
“O México é respeitado”: Sheinbaum responde às acusações do diretor da DEA
Ao rejeitar as acusações da DEA e apresentar dados sobre a luta do México contra o crime, Sheinbaum recomendou que a agência concentrasse o seu trabalho nos EUA, onde existem graves problemas de tráfico, produção de estupefacientes e branqueamento de capitais.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, rejeitou categoricamente, esta quarta-feira, as acusações do director da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), Terry Cole, que acusou o Governo mexicano de manter ligações com o tráfico de droga.
Durante a sua habitual conferência de imprensa, a chefe de Estado classificou os comentários de Cole como infundados e exigiu que a nação latino-americana fosse tratada com soberania. «O México deve ser respeitado», sublinhou ela, marcando a posição do seu Governo perante as agências estrangeiras.
«Parece-me uma declaração muito infeliz por várias razões. Em primeiro lugar, porque me parece mais uma declaração política do que uma declaração de fundamentação. Não tem qualquer fundamento», afirmou a presidente mexicana, em alusão directa às acusações de Cole sobre uma suposta ligação entre as organizações criminosas e as autoridades federais.
Sheinbaum questionou os motivos e o momento da divulgação destas acusações. Alertou que as declarações do funcionário norte-americano coincidiram com a apresentação do balanço de segurança do Governo mexicano, que regista uma redução de 48% nos homicídios dolosos entre setembro de 2024 e junho de 2026.
«Se um Governo está ligado a algum grupo criminoso, não pode haver uma redução da criminalidade. É uma contradição. Se houver ligação, há um aumento da criminalidade e a melhor prova disso é o mandato de [o ex-presidente Felipe] Calderón», afirmou ao comparar a situação actual com o período de governo entre 2006 e 2012, caracterizado pelo aumento da violência.
México: homicidios diarios cayeron 48 % desde septiembre de 2024, informó Sheinbaum. La reducción equivale a 41 asesinatos evitados cada día. Delitos de alto impacto bajaron 53 % en el mismo periodo.#México #Sheinbaum #14Jul pic.twitter.com/GwXoTH4ZMV
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 14, 2026
A presidente do México exorta a DEA a combater o tráfico de droga nos EUA.
Perante essas acusações, a chefe de Estado do Estado do México instou a agência norte-americana a concentrar o seu trabalho no seu próprio território, onde se registam graves problemas de tráfico, produção de estupefacientes e branqueamento de capitais.
«Negamos categoricamente as afirmações do responsável pela DEA e exortamo-lo a trabalhar arduamente nos Estados Unidos e no seio da sua própria organização e a continuar, em todo o caso, a colaborar com o Governo do México de forma respeitosa, porque o México merece respeito», afirmou a governante.
Sheinbaum Pardo explicou que há produção de metanfetaminas nos EUA e recordou que o maior comércio e consumo de substâncias ilícitas do mundo tem lugar no território norte-americano.
«Há produção de metanfetaminas nos Estados Unidos, e de outras drogas, mas, além disso, o maior comércio de droga do mundo ocorre nos Estados Unidos. Quem a vende? Como a vendem? Como a distribuem? Como lavam o dinheiro? Isso é algo que a DEA deveria estar a investigar», afirmou a mandatária perante os meios de comunicação social.
Sheinbaum denuncia um historial de corrupção interna na DEA
A presidente do México recordou que há antecedentes de agentes da DEA envolvidos em actividades ilícitas e redes de crime organizado e questionou a eficácia dos controlos internos da agência policial norte-americana.
«Circula por aí uma notícia que vimos esta manhã sobre um chefe da DEA que trabalhou no México e que foi destituído por ligações com advogados de barões da droga. Não sabemos o que aconteceu, se houve ou não uma investigação, mas ele foi destituído», afirmou Sheinbaum, após salientar que este caso não é isolado, mas que se soma a muitos outros casos de conluio no seio da instituição norte-americana.
A chefe de Estado mexicana salientou que a DEA deve concentrar os seus esforços na resolução das suas questões internas antes de formular acusações de carácter político contra os governos dos países vizinhos.
A diminuição do número de homicídios no México desmente as acusações da DEA
Os dados oficiais da gestão de Claudia Sheinbaum refletem uma política constante de combate aos grupos criminosos. As forças de segurança detiveram 59 582 pessoas, apreenderam 31 366 armas de fogo e confiscaram quase 500 toneladas de estupefacientes. Entre estes carregamentos contam-se 2 363 quilogramas e 5 546 100 comprimidos de fentanil.
O Gabinete de Segurança do México apoiou a posição da presidente e esclareceu que as operações de captura visam líderes, financiadores e autores de actos de violência de todas as estruturas do crime organizado, sem qualquer distinção.
As forças de segurança do Estado salientaram que as investigações oficiais abrangem igualmente funcionários públicos suspeitos de cometerem infracções, confirmando que, na administração pública federal, não é permitida a protecção nem a impunidade para ninguém.
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