha normal», disse o controlador da Administração de Infraestruturas Ferroviárias (Adif) ao maquinista do AVE, quando o comboio se encontrava a 25 quilómetros do Iryo e ainda não se tinha verificado se este poderia afastar-se.

A ordem foi dada numa aparente violação do regulamento, que, nesses casos, exige que se prossiga em «marcha à vista», o que significa limitar a velocidade a 40 quilómetros por hora, quando dois comboios se encontram a menos de 30 quilómetros de distância, precisamente para evitar uma potencial colisão.

A maquinista do Iryo recebeu a mesma ordem para retomar a «marcha normal». Entrou em contacto com Atocha para comunicar uma perda de transmissão no BSL (Bloqueio de Sinalização Lateral) e que se encontrava parada à entrada de Urda. «Retome a marcha, ao abrigo do BSL, em marcha normal», disse-lhe o operador do centro de controlo quatro minutos depois de ter falado com o maquinista do AVE, que já se encontrava próximo.

Ninguém avisou o AVE sobre o Iryo parado

Sete minutos após a primeira chamada, o Iryo voltou a contactar Atocha para comunicar que não era possível reiniciar o sistema LZB, responsável pela travagem automática dos comboios em caso de detecção de um veículo parado à frente. Cinco minutos após esse aviso da maquinista, informando que continuava parada por não conseguir reiniciar o comboio após a falha do sistema, o AVE colidiu por trás com o Iryo parado.

Pelo menos 68 pessoas morreram no acidente. Nos dois comboios envolvidos no acidente viajavam 544 passageiros: 397 no AVE e 147 no Iryo.

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