Cuba. 27 anos após a prisão dos Cinco Heróis antiterroristas cubanos
Há 27 anos, os mundialmente conhecidos como os Cinco Heróis Cubanos foram injustamente detidos pelo FBI por defenderem a soberania de Cuba e impedirem novos ataques terroristas planeados a partir dos Estados Unidos.
Em 12 de setembro de 1998, Gerardo Hernández Nordelo, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González Llort e René González Sehwerert foram detidos nos Estados Unidos, acusados de conspiração para cometer espionagem.
Os Cinco tinham sido enviados aos Estados Unidos para monitorizar as actividades de organizações terroristas sediadas em Miami, que há décadas vinham perpetrando ataques violentos contra Cuba, incluindo sabotagem de aviões civis e ataques a instalações turísticas. Essas organizações, como a Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), o Conselho pela Liberdade de Cuba (CLC), Irmãos ao Resgate, Movimento Democracia e Alpha-66, são algumas das que, ao longo da história da Revolução Cubana, empreenderam actos terroristas contra o povo cubano.
A detenção dos cinco cubanos ocorreu quase três meses após a visita a Havana de uma delegação norte-americana à qual foi entregue material com abundante informação, documental e testemunhal, sobre planos terroristas organizados contra Cuba, financiados pela Fundação Nacional Cubano-Americana -Americana (FNCA), com sede em Miami (organização responsável pelos serviços prestados à contrarrevolução do terrorista Luis Posada Carriles, protagonista de feitos como a explosão em pleno voo de um avião com 73 pessoas a bordo frente à costa de Barbados em 1976).
O material que Cuba entregou incluía investigações detalhadas de actos terroristas planeados entre 1990 e 1998, provas contundentes como fotografias de armas e explosivos, bem como 51 páginas da lista do orçamento da FNCA destinado a vários grupos para actuar dentro do país. Na época, o FBI recebeu os arquivos de 40 terroristas de origem cubana (a maioria deles residentes em Miami), juntamente com os dados para localizá-los, bem como gravações de conversas telefónicas com Posada Carriles, nas quais eram dadas instruções precisas para cometer os sabotagens.
A delegação norte-americana levou consigo também amostras das bombas desactivadas no Hotel Meliá Cohiba, em abril de 1997, e num autocarro de turistas, em outubro do mesmo ano; bem como o artefacto explosivo confiscado a dois guatemaltecos, em março de 1998, e as gravações das suas declarações, que detalhavam as suas ligações directas com Luis Posada Carriles. Nenhuma dessas provas foi utilizada pela parte norte-americana para prender esses criminosos ou abrir qualquer investigação a esse respeito; no entanto, os Cinco foram presos, permanecendo sem fiança durante 33 meses e confinados em celas destinadas a prisioneiros violentos durante 17 meses.
Após a acusação (e embora, segundo consta na acta, eles tivessem penetrado pacificamente e sem armas em grupos terroristas anticubanos com o objectivo de divulgar as suas intenções criminosas), foram condenados num julgamento prolongado e manipulado e, consequentemente, declarados culpados.
As penas recebidas pelos Cinco variaram entre 15 anos e duas prisões perpétuas, sem que se pudesse comprovar que representavam um perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Quais foram as acusações e sentenças?
Gerardo Hernández foi condenado a duas penas perpétuas por conspiração para cometer homicídio qualificado e conspiração para espionagem, bem como a 15 anos por acusações de conspiração para cometer crimes contra os Estados Unidos, documentação falsa e agente estrangeiro.
Ramón Labañino foi condenado a prisão perpétua por conspiração para cometer espionagem, a que se somaram 18 anos por conspiração para cometer crimes contra os Estados Unidos, documentação falsa e agente estrangeiro.
Antonio Guerrero foi condenado a prisão perpétua por conspiração para cometer espionagem, bem como a 10 anos por conspiração para cometer crimes contra os Estados Unidos e agente estrangeiro.
Fernando González Llort foi condenado a 19 anos de prisão por conspiração para cometer crimes contra os Estados Unidos, documentação falsa e agente estrangeiro.
René González Sehwerert ficou preso durante 15 anos por conspiração para cometer crimes contra os Estados Unidos e por ser agente estrangeiro.
A promessa do “Eles voltarão”
A prisão injusta dos Cinco deu origem a uma ampla campanha de solidariedade a nível mundial, exigindo a sua libertação. Organizações sociais, partidos políticos e movimentos de solidariedade na América Latina, Europa, Ásia e África uniram-se em uma única voz de denúncia contra a injustiça. Personalidades, acadêmicos, religiosos, juristas, parlamentares, artistas, grupos de amigos solidários com Cuba e até mesmo mandatários de diferentes países uniram suas vozes para denunciar repetidamente esse fato.
Inúmeras campanhas e marchas foram realizadas em todo o mundo a cada 12 de setembro. Milhares de pessoas marcharam com as suas fotos exigindo o fim da injustiça e denunciando as atrocidades cometidas pelos Estados Unidos em matéria de terrorismo e ingerência em Estados livres e soberanos. Centenas de cartas foram apresentadas às embaixadas dos Estados Unidos em diferentes países, acompanhadas de assinaturas de personalidades importantes do mundo da política e da cultura.
“Só lhes digo uma coisa: eles vão voltar”, havia declarado Fidel naquele acto histórico do Primeiro de Maio de 2001. Em 17 de dezembro de 2014, essa promessa tornou-se realidade: Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Antonio Guerrero foram libertados e voltaram a Cuba, recebidos de braços abertos por Raúl e pela alegria do povo cubano, que já os considerava heróis.
Graças à luta incessante do líder histórico da Revolução Cubana, juntamente com o povo cubano e a pressão internacional, os últimos três dos Cinco Heróis que continuavam presos foram libertados como parte de um acordo entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos.
Anteriormente, em 2013, René solicitou a modificação das condições de sua liberdade supervisionada e a permanência em Cuba foi aceita em troca da renúncia à sua cidadania americana. Fernando, após cumprir uma pena de 17 anos e nove meses, foi libertado em 27 de fevereiro de 2014.
Em janeiro de 2015, foram condecorados por Raúl Castro com o título de Heróis da República de Cuba, em reconhecimento ao seu sacrifício e lealdade inabalável aos ideais revolucionários.






Hoje completam-se 27 anos da sua prisão, um facto que continua a ser recordado com respeito e admiração em Cuba e em todo o mundo, pois representam em si mesmos um símbolo de resistência, dignidade e um compromisso inabalável, mesmo diante das situações difíceis que viveram durante os anos de cativeiro.
As sucessivas administrações norte-americanas, por sua vez, continuam a financiar planos subversivos contra Cuba através do uso de redes e programas informáticos para alterar a ordem constitucional e gerar subversão e desestabilização interna.
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