
Brasil: Vazamento de mensagens envolve a família Bolsonaro no caso do Banco Master
A revelação surge a poucas semanas das eleições presidenciais, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procura a reeleição face a candidatos da direita, como o senador Flávio Bolsonaro.
Uma troca de mensagens de texto revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master e preso pelo maior caso de fraude financeira da história do Brasil, temia que se soubesse de um jantar privado com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o seu filho Flávio no final de 2024.
A reportagem da revista CartaCapital revela mensagens do WhatsApp entre Vorcaro e Flávio Carneiro, suspeito de ser sócio oculto do banqueiro. Nas conversas, Carneiro pergunta-lhe se irá à reunião com o ex-presidente e o seu filho — seu homónimo —, face às pressões de um intermediário que exigia uma confirmação. Perante isto, o banqueiro pediu cautela e que se avaliasse a situação antes de responder.
No dia seguinte à conversa inicial, Vorcaro insistiu explicitamente em manter o assunto em estrita confidencialidade, com a orientação «olha, não contes a ninguém sobre essa reunião secreta». Nas mensagens recolhidas, Vorcaro manifestou a sua preocupação, salientando que o assunto acabaria por prejudicá-lo e referindo que outra pessoa já o tinha abordado para discutir o assunto.
El escándalo de corrupción del Banco Master golpea la puerta de los Bolsonaro.
— Nacho Lemus (@LemusteleSUR) September 21, 2026
Un intercambio de mensajes de texto entre el exbanquero Daniel Vorcaro y el empresario de Minas Gerais, Flávio Carneiro, sospechoso de ser socio silencioso del banquero, indica que el dueño de Banco… pic.twitter.com/YqfBcy2aPx
Embora os registos telefónicos não confirmem de forma definitiva se o encontro chegou a concretizar-se, a troca de mensagens revela o nível de alerta que qualquer tipo de ligação pública entre o banqueiro e a família Bolsonaro suscitava. As mensagens vêm a público a poucas semanas das eleições presidenciais, nas quais o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, procura a reeleição face a candidatos da direita, como o próprio senador Flávio Bolsonaro.
Esta nova revelação vem juntar-se à investigação sobre o fraude do Banco Master, processo pelo qual Vorcaro se encontra em prisão preventiva desde o passado mês de março.
No âmbito deste caso, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva exigiu recentemente que o Supremo Tribunal agisse com rigor absoluto e investigasse a fundo as recentes denúncias que envolvem vários magistrados do alto tribunal. Durante uma entrevista concedida a um meio de comunicação local, o presidente alertou que a mais alta instância judicial não pode permitir que os seus membros fiquem sob suspeita nem percam credibilidade perante a sociedade.
📌 Lula pide al Supremo Tribunal Federal de Brasil garantizar la integridad de las investigaciones por el fraude millonario del banco Master, caso que abrió una crisis institucional en Brasil y salpicó al magistrado Alexandre de Moraes.
— teleSUR TV (@teleSURtv) September 4, 2026
🔴 En video, instó al Suprema Corte y a la… pic.twitter.com/yhAfsiHxAY
A tensão aumentou significativamente após a realização de uma sessão extraordinária no Supremo Tribunal Federal, marcada por debates entre os juízes sobre a abertura de um inquérito contra o magistrado Alexandre de Moraes, acusado de ter supostas ligações com Vorcaro.
De acordo com as investigações, mensagens extraídas do telemóvel do banqueiro revelam que este terá pedido proteção a De Moraes e até o terá consultado sobre uma eventual fuga do país antes de ser detido. As acusações contra o ministro intensificaram-se após ter-se tomado conhecimento da revisão de um contrato de consultoria entre o escritório de advogados da sua esposa, Viviane Barci, e a instituição financeira de Vorcaro.
Neste contexto, o presidente criticou também a forma como o juiz André Mendonça geriu o sigilo do inquérito, argumentando que o que foi mantido em sigilo deve ser totalmente divulgado aos cidadãos para garantir a transparência do caso. Lula instou o presidente do tribunal, Edson Fachin, a exercer a sua autoridade para esclarecer a verdade e aplicar as sanções correspondentes.
Pode partilhar esta história nas redes sociais:
Fonte:



