
Petro não aceita resultados eleitorais obtidos através de algoritmos controlados por entidades privadas
Afirma que, em conformidade com a lei, só aceitará resultados vinculativos e revela que foram adicionados ao software de pré-contagem 800 mil cédulas de pessoas que não constam no recenseamento eleitoral oficial
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou este domingo que não aceita os resultados eleitorais divulgados através da chamada contagem transmitida e que, nos termos da lei, apenas considerará e aceitará os resultados vinculativos provenientes das comissões de apuramento dirigidas pelos juízes da República.
O chefe de Estado voltou a referir-se ao risco de fraude eleitoral que implica o facto de a empresa privada Thomas Greg & Sons controlar o software de pré-contagem eleitoral. Em denúncias anteriores, ele explicou que a empresa dos irmãos Felipe, Camilo e Fernando Bautista também controlava outra informação fundamental: os dados de identidade dos cidadãos, mas o Governo não renovou o contrato com eles.
El llamado conteo transmitido no tiene fuerza vinculante. sus datos no son norma pública. Como presidente no acepto los resultados del preconteo de la firma privada de los hermanos Bautista, porque debiendo estar quietos los algoritmos del software de conteo y escrutinios, en la…
— Gustavo Petro (@petrogustavo) June 1, 2026
Numa publicação no X, Petro afirmou que «embora os algoritmos do software de contagem e apuramento devessem permanecer inalterados, na última semana foram alterados em três ocasiões e adicionaram mais 800 000 cédulas de pessoas que não constam do recenseamento oficial apresentado».
Ele sublinhou que «existem dois recenseamentos neste momento, o oficial e o do software dos irmãos Bautista, que conta com mais 800 000 pessoas«. Acrescentou que «as mesas já contestadas demonstram que centenas de milhares de votos foram adicionados sem a existência de eleitores». Além disso, salientou que «a chamada contagem transmitida não tem força vinculativa. Os seus dados não constituem norma pública».
Petro revela acordo entre De la Espriella e a Greg & Sons
No início de abril, Petro denunciou o perigo de a empresa privada dos irmãos Bautista, em desrespeito à justiça, controlar os passaportes e também a contagem dos votos. Explicou que isso aumenta o risco de suplantacões e que milhões de cidadãos registados que não votam possam ser levados a votar através de algoritmos.
Numa publicação no X, no passado dia 4 de abril, Petro explicou que o contrato para a elaboração do novo passaporte está a ser executado por uma empresa pública internacional. Nesse dia, revelou que, com base em relatórios dos serviços secretos, se tomou conhecimento de «conversas entre os irmãos Bautista e (o candidato da direita Abelardo) De la Espriella trocando a devolução do contrato dos passaportes para as suas mãos, e a promessa, em troca, de certos algoritmos que garantam a Presidência a De la Espriella…».
Ya tenemos el nuevo pasaporte que ya se expide y se ejecuta el contrato con la entidad pública internacional "Casa de la Moneda de Portugal" con apoyo del gobierno portugués y francés. Es de lo mejor del mundo.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) April 4, 2026
Los hermanos Bautista dueños de Thomas Greg, aún no devuelven el… https://t.co/4Ax2vVIKbG
Noutra intervenção, a 23 de fevereiro, Petro salientou que existe um risco se as informações dos cidadãos forem geridas por entidades privadas que —afirmou ele— estariam também ligadas à gestão da contagem dos votos. «Se os dados dos colombianos forem geridos por entidades privadas, e forem essas mesmas entidades a gerir as contagens, corremos o risco de fraude eleitoral», afirmou.
A 20 de abril, durante uma entrevista a um meio de comunicação colombiano, o Presidente afirmou que o software de apuramento pode ser vulnerável tanto a partir do interior como do exterior. Nesse dia, recordou que, em 2018, o Conselho de Estado chegou à conclusão de que essa ferramenta podia ser manipulada. Na altura, após uma investigação exaustiva, a magistrada Lucy Jeanette Bermúdez determinou que o software utilizado em 2014 permitiu uma fraude colossal nas eleições parlamentares a favor do movimento político MIRA.
Petro salientou que se trata da mesma ferramenta de pré-contagem que continua a ser utilizada actualmente, apesar de o Conselho de Estado ter demonstrado que esta podia ser manipulada e ter proferido uma sentença, não cumprida pela Secretaria de Registo Eleitoral, no sentido de a substituir por uma ferramenta de propriedade do Estado e desenvolvida internamente pela Administração Pública.
«O software, e consequentemente o controlo da contagem dos votos na Colômbia, está nas mãos de uma empresa privada, a Thomas Greg & Sons (…) há décadas», afirmou Petro, numa clara alusão às vantagens que o uribismo poderá ter tirado dessa situação.
Com base nas denúncias apresentadas e na inércia do Registo Eleitoral, o Presidente colombiano apelou a que «se mobilizasse um maior número de testemunhas eleitorais para zelar pelos votos» nas eleições deste domingo. «Solicito a todas as campanhas eleitorais que organizem já a vigilância cidadã do voto. Um milhão de testemunhas eleitorais que saibam contestar na mesa de votação quando virem fraude”.
Paralelamente, propôs que «milhares de técnicos, tecnólogos e cientistas de software em todo o mundo se unissem para zelar pelo voto dos cidadãos colombianos, e milhares de advogados na Colômbia que saibam contestar as mesas de escrutínio«.
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