Presidente de Cuba reafirma a defesa do socialismo
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reiterou que o seu país continuará a defender a construção do socialismo como princípio essencial, num contexto de recrudescimento do bloqueio que os Estados Unidos mantêm atualmente contra a ilha.
Numa entrevista com o jornalista brasileiro Breno Altman, o presidente sublinhou que as transformações económicas em curso na nação caribenha não implicam uma restauração capitalista.
«Defenderemos sempre o conceito de justiça social e defenderemos sempre a construção do socialismo», afirmou o chefe de Estado no diálogo transmitido esta noite numa emissão especial do programa «20 Minutos» da Opera Mundi.
Díaz-Canel explicou que o país está a promover um programa governamental que foi submetido a debate popular, num processo totalmente democrático e de participação cidadã.
Entre as principais linhas de trabalho, referiu a transformação do sistema de gestão da economia, com vista a alcançar «um equilíbrio adequado entre centralização e descentralização e entre planeamento e mercado».
Além disso, referiu a decisão de redimensionar o aparelho estatal para alcançar um governo mais dinâmico e eficiente, com menos estruturas burocráticas, e tirar melhor partido das capacidades do capital humano.
Destacou também os progressos no sentido de uma maior autonomia do sistema empresarial e dos governos municipais, com o objectivo de reforçar a gestão local e potenciar os sistemas produtivos nos territórios.
Nesse contexto, sublinhou a importância da complementaridade entre o sector estatal e o não estatal, o que permite aproveitar as capacidades produtivas ociosas e dinamizar a economia.
Referiu-se também à flexibilização do investimento estrangeiro directo, incluindo facilidades para a participação de cubanos residentes no estrangeiro, bem como ao aperfeiçoamento do sistema financeiro e bancário.
O presidente destacou, além disso, o impulso à produção nacional, em particular no sector alimentar, e o papel crescente da ciência, da inovação e da transformação digital, incluindo a aplicação da inteligência artificial para resolver problemas estruturais.
Ao mesmo tempo, Díaz-Canel rejeitou as narrativas que tentam apresentar Cuba como um Estado falhado e defendeu a capacidade do país para manter o seu funcionamento em condições de forte pressão externa.
Que outro país teria sido capaz de manter a coerência no seu funcionamento, a unidade do seu povo e a determinação para continuar a defender a revolução e o ideal do socialismo, afirmou.
O presidente cubano sublinhou que o processo revolucionário, desenvolvido ao longo de mais de seis décadas em condições de hostilidade externa, não está isento de dificuldades. «E seria idealista, e além disso uma posição anti-ética da nossa parte, não reconhecer que foram cometidos erros», afirmou.
No entanto, salientou que as dificuldades actuais «não resultam de erros que possamos ter cometido», mas estão fundamentalmente ligadas ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos contra a ilha.
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