Artigos de Opinião

Anos do Irão

Os leões iranianos lutam sob o manto de um novo ano, que vai impondo-se ao fim da escuridão, e fazem valer a sua influência ancestral.

O Irão, nação com mais de sete mil anos de história, combate hoje o sionismo, enfrentando um inimigo que não o enfrenta neste conflito. Entretanto, celebrou em março o primeiro dia da primavera, o início do novo ano iraniano, festividade que coincide com o equinócio da primavera.

Essa influência estendeu-se a muitos territórios: Azerbaijão, Curdistão, Uzbequistão, Tajiquistão, Turquemenistão, Paquistão, outras regiões do norte da Índia, Turquia e Ásia Central.

Todas as noites, a população iraniana sai às ruas empunhando as suas bandeiras. A sua fé acompanha o lançamento de mísseis que atingem bases americanas e israelitas, bem como os países colonizados do Golfo. Conseguiram cercar militarmente o Estreito de Ormuz, e qualquer navio que sinta necessidade de passar terá de pagar uma taxa de segurança. Num futuro próximo, a situação irá melhorar ainda mais, uma vez que o Irão está a desenvolver um novo quadro jurídico para permitir o acesso ao Estreito. 

A estratégia centra-se no planeamento e em respostas contundentes a uma guerra regional. Foi lançado um aviso contra as instalações energéticas das colónias americanas no Golfo e em «Israel». Na sequência disso, Trump viu-se obrigado a recuar relativamente a um suposto ataque contra as infraestruturas energéticas iranianas. 

Entretanto, os porta-aviões norte-americanos acabam por se afastar do alcance dos mísseis, apresentando desculpas ridículas, como o facto de os tanques das sanitas estarem a transbordar ou de as condutas de ventilação estarem entupidas, daí a necessidade de as reparar, vendo-se obrigados a partir para portos mais distantes e seguros.

O porta-aviões Gerald R. Ford, o maior da Marinha dos Estados Unidos, teve de atracar na ilha de Creta, na Grécia, após ter pegado fogo misteriosamente no Mar Vermelho. Este navio transportava cinco mil marinheiros e 75 aviões de combate. O incêndio destruiu cem cabines, deixando duzentos feridos leves por intoxicação; um militar teve de ser evacuado de emergência. 

Vamos ver como é que vão explicar ao Congresso que um pequeno incêndio causado por um cano de esgoto deixou duzentos feridos e destruiu cem cabines no porta-aviões que estreou nas Caraíbas com militares bem-sucedidos e bem treinados, como se tivessem saído da Inteligência Artificial, e que agora mal conseguem fugir após ondas de mísseis iranianos. O estado do navio é deplorável e o moral da tripulação não se assemelha aos vídeos que exibiam antes de atacarem a Venezuela.  

Mas a verdade está escondida nestes porta-aviões. Existem graves problemas de saúde mental entre os seus soldados. Os danos aterrorizaram o seu pessoal, situação que levou o próprio Trump a admitir que foram duramente atingidos por ondas de mísseis lançados contra os seus navios.

Os leões iranianos lutam sob o manto de um novo ano, que se impõe no fim da escuridão, e fazem valer a antiga influência do Império Persa: Iraque, Afeganistão, Ásia Central, Tajiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão, Turquemenistão, Cazaquistão, Quirguistão, Índia e Turquia. 

As consequências que foram incansavelmente alertadas tornam os preços da gasolina incontestáveis em muitas regiões do mundo. Passaram-se as primeiras quatro semanas de guerra e os resultados são deploráveis em termos de gastos que não representam qualquer ganho, não conseguindo, além disso, ter o impacto esperado a curto prazo. Os americanos tiveram de sacrificar as suas compras habituais de alimentos para poderem adquirir mais alguns litros de gasolina e poderem deslocar-se nos seus automóveis. 

Entretanto, os seus aliados reagem, como o presidente espanhol Pedro Sánchez, que afirmou abertamente que esta é uma guerra ilegal, absurda e cruel.  Todas as acusações recaem directamente sobre o sionismo, ridicularizando o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, que tenta justificar as péssimas estratégias do seu chefe, Donald Trump.

O prémio para a maior excentricidade vai para Netanyahu, que prometeu que as suas estratégias de guerra iriam destruir o Irão e hoje nem sequer um único relatório de guerra é considerado credível. Por isso, juntamente com o seu homólogo Trump, ambos concordam que o melhor é que a guerra termine imediatamente, mas cada um atribui ao outro a responsabilidade pelos custos dos seus fracassos.

