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Sindicatos da Argentina convocam greve geral contra a reforma trabalhista

A medida de força visa impedir a aprovação definitiva da iniciativa legislativa que já conta com a aprovação do Senado, obtida recentemente em meio a protestos e repressão policial nas imediações do Congresso.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) e as duas vertentes da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) anunciaram uma greve geral e mobilizações massivas para o dia em que a Câmara dos Deputados tratar do projecto de reforma trabalhista, impulsionado pelo governo de extrema direita liderado por Javier Milei.

Embora a data exata da sessão no recinto ainda não tenha sido confirmada, os sindicatos estimam que o protesto nacional ocorrerá entre 19 e 25 de fevereiro. Esta medida de força visa impedir a aprovação definitiva de uma lei que já conta com a aprovação do Senado, obtida recentemente em meio a protestos e repressão policial nas imediações do Congresso.

Os líderes sindicais classificaram a medida como um passo necessário, mas insuficiente, propondo um plano de luta mais amplo com movimentos sociais e partidos políticos para resistir ao que consideram um retrocesso histórico nos direitos dos trabalhadores.

A controvérsia reside na modificação estrutural da negociação colectiva, uma vez que o projecto, apresentado pelo Executivo como «modernização», prioriza os acordos por empresa em detrimento dos acordos por atividade, eliminando ainda a «ultra-actividade», pela qual os acordos coletivos continuam em vigor até que um novo seja assinado.

A proposta também introduz um «banco de horas» que permite jornadas de até 12 horas sem pagamento de horas extras e autoriza o empregador a dividir as férias em períodos de sete dias. A legislação actual obriga que as horas extras sejam pagas, com um adicional de 50% para dias normais e de 100% no caso de feriados ou fins de semana.

Em termos económicos, o Governo propõe reduzir as contribuições patronais para a segurança social, desviando esses fundos para um novo sistema de indemnizações denominado Fundo de Assistência Laboral. Estima-se que esta redução de recursos representaria uma perda para o Estado de aproximadamente 2,5 mil milhões de dólares anuais.

Além disso, o texto prevê uma redução salarial de até 75% em casos de doenças crónicas ou acidentes não laborais, artigo que se espera seja revisto na Câmara Baixa devido à pressão social.

Por fim, os críticos da lei apontam uma contradição na pretensa modernização, uma vez que o projecto revoga a actual Lei do Teletrabalho aprovada em 2020 e mantém em vigor a regulamentação de 1929 que estabelece uma jornada semanal de 48 horas.

O debate nas comissões da Câmara dos Deputados, que começa esta semana, será o cenário definitivo onde se decidirá se a Argentina avançará para este novo esquema laboral ou se a pressão sindical conseguirá modificar o rumo da iniciativa de Javier Milei.

Fonte:

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