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Petro não aceita resultados eleitorais obtidos através de algoritmos controlados por entidades privadas

Afirma que, em conformidade com a lei, só aceitará resultados vinculativos e revela que foram adicionados ao software de pré-contagem 800 mil cédulas de pessoas que não constam no recenseamento eleitoral oficial

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou este domingo que não aceita os resultados eleitorais divulgados através da chamada contagem transmitida e que, nos termos da lei, apenas considerará e aceitará os resultados vinculativos provenientes das comissões de apuramento dirigidas pelos juízes da República.

O chefe de Estado voltou a referir-se ao risco de fraude eleitoral que implica o facto de a empresa privada Thomas Greg & Sons controlar o software de pré-contagem eleitoral. Em denúncias anteriores, ele explicou que a empresa dos irmãos Felipe, Camilo e Fernando Bautista também controlava outra informação fundamental: os dados de identidade dos cidadãos, mas o Governo não renovou o contrato com eles.

Numa publicação no X, Petro afirmou que «embora os algoritmos do software de contagem e apuramento devessem permanecer inalterados, na última semana foram alterados em três ocasiões e adicionaram mais 800 000 cédulas de pessoas que não constam do recenseamento oficial apresentado».

Ele sublinhou que «existem dois recenseamentos neste momento, o oficial e o do software dos irmãos Bautista, que conta com mais 800 000 pessoas«. Acrescentou que «as mesas já contestadas demonstram que centenas de milhares de votos foram adicionados sem a existência de eleitores». Além disso, salientou que «a chamada contagem transmitida não tem força vinculativa. Os seus dados não constituem norma pública».

Petro revela acordo entre De la Espriella e a Greg & Sons

No início de abril, Petro denunciou o perigo de a empresa privada dos irmãos Bautista, em desrespeito à justiça, controlar os passaportes e também a contagem dos votos. Explicou que isso aumenta o risco de suplantacões e que milhões de cidadãos registados que não votam possam ser levados a votar através de algoritmos.

Numa publicação no X, no passado dia 4 de abril, Petro explicou que o contrato para a elaboração do novo passaporte está a ser executado por uma empresa pública internacional. Nesse dia, revelou que, com base em relatórios dos serviços secretos, se tomou conhecimento de «conversas entre os irmãos Bautista e (o candidato da direita Abelardo) De la Espriella trocando a devolução do contrato dos passaportes para as suas mãos, e a promessa, em troca, de certos algoritmos que garantam a Presidência a De la Espriella…».

Noutra intervenção, a 23 de fevereiro, Petro salientou que existe um risco se as informações dos cidadãos forem geridas por entidades privadas que —afirmou ele— estariam também ligadas à gestão da contagem dos votos. «Se os dados dos colombianos forem geridos por entidades privadas, e forem essas mesmas entidades a gerir as contagens, corremos o risco de fraude eleitoral», afirmou.

A 20 de abril, durante uma entrevista a um meio de comunicação colombiano, o Presidente afirmou que o software de apuramento pode ser vulnerável tanto a partir do interior como do exterior. Nesse dia, recordou que, em 2018, o Conselho de Estado chegou à conclusão de que essa ferramenta podia ser manipulada. Na altura, após uma investigação exaustiva, a magistrada Lucy Jeanette Bermúdez determinou que o software utilizado em 2014 permitiu uma fraude colossal nas eleições parlamentares a favor do movimento político MIRA.

Petro salientou que se trata da mesma ferramenta de pré-contagem que continua a ser utilizada actualmente, apesar de o Conselho de Estado ter demonstrado que esta podia ser manipulada e ter proferido uma sentença, não cumprida pela Secretaria de Registo Eleitoral, no sentido de a substituir por uma ferramenta de propriedade do Estado e desenvolvida internamente pela Administração Pública.

«O software, e consequentemente o controlo da contagem dos votos na Colômbia, está nas mãos de uma empresa privada, a Thomas Greg & Sons (…) há décadas», afirmou Petro, numa clara alusão às vantagens que o uribismo poderá ter tirado dessa situação.

Com base nas denúncias apresentadas e na inércia do Registo Eleitoral, o Presidente colombiano apelou a que «se mobilizasse um maior número de testemunhas eleitorais para zelar pelos votos» nas eleições deste domingo. «Solicito a todas as campanhas eleitorais que organizem já a vigilância cidadã do voto. Um milhão de testemunhas eleitorais que saibam contestar na mesa de votação quando virem fraude”.

Paralelamente, propôs que «milhares de técnicos, tecnólogos e cientistas de software em todo o mundo se unissem para zelar pelo voto dos cidadãos colombianos, e milhares de advogados na Colômbia que saibam contestar as mesas de escrutínio«.

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