O governo de Milei corta mais de 45 milhões de dólares em áreas críticas da saúde
A Decisão Administrativa n.º 20/2026 oficializa cortes no fornecimento de medicamentos e tratamentos oncológicos. A medida afeta também o funcionamento de organismos de saúde estratégicos.
O Governo da Argentina, liderado por Javier Milei, formalizou na última segunda-feira, 11 de maio, uma reestruturação do Orçamento de 2026 que implica um corte de 63.021.299.401 pesos (cerca de 45 milhões de dólares) na área da Saúde Pública. A medida, publicada no Boletim Oficial através da Decisão Administrativa 20/2026, tem impacto directo em programas de medicamentos, tratamentos oncológicos e organismos de saúde estratégicos.
De acordo com os anexos da regulamentação a que a Agência Notícias Argentinas teve acesso, o corte mais significativo recai sobre o programa «Acesso a Medicamentos, Consumíveis e Tecnologia Médica», que sofre uma redução de 20 mil milhões de pesos. Da mesma forma, as dotações para o “Fortalecimento dos Sistemas Provinciais de Saúde” sofreram uma redução de 25 mil milhões de pesos, afectando a assistência médica nas diferentes jurisdições do país.
A reestruturação orçamental reduz em 5 mil milhões de pesos o programa de «Investigação, Prevenção, Detecção Precoce e Tratamento do Cancro», afectando os apoios sociais directos aos doentes.
🚨Argentina recorta presupuesto de todos sus Parques Nacionales por Decisión Administrativa
— teleSUR TV (@teleSURtv) May 11, 2026
🔴El gobierno de Argentina implementó un significativo recorte presupuestario que afecta a la totalidad de los Parques Nacionales del país, según la Decisión Administrativa 20/2026. La… pic.twitter.com/4Bj0UjOZqx
Outros sectores vulneráveis afetados pelo corte de verbas incluem os programas de VIH, hepatite, tuberculose e lepra, que registam um corte de 800 milhões de pesos, seguidos pela área da Saúde Sexual e Procriação Responsável, com uma redução de 900 milhões de pesos , e pela prevenção de doenças transmissíveis, com um corte de 500 milhões de pesos.
Os organismos descentralizados também registam reduções nos seus recursos. O Instituto Nacional Central Único Coordenador de Ablação e Implantação (INCUCAI) sofreu uma redução de 831,3 milhões de pesos. Por sua vez, a Administração Nacional de Laboratórios e Institutos de Saúde «Dr. Carlos Malbrán» (ANLIS) perdeu 1.162,2 milhões de pesos, o que paralisa obras de infraestructura e projectos em laboratórios de alta complexidade.
A Decisão Administrativa 20/2026 também implementou um corte orçamental que afecta a totalidade dos Parques Nacionais do país. A medida afeta 42 áreas protegidas, entre as quais se incluem o Parque Nacional Iguazú (Misiones), o Parque Nacional Nahuel Huapi (Río Negro e Neuquén) e o Parque Nacional Los Glaciares (Santa Cruz).
Esta redução nas dotações milionárias suscita preocupações quanto à sustentabilidade da biodiversidade e à gestão de ecossistemas vitais. Os cortes comprometem as infraestruturas, o pessoal e as operações essenciais para a proteção ambiental e o desenvolvimento turístico na Argentina.
Estas medidas vêm somar-se às políticas de ajustamento aplicadas pelo governo de Javier Milei. No final de abril, foi confirmado que as tarifas de electricidade e gás irão aumentar este mês entre 2,5 % e 3 %.
Apesar de o Governo estar a pressionar diversos sectores para conter os preços, o aumento dos serviços públicos e os cortes em áreas sensíveis como a saúde agravam ainda mais o cenário de austeridade que afecta os cidadãos argentinos.
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