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Sheinbaum: a presença de agentes da CIA em Chihuahua é uma questão de soberania nacional

«A lei não permite que nenhum agente destacado para uma missão de segurança colabore directamente com uma entidade da República sem passar pela SRE», salientou Sheinbaum.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, classificou como uma questão de segurança nacional e soberania a presença de agentes norte-americanos da CIA numa operação contra o crime organizado em Chihuahua. A mandatária enfatizou que este facto «não deve ser menosprezado» e exige um esclarecimento aprofundado por parte de Washington e do Governo estadual.

A notificação formal surge na sequência do falecimento de dois agentes da CIA e de dois agentes mexicanos num acidente rodoviário, quando regressavam de uma operação destinada a desmantelar laboratórios de drogas na serra de Chihuahua. O Governo federal já enviou uma carta de protesto ao embaixador dos Estados Unidos, Ronald Johnson, solicitando detalhes sobre a entrada e as funções exatas desses agentes em território mexicano.

«Até ao momento, a informação de que dispomos é que estavam, de facto, a trabalhar em conjunto, digamos assim», declarou a chefe de Estado durante a sua habitual conferência de imprensa no Palácio Nacional.

Sheinbaum salientou que a Constituição e a Lei de Segurança Nacional proíbem acordos de colaboração direta entre governos estaduais e agências estrangeiras. Sublinhou que qualquer atividade de agentes estrangeiros deve ser credenciada junto da Secretaria de Relações Exteriores (SRE).

«A lei não permite que nenhum agente que venha para uma missão de segurança colabore diretamente com qualquer entidade da República sem passar pela SRE», salientou a chefe de Estado. Recordou que oartigo 71 da Lei de Segurança Nacional estipula que os agentes estrangeiros não podem exercer competências reservadas às autoridades mexicanas.

O Governo do México está a verificar se os agentes falecidos possuíam essa acreditação, salientando que a sua participação directa em operações estatais viola os protocolos do acordo bilateral.

Investigação em curso

A Procuradoria-Geral da República (FGR) deu início às investigações necessárias para determinar se houve violação da Lei de Segurança Nacional. A presidente instou a governadora de Chihuahua, Maru Campos, a tornar públicas as informações sobre as tarefas realizadas pelos agentes norte-americanos no desmantelamento de um laboratório de drogas.

A presidente afirmou que foi realizada uma análise exaustiva dos registos dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e da Segurança e Protecção Cidadã, confirmando que nenhuma destas entidades comunicou a intervenção de agentes norte-americanos no terreno. «Não aceitamos a participação no terreno nas operações, deixámos isso bem claro aos Estados Unidos», recordou.

O consulado dos Estados Unidos em Ciudad Juárez recebeu os corpos dos funcionários falecidos após a conclusão dos processos de identificação.

Contexto regional

Este incidente ocorre num contexto de pressão por parte da Administração de Donald Trump para intensificar as ações contra os cartéis. Embora o Governo do México mantenha canais de cooperação com Washington, Sheinbaum reiterou que não será permitida a participação de elementos estrangeiros em operações nacionais fora do quadro legal estabelecido.

Sobre o incidente em Chihuahua, o jornal The Washington Post noticiou que a CIA se recusou a comentar. Segundo as autoridades mexicanas, o carro envolvido saiu da estrada, caiu num barranco e explodiu. Pessoas familiarizadas com o assunto falaram sob condição de anonimato devido à delicadeza do tema.

Embora Trump tenha ameaçado tomar medidas unilaterais contra os cartéis, a CIA e outras agências federais têm insistido em trabalhar em colaboração com as autoridades mexicanas.

Autoridades norte-americanas salientaram que as informações da CIA foram cruciais em fevereiro, quando as autoridades mexicanas conseguiram localizar Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como «El Mencho», líder do Cartel Jalisco Nova Geração.

O secretário da Segurança, Omar García Harfuch, irá reunir-se com o embaixador Ronald Johnson para aprofundar a investigação sobre a origem e a situação dos agentes envolvidos nos acontecimentos de Chihuahua.

Apesar de antecedentes em que Washington negou informações ao México — como no caso da captura de Ismael «el Mayo» Zambada —, Sheinbaum mostrou-se confiante de que a Administração norte-americana fornecerá os dados solicitados com base no princípio da confiança mútua. «Qualquer relação com os Estados Unidos, particularmente no domínio da segurança, tem necessariamente de passar pelo Governo federal», afirmou a governadora.

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