Cuba

Cuba: Gestão energética, reformas e apoio mundial sob cerco

Cuba lida com um défice de energia eléctrica de 1 727 MW, enquanto o mundo reconhece as suas transformações. A Rússia apoia as reformas e o Paquistão homenageia Fidel. A firmeza não se anuncia, demonstra-se.

Cuba começa o dia a lidar com um défice de energia elétrica de 1 727 MW, enquanto o mundo reconhece as suas transformações e Washington insiste num diagnóstico catastrofista. A firmeza não se anuncia, demonstra-se.


Amanecer Cubano | O Canto das Razões de Cuba 

Começamos a semana com um amanhecer cubano que, como todos os dias, combina a rotina do clima tropical com a gestão de uma crise energética provocada pelo bloqueio. Mas também com notícias que chegam da Rússia, do Paquistão e das Nações Unidas, que traçam um panorama internacional em que Cuba continua a ser vista de forma muito diferente daquela como é retratada nos telegramas do Departamento de Estado.

Hoje conversamos sobre quatro temas que marcam a realidade cubana: a situação energética e a gestão do défice eléctrico, o apoio internacional às reformas cubanas, os avanços concretos das 176 transformações económicas e a voz de Cuba na ONU face ao bloqueio. Porque a batalha não consiste apenas em manter as luzes acesas: consiste também em manter a coerência, a soberania e a firmeza no meio do cerco.


A disputa energética: uma gestão sob pressão

Todos os dias, os cubanos acordam com um dado que condiciona o seu dia: o défice de energia elétrica. Para hoje, a União Eléctrica estima uma disponibilidade de 1 473 MW  frente a uma procura de 3 200 MW, o que resulta num défice de 1 727 MW e num impacto previsto de 1 757 MW no horário de pico.

«A União Eléctrica já não gere os cortes de energia por blocos, mas sim por circuitos — um ajuste técnico que visa distribuir melhor o peso de uma crise que não resulta da improvisação, mