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A inflação na Argentina deverá situar-se perto dos 3%

Num contexto de inflação persistente, 56,4% dos agregados familiares argentinos recorreram ao crédito nos últimos seis meses para pagar alimentos, serviços, rendas e cartões de crédito.

Consultoras privadas da Argentina prevêem que a inflação do mês de março rondará os 3%, impulsionada por um aumento de 0,8% na cesta semanal de alimentos, de 12% na educação, de 5% no vestuário e pelo impacto dos combustíveis na sequência da guerra no Médio Oriente, em consequência das políticas económicas do presidente argentino, Javier Milei.

Esta previsão marca o décimo mês consecutivo de aumento dos preços, o que se deve principalmente a aumentos significativos na cesta básica de alimentos, que registou subidas acumuladas superiores a 3%. Esta escalada dos preços tem um impacto directo nas famílias argentinas, das quais mais de metade se endivida para cobrir as necessidades básicas.

A consultora Econviews indicou que “o nosso inquérito aos preços revela um aumento de 0,8% na terceira semana de março, para um cabaz de alimentos e bebidas em supermercados. Esta semana destacam-se os laticínios (+1,4%) e os produtos hortícolas (-0,5%). As últimas 4 semanas acumulam 3,5%”.

Por seu lado, a LCG, embora tenha registado uma desaceleração semanal de 0,2% nos preços dos alimentos, assinalou que a variação mensal neste sector atingiu os 3,1% no mesmo período, com um acumulado de 2,4% para o mês. Outros fatores inflaccionistas também influenciam o valor geral.

A consultora EcoGo salienta que, embora os alimentos tenham registado uma desaceleração recente, o índice geral de inflação em março está projetado em cerca de 3,0% mensais. Este aumento deve-se fundamentalmente à sazonalidade dos setores da Educação e do Vestuário, a que se soma o efeito de arrastamento dos ajustamentos nas tarifas e nos combustíveis.

O aumento dos preços dos combustíveis, que teve início a 28 de fevereiro devido à guerra no Médio Oriente, provocou subidas de até 6% nos primeiros dias de março, exercendo uma pressão adicional sobre a economia e afectando indirectamente o custo do transporte de alimentos e outros bens.

Neste contexto de inflação persistente, 56,4% dos agregados familiares argentinos recorreram ao crédito nos últimos seis meses para pagar alimentos, serviços, rendas e cartões de crédito, segundo um relatório da consultora Zentrix.

Quase 9 em cada 10 dessas famílias já enfrentam dificuldades para cumprir com os pagamentos, o que evidencia uma perda geral do poder de compra em consequência das políticas de austeridade de Javier Milei. Isto é confirmado pelas declarações de 83,9% dos inquiridos, que referiram que o seu salário não consegue acompanhar o aumento dos preços.

Fonte:

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