A ousadia de apontar a ilha iraniana de Jarg como alvo a ser destruída é um erro em que nem o próprio Trump acredita. Tudo isto faz com que a guerra se alargue e se prolongue para além dos anos de 2026 e 2027. Os iranianos levam muito a sério as suas retaliações. Cada acção de «Israel» e dos Estados Unidos leva a guerra progressivamente de um conflito regional para um conflito em grande parte global. A localização geográfica do Irão é excelente, conferindo-lhe um enorme privilégio.

A guerra atingiu o coração do sistema financeiro norte-americano. Entre fevereiro e março de 2026, as taxas de juro hipotecárias nos Estados Unidos subiram, a que se somam os efeitos de bomerangue que estão a perturbar as estratégias de investimento de Wall Street.

O subconsciente de Trump está a prejudicá-lo; muitos já sabiam e esperavam estes resultados após inúmeras advertências, considerando como um erro lamentável ter provocado o Irão. Até mesmo o quão ridícula é a segurança dos seus directores fica patente, uma vez que os e-mails do director do FBI, Kask Patel, foram pirateados pelos iranianos.

É evidente que o Pentágono travou uma guerra na qual saiu perdedor desde o lançamento do seu primeiro míssil. A cada declaração, Trump inventa resultados nada credíveis, como o de que o Estreito de Ormuz será controlado em conjunto com os iranianos.

Em seguida, afirma manter conversas muito positivas com os líderes de Teerão. Mais adiante, salienta que nunca se pensou em atacar as centrais energéticas iranianas. Tudo indica que a linha vermelha de Netanyahu e Donald Trump está irremediavelmente a seguir um rumo fatal. 

As imagens de qualquer ponto de «Tel Aviv» revelam verdadeiros desastres. A cúpula militar sionista, considerada a mais bem planeada do mundo, foi brutalmente derrotada, tendo sucumbido ao avanço militar do Irão. 

É por isso que todas as declarações de Trump contra o Irão são suspeitamente inoportunas para a realidade norte-americana. Até mesmo as notícias sobre o adiamento de novos ataques contra alvos específicos no Irão fizeram com que os preços do petróleo disparassem e as acções na bolsa norte-americana despencassem.

A loucura norte-americana de uma intervenção terrestre no Irão aumentaria ainda mais a violência. Cada vídeo em que drones e mísseis atingem instalações militares e petrolíferas pertencentes aos EUA abala muitos sectores da sociedade norte-americana que até agora não se tinham manifestado.

Milhares de navios pertencentes a companhias marítimas de todo o mundo mantêm pelo menos vinte mil marinheiros à deriva. É por isso que Trump tenta chegar a um acordo, e quando tenta dizê-lo, o poder sionista treme.

O alvoroço surge quando o Congresso norte-americano os acusa de que o casal presidencial e as suas famílias terão usado o cargo de presidente para desviar mais de um milhão e meio de dólares neste segundo mandato na Casa Branca, tendo feito o mesmo já no primeiro mandato.

Numa análise anterior do  New York Times intitulada «A Pilhagem da América por Trump», fica claro que parte desta megaoperação resulta do facto de o presidente promover a corrupção a partir da Casa Branca, mas que grande parte está relacionada com o facto de Trump vender os interesses dos EUA no estrangeiro para enriquecer juntamente com os seus familiares.

Tudo isto inclui a transferência de tecnologia sensível na área dos semicondutores e da Inteligência Artificial, através de contratos secretos, para os Emirados Árabes Unidos, que, em troca, injectaram mil milhões de dólares em empresas da família Trump.

Existem ainda outros negócios que beneficiam o Grupo Trump e que estão interligados com campos de golfe na Arábia Saudita e no Vietname, bem como hotéis e escritórios que investem no sector imobiliário em muitos outros países, como o Catar, onde já investiram mais de quatrocentos milhões de dólares. 

Sem dúvida, esta é a administração presidencial mais corrupta de toda a história dos Estados Unidos da América, enquanto os seus caças F-35 são abatidos no Irão. Isto é fruto da experiência acumulada ao longo dos anos pela República Islâmica.

Autor: Miguel A. Jaimes N. | Jornalista e politólogo

Fonte:

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