Presidente Maduro: Os Estados Unidos ficaram sem forças políticas aliadas na Venezuela
«Os EUA não têm nenhuma força política aliada na Venezuela», destacou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na já clássica entrevista com o jornalista Ignacio Ramonet, realizada todos os anos no dia 1º de janeiro.
Entrevistado pelo jornalista Ignacio Ramonet, o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, analisou, entre outros temas, particularmente a situação das ligações da administração do presidente Donald Trump com a líder de extrema direita María Corina Machado.
Maduro sublinhou que a ligação entre o presidente Donald Trump e a extrema direita venezuelana não cria condições para que os Estados Unidos sintam que têm força política na Venezuela: «Eles têm de saber que essa pessoa que colocaram como chefe da direita está muito isolada e repudiada na Venezuela», afirmou, referindo-se a Machado.
E acrescentou: «Hoje em dia, podemos dizer que os Estados Unidos não têm nenhuma força política aliada na Venezuela, porque essa senhora chamada María Machado — na Venezuela, eles a chamam de “Sayona” — tem 85% de rejeição, de repúdio total da sociedade venezuelana. Nunca, nem ela, nem o que ela representa, teriam capacidade para governar este país».
O chefe de Estado venezuelano também apresentou as suas considerações sobre a presença militar dos Estados Unidos no Caribe, ameaçando a Venezuela. A este respeito, Maduro salientou que tem vindo a crescer um sentimento de soberania nacional na sociedade venezuelana. E enfatizou: «O mundo tem de compreender, a opinião pública norte-americana tem de compreender, que os nossos povos do Sul têm direito a existir, a viver… Que não se pode tentar impor com a Doutrina Monroe, nem com qualquer outra doutrina».
E advertiu que não se pode impor: «um novo modelo colonial, um novo modelo hegemónico, um novo modelo intervencionista, um modelo em que os países teriam de se resignar a ser colónias de uma potência e nós, os povos, escravos de novos senhores».
Sobre como a sociedade venezuelana reagiu à agressão norte-americana, que por enquanto é uma guerra cognitiva, Maduro afirma: «É preciso saber que a reacção imunológica da sociedade venezuelana ao assalto e roubo do seu petróleo foi de 95% de rejeição. O actual governo dos Estados Unidos tem que saber que, na Venezuela, 95% dos cidadãos rejeitam o que o actual governo dos Estados Unidos está a fazer ao ameaçar militarmente a Venezuela».

Por sua vez, o presidente venezuelano assinalou que a guerra cognitiva, a presença militar no Mar das Caraíbas e os assassinatos de mais de cem pescadores, além das manobras para impor internacionalmente Machado, que pediu a intervenção militar na Venezuela, tiveram como resposta um sentimento de unidade nacional.
«Eles têm que saber que nós, as forças patrióticas do país, o presidente Maduro e muito além do PSUV, muito além do Grande Polo Patriótico, neste momento temos mais de 70% de apoio na luta que estou a travar pela defesa da soberania nacional e pela paz», afirmou o presidente Maduro.
Nesse sentido, Maduro destacou o que chama de «a união perfeita entre o povo, os militares e a polícia, mas, inclusive, poderíamos chamá-la de a união mais ampla de todos os setores, a união nacional que nunca tivemos». E destacou: «Essa é a resposta imunológica natural da sociedade venezuelana à agressão ilegal, desproporcional e ameaçadora, belicista, que temos sofrido durante 28 semanas consecutivas».
Fonte:




