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Brasil inicia campanha piloto de imunização com vacina nacional contra a dengue

Butantan-DV é a primeira vacina monodose contra a dengue no mundo e oferece protecção contra os quatro serotipos da doença.

As autoridades sanitárias do Brasil iniciaram neste sábado uma campanha de imunização contra a dengue com a primeira vacina monodose do mundo contra essa doença, desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo.

A campanha piloto começou nos municípios de Maranguape, no estado do Ceará (nordeste), e Nova Lima, no estado de Minas Gerais (sudeste), aos quais se junta neste domingo Botucatu, no estado de São Paulo (sudeste). Nessas localidades, o total de doses administradas será de 204.100, destinadas a uma população-alvo de pessoas entre 15 e 59 anos.

A vacina administrada é a Butantan-DV, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ela foi desenvolvida ao longo de um processo de 20 anos, combinando tecnologias de centros de investigação brasileiros com o apoio de investigadores estrangeiros, e oferece proteção contra os quatro serotipos do vírus da dengue (tetravalente).

Até o momento, o Butantan produziu 1,3 milhão de doses, suficientes para esta fase inicial.

As autoridades sanitárias explicaram que a imunização será monitorizada durante um ano. Nesse processo, especialistas avaliarão a incidência da dengue nos municípios selecionados, além de monitorizarem quaisquer efeitos adversos pouco frequentes após a vacinação.

Se os resultados forem positivos, será iniciada a produção em massa para abastecer todo o país, com 210 milhões de habitantes.

Antes dos resultados serem conhecidos, os grupos prioritários serão imunizados com a chegada de mais doses da Butantan-DV. A imunização dos profissionais de cuidados primários — médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde — está prevista para o início de fevereiro, e 1,1 milhão de doses não utilizadas nesta primeira fase piloto estarão disponíveis.

A vacina Butantan-DV baseia-se na tecnologia de vírus vivos atenuados e foi desenvolvida pelo Instituto Butantan através de uma colaboração entre o Ministério da Saúde e a empresa chinesa WuXi Vaccines. Espera-se que possam ser entregues 30 milhões de doses até ao segundo semestre de 2026.

“Esta é uma vacina cem por cento nacional, desenvolvida com determinação, tenacidade, capacidade técnica, otimismo, fé e trabalho árduo de um grupo de investigadores, trabalhadores e funcionários do Instituto Butantan”, destacou o Ministério da Saúde.

De acordo com esse organismo, os estudos clínicos indicaram uma eficácia geral de 74%, com uma redução de 91% nos casos graves. Entre os vacinados, nenhum precisou ser hospitalizado por dengue.

A dengue é uma doença causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os sintomas mais comuns são febre alta, dor atrás dos olhos, dores no corpo, manchas vermelhas na pele, comichão, náuseas e dores musculares e articulares.

Em 2024, o Brasil registou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, quatro vezes mais do que em 2023, segundo o Ministério da Saúde. Em 2025, até meados de novembro, foram notificados 1,6 milhões de casos prováveis. Desde o início da década de 2000, mais de 20 milhões de brasileiros contraíram a doença.

Fonte:

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