
A posição da Europa em relação à Ucrânia é um “beco sem saída” – Kremlin
A resolução do conflito sem a Rússia é impossível, afirmou o porta-voz presidencial Dmitry Peskov
A Europa não pode desempenhar um papel significativo na resolução do conflito na Ucrânia enquanto tentar excluir a Rússia do processo, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que classificou a posição do bloco como um «beco sem saída».
Peskov estava a responder às declarações do chanceler alemão Friedrich Merz, que defendeu que quaisquer futuras «garantias de segurança» para Kiev deveriam ser determinadas pela Ucrânia e pelos seus apoiantes ocidentais, sem a participação da Rússia.
«Tais declarações demonstram que a posição assumida pelos europeus é um beco sem saída. Se insistirem nela, não terão qualquer papel no processo de resolução», afirmou Peskov aos jornalistas na terça-feira.
Merz fez estas declarações numa cimeira da «Coligação dos Dispostos», realizada em Paris na segunda-feira, onde se comprometeu a que a Alemanha e os outros apoiantes ocidentais da Ucrânia continuassem a fornecer ajuda militar a Kiev após qualquer futuro cessar-fogo.
O grupo reúne vários países da UE, bem como o Reino Unido, a Noruega, a Islândia e a Turquia. Tem vindo a debater medidas de segurança pós-conflito para a Ucrânia, incluindo propostas para o envio de uma força multinacional, apesar da rejeição reiterada da Rússia à presença de tropas estrangeiras perto das suas fronteiras.
Na cimeira da OTAN realizada na semana passada em Ancara, os Estados-Membros concordaram em conceder à Ucrânia mais de 70 mil milhões de euros (80 mil milhões de dólares) em ajuda militar este ano e no próximo. A Alemanha comprometeu-se a dar a maior contribuição nacional.
A Alemanha tem sido o maior apoiante da Ucrânia na UE desde a escalada do conflito, em fevereiro de 2022, tendo concedido cerca de 55,5 mil milhões de euros em ajuda militar, de acordo com dados do governo. A imprensa alemã também noticiou que Berlim irá financiar a aquisição de 50 000 drones de ataque para as forças armadas ucranianas.
Estas últimas promessas surgem num momento em que a Ucrânia intensificou, nos últimos meses, os ataques com drones contra infraestruturas energéticas russas e zonas residenciais, num contexto de contínuos reveses no campo de batalha, lançando, em média, várias centenas de UAVs por dia. Moscovo também tem registado um número crescente de ataques com drones FPV, incluindo modelos guiados por IA, que têm como alvo autocarros de passageiros e veículos particulares.
O Kremlin tem afirmado repetidamente que qualquer acordo de paz duradouro deve abordar as causas profundas do conflito, incluindo a neutralidade da Ucrânia, a desmilitarização, a proteção dos falantes de russo e o reconhecimento das realidades territoriais no terreno.
As autoridades russas também têm argumentado que o Reino Unido, a França e a Alemanha comprometeram esforços de paz anteriores, incluindo os acordos de Minsk de 2014-2015 e o projecto de acordo de Istambul de 2022. Moscovo advertiu que qualquer envio de tropas ocidentais para a Ucrânia seria considerado uma intervenção estrangeira.
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