Cuba na ONU: A denúncia do genocídio e a mentira como último recurso do Império
Nova Iorque, 23 de setembro de 2026 — A Assembleia Geral das Nações Unidas foi palco, esta semana, de mais um capítulo da guerra que Washington trava contra Cuba. E, como sempre, a verdade e a mentira mediram forças.
Díaz-Canel denuncia a intervenção de Trump
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou a intervenção directa de Donald Trump contra Cuba na ONU, num discurso que expôs, sem rodeios, a política de agressão que os Estados Unidos mantêm há mais de seis décadas.
Trump, na sua intervenção, voltou a atacar Cuba, repetindo as velhas calúnias sobre “direitos humanos” e “democracia” as mesmas que usa para justificar o bloqueio mais longo da história, as mesmas que servem de cortina de fumo para uma realidade que o mundo já conhece: o cerco económico, financeiro e energético que asfixia um povo inteiro.
Rodríguez Parrilla: “As acções dos EUA são um acto de genocídio”
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, foi ainda mais longe. Classificou as acções dos Estados Unidos como um acto de genocídio e não é uma palavra usada levianamente.
É um genocídio em câmara lenta. Um cerco que impede a entrada de petróleo, de medicamentos, de alimentos, de peças sobressalentes. Um bloqueio que provoca apagões de 30 horas, que cancela cirurgias, que mata pacientes oncológicos por falta de tratamento. Um castigo colectivo que não distingue governantes de povo, porque o objectivo é precisamente atingir o povo.
Rodríguez Parrilla expôs os números, os factos, as consequências. E lembrou que nenhum país do mundo pode alegar desconhecimento: a ONU vota contra o bloqueio há décadas, com maiorias esmagadoras. Os Estados Unidos ignoram. E continuam a apertar o garrote.
A mentira como recurso de quem não aceita a autodeterminação
O Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, publicou uma análise contundente: “A mentira é o recurso de quem se nega a aceitar o direito à livre determinação do povo cubano.”
É exatamente isso. Washington não pode aceitar que Cuba tenha escolhido o seu próprio caminho. Não pode aceitar que um pequeno país, a 90 milhas das suas costas, tenha construído uma sociedade diferente e que, apesar de todas as dificuldades, continue de pé.
Por isso, mente. Mente sobre a “ameaça cubana”. Mente sobre os “direitos humanos”. Mente sobre a “necessidade” do bloqueio. Mente porque a verdade não lhe serve.
Cuba abandona o plenário
O momento mais simbólico da jornada foi também o mais eloquente: a delegação cubana abandonou o plenário da ONU durante o discurso de Trump.
Não foi um gesto de desrespeito. Foi um gesto de dignidade. Cuba não se senta para ouvir calúnias. Cuba não participa numa farsa em que o agressor se apresenta como vítima. Cuba levanta-se e sai, porque há limites para a paciência de um povo que resiste há 67 anos.
O gesto foi notado. E foi compreendido por todos os que sabem o que é ser vítima de uma agressão sistemática.
A verdade não se cala
A Assembleia Geral da ONU foi, mais uma vez, palco de um confronto desigual. De um lado, o império, com a sua máquina de propaganda, os seus aliados, o seu poder de chantagem. Do outro, Cuba, com a sua verdade, a sua dignidade, a sua resistência.
E, no fim, a verdade não se cala. Não se cala na ONU, não se cala em Cuba, não se cala em Portugal, não se cala em lado nenhum onde haja alguém disposto a ouvir.
Cuba não está só. E enquanto houver um povo que resista, enquanto houver um ativista que denuncie, enquanto houver uma voz que se levante contra o genocídio, o império não vencerá.
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