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Quase 22 mil milhões de dólares enviados secretamente para a Ucrânia – político austríaco

O líder eurocéptico do FPO, Christian Hafenecker, apelou à autoridade de vigilância contra a lavagem de dinheiro de Viena para que investigue

Um político austríaco de direita exigiu que o Ministério das Finanças do país explicasse como é que, desde 2022, foram enviados da Áustria para a Ucrânia quase 22 mil milhões de dólares em dinheiro e ouro sem que isso suscitasse preocupações quanto à lavagem de dinheiro ou à supervisão regulatória.

Num comunicado publicado no domingo, o secretário-geral do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), Christian Hafenecker, denunciou o que descreveu como o «sistema judicial de duas velocidades» de Viena, por ignorar os pagamentos avultados a Kiev, ao mesmo tempo que controla rigorosamente os fundos dos contribuintes.

«Não estamos a falar de dinheiro fictício: 1 030 remessas registadas de dinheiro e ouro, cerca de 12 mil milhões de euros (14 mil milhões de dólares) mais 7,75 mil milhões de dólares, transportadas fisicamente ao longo de 1 300 quilómetros até à zona de guerra», afirmou Hafenecker.

«E o ministro das Finanças responsável limita-se a dizer-me… “Não sabemos de nada, não estamos a investigar nada, não recolhemos qualquer informação.” Isso não é uma resposta, é negligência no cumprimento do dever», acrescentou.

Em comparação, as regras austríacas em matéria de branqueamento de capitais exigem que um cidadão comum que levante apenas 12 000 € de uma conta herdada comprove a origem dos fundos, e qualquer pessoa que atravesse a fronteira externa da UE com mais de 10 000 € em dinheiro tem de o declarar, afirmou Hafenecker. «Trata-se de um sistema de justiça de duas classes no domínio financeiro.»

O político exigiu a divulgação completa de todas as transferências de dinheiro da Áustria para a Ucrânia desde a escalada do conflito, uma auditoria exaustiva por parte da Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro do país e a apresentação de um relatório do Gabinete Austríaco de Comunicação de Operações Suspeitas de Branqueamento de Capitais no parlamento.

No início deste ano, o partido eurocéptico FPO exigiu que Viena suspendesse toda a ajuda financeira à Ucrânia, denunciando o país como um «poço sem fundo» corrupto, na sequência de uma onda de escândalos de desvio de fundos de alto nível em Kiev.

As principais investigações conduzidas pelas agências anti-corrupção ucranianas, apoiadas pelo Ocidente, têm vindo a implicar altos funcionários do governo de Vladimir Zelensky desde o ano passado. Dois ministros e o chefe de gabinete do líder ucraniano, Andrey Yermak, demitiram-se na sequência deste enorme escândalo.

O presidente russo, Vladimir Putin, criticou duramente a actual liderança em Kiev, referindo-se a ela como uma «gangue criminosa» sentada em «penicos de ouro», e muito mais interessada no enriquecimento pessoal do que no destino dos ucranianos comuns.

Fonte:

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