Brasil anuncia plano de colheita focado em potencializar a agroindústria
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil referiu que "o Governo continua a enfrentar enormes obstáculos para atender às demandas sociais das populações mais pobres do país".
O governo do Brasil anunciou nesta terça-feira o Plano Safra 2025/2026, que está focado na agroindústria, com um total de 516,2 mil milhões de reais em recursos, o que representa um aumento de 8 mil milhões de reais em relação ao ciclo anterior.
Nesse sentido, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou na conta no X o lançamento do orçamento do plano, “destinado ao fortalecimento da produção agrícola nacional. Com este plano, apoiamos os produtores nacionais, ampliamos o crédito, promovemos a sustentabilidade e fortalecemos a competitividade do sector no mercado internacional”.
De acordo com a plataforma Brasil de Fato, o montante atribuído ao sector empresarial é 82,75% superior ao reservado para o Plano Colheita da Agricultura Familiar, lançado na segunda-feira, 30 de junho, que destina 89 mil milhões de reais a ações como crédito rural, compras públicas, seguro agrícola, assistência técnica e garantias de preços mínimos. Desse total, 78,2 mil milhões de reais serão geridos através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Lançamento do Plano Safra 2025/2026: R$ 516 bilhões destinados ao fortalecimento da produção agropecuária nacional. Com este plano, estamos apoiando os produtores nacionais, ampliando o crédito, incentivando a sustentabilidade e tornando o setor ainda mais competitivo no mercado… pic.twitter.com/iUkBfE8q0w
— Lula (@LulaOficial) July 1, 2025
Este plano inclui produtores médios e grandes, com linhas específicas de financiamento, comercialização e investimento que, de acordo com o perfil dos beneficiários e os programas aos quais têm acesso, apresentam variações.
Outras declarações do presidente Lula apontam que “estamos a ganhar mais porque a qualidade dos produtos que plantamos melhorou graças aos avanços genéticos e tecnológicos”.
“E estamos a perceber que o mundo sentia aversão pelo Brasil, conhecido como um país de desflorestação, de fogo, de desrespeito. E é essa compreensão que a sociedade brasileira, os empresários e os pequenos e médios agricultores têm vindo a adquirir que permitiu que o Brasil se tornasse um país respeitado e, cada vez mais, que as pessoas tenham menos medo de nós”, disse o chefe de Estado.
Por sua vez, e diante de uma crítica ao agronegócio, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil referiu que «o Governo continua a enfrentar enormes obstáculos para atender às demandas sociais das populações mais pobres do país — tanto urbanas como rurais — devido à oposição permanente do setor financeiro. Este sector sequestra uma parte do orçamento nacional por meio de taxas de juros exorbitantes e ameaça o governo com ataques especulativos. A isso se somam as forças do agronegócio e a influência do Congresso mais conservador da história do país”.
Ao destacar um contexto em que a população brasileira enfrenta aumentos constantes nos preços dos alimentos, provocados pela especulação do agronegócio e pela exportação de alimentos para o mercado externo, o MST ressalta a importância da reforma agrária no Brasil.
“A Reforma Agrária, além de gerar emprego e dinamizar a economia local, poderia contribuir diretamente para reduzir o custo de vida e melhorar a qualidade alimentar do povo brasileiro, que hoje é obrigado a consumir produtos ultraprocessados e de baixa qualidade por serem mais acessíveis. O investimento em infraestrutura e a liberação de créditos para as famílias assentadas também seriam essenciais para transformar essa realidade. Hoje, por exemplo, existe uma demanda de 50 mil novas moradias rurais e 150 mil reformas habitacionais nos assentamentos. Em contrapartida, o agronegócio receberá US$ 600 bilhões (US$ 120 bilhões) em créditos apenas para a próxima safra”.
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