
“Serão sempre argentinas”: jogadoras reivindicam as Malvinas após eliminarem a Inglaterra
A selecção da Argentina não só venceu a Inglaterra por 2 a 1, qualificando-se para a final do Mundial de 2026, como também contornou a censura imposta pela FIFA e pelo Governo britânico, que tinha proibido a exibição de bandeiras com as Ilhas Malvinas.
Os jogadores da Selecção Argentina defenderam, esta quarta-feira, a exibição de uma bandeira com o lema «As Malvinas são argentinas» depois de derrotarem a Inglaterra por 2-1 e se qualificarem para a final do Mundial, num jogo repleto de simbolismo histórico e político.
A bandeira foi hasteada no campo após o fim do jogo disputado em Atlanta, onde a Argentina venceu a selecção inglesa e avançou para a sua segunda final consecutiva, na qual irá defrontar a Espanha. Os golos do jogo foram marcados por Enzo Fernández aos 85 minutos e por Lautaro Martínez aos 90+2, após o golo inicial do britânico Anthony Gordon.
Questionado pela imprensa após o jogo, o médio Leandro Paredes apoiou o gesto dos seus colegas e reafirmou a reivindicação argentina sobre o arquipélago do Atlântico Sul. «E serão sempre argentinas», respondeu Paredes quando questionado sobre a bandeira com a silhueta das Ilhas Malvinas.
🚨 Jugadores de la Selección Argentina desplegaron una pancarta con la leyenda "Las Malvinas son argentinas" tras derrotar 2-1 a Inglaterra en la semifinal del Mundial, pese a la prohibición de la FIFA sobre símbolos políticos. El gesto de Lisandro Martínez y Giovani Lo Celso en… pic.twitter.com/xBXCY39HjC
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 15, 2026
O gesto dos jogadores da Albiceleste contrariou a censura sistemática imposta pela FIFA e pelo Governo do Reino Unido, que tinha sido apoiada anteriormente pelo próprio Governo de Javier Milei. O órgão regulador do futebol internacional tinha classificado a reivindicação de soberania como «mensagem política ou provocadora».
Apesar dessas restricções ao público, após o apito final, o médio Giovanni Lo Celso exibiu no relvado uma bandeira com a inscrição «As Malvinas são argentinas», imagem que rapidamente se espalhou nas redes sociais e nos meios de comunicação internacionais.
Além disso, durante as comemorações, vários futebolistas argentinos entoaram o cântico «quem não salta é inglês», um slogan habitual entre os adeptos argentinos que costuma ouvir-se em vários jogos da selecção.
O avançado Lautaro Martínez, autor do segundo golo contra a Inglaterra, reconheceu que o encontro teve uma carga emocional diferente devido à história entre os dois países. «A Guerra das Malvinas é algo que aconteceu há muitos anos, mas para nós não foi um jogo como os outros. Foi um jogo especial», afirmou.
Un veterano de la guerra de las Malvinas entonó la Marcha de las Malvinas frente al Obelisco de Buenos Aires, en una de las imágenes más potentes de la celebración por el triunfo argentino sobre Inglaterra en semifinales del Mundial 2026.
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 16, 2026
La victoria por 2-1, con dos… pic.twitter.com/tMrah1dbta
Após o jogo, milhões de argentinos tomaram as ruas e praças de toda a Argentina para celebrar a vitória da Albiceleste. No Obelisco de Buenos Aires, um veterano da Guerra das Malvinas entoou a Marcha das Malvinas enquanto agitava uma bandeira argentina, numa imagem marcante que ilustra o caráter simbólico do jogo contra a Inglaterra.
Numa entrevista à teleSUR, os ex-combatentes afirmaram que a vitória teve um significado especial e emotivo, ao mesmo tempo que dedicaram a vitória aos camaradas que perderam a vida no conflito de 1982. «O Maradona ajudou-nos do céu, assim como todos os veteranos», disse Adrián Paulo. Por seu lado, Jorge Irigoitia afirmou: «Continuamos a lutar, continuamos a reivindicar a nossa soberania, pelos rapazes das Malvinas que nunca esquecerei».
Outra das vozes que se juntou às comemorações foi Omar de Felippe, treinador, ex-futebolista e ex-combatente da Guerra das Malvinas. Através das redes sociais, afirmou: «Há jogos que vão além do futebol. Como veterano das Malvinas, hoje só quero agradecer a estes rapazes pela enorme alegria e pelo imenso conforto para a alma que nos proporcionaram. O desporto nunca muda a história, mas, por vezes, ajuda a curar emoções que continuam muito vivas».
🚨 Veteranos de la guerra de Malvinas expresaron que el triunfo argentino 2-1 sobre Inglaterra en el Mundial tuvo un significado especial y emotivo, y reivindicaron la victoria a los compañeros caídos en el conflicto de 1982. "Nos ayudó Maradona del cielo y todos los veteranos",… pic.twitter.com/STxY0VzDTx
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 16, 2026
Reacção dos meios de comunicação ingleses
A reacção do Reino Unido à exibição da bandeira não tardou a surgir. Meios de comunicação britânicos, como o The Sun, classificaram a celebração como um acto de «arrogância argentina» e descreveram a reivindicação da soberania sobre as Malvinas como «repugnante» e «deplorável».
Na mesma linha, The Telegraph e Daily Mail noticiaram que a Federação Inglesa de Futebol (FA) está a ponderar apresentar uma queixa formal à FIFA para solicitar sanções contra a Associação Argentina de Futebol (AFA), invocando o regulamento que proíbe manifestações políticas durante as competições oficiais.
A ocupação britânica e a Guerra das Malvinas
Desde 3 de janeiro de 1833 que a Inglaterra ocupa ilegalmente as Ilhas Malvinas, situadas na plataforma continental da Argentina, a pouco mais de 400 quilómetros da costa da Patagónia. A 2 de abril de 1982, a enfraquecida ditadura cívico-militar argentina, comandada na altura por Leopoldo Fortunato Galtieri, ordenou o desembarque nas ilhas e deu início à guerra contra a Grã-Bretanha.
A Argentina enviou 23 812 combatentes; cerca de 49% eram jovens recrutados (através do Serviço Militar Obrigatório) com idades compreendidas entre os 18 e os 20 anos. Os soldados destacados para as ilhas enfrentaram condições extremas: temperaturas abaixo de zero, falta de provisões e inundações nas suas trincheiras.
O conflito bélico prolongou-se por 74 dias e resultou na morte de 649 combatentes argentinos. A maioria das baixas ocorreu após o afundamento do cruzador ARA General Belgrano, ordenado pela primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e ocorrido fora da zona de exclusão, o que causou 323 mortes. Nos anos que se seguiram à guerra, estima-se que entre 350 e 500 veteranos se tenham suicidado, embora não existam números oficiais.
Actualmente, o Reino Unido mantém a ocupação ilegal e militarizada do território, além de saquear diariamente os seus recursos naturais. De acordo com o site especializado Agenda Malvinas, a Coroa britânica «rouba 250 mil toneladas por ano de recursos pesqueiros, prevê extrair cerca de 900 milhões de barris de petróleo a partir de 2028 e lançou uma campanha de prospecção de diamantes e ouro».
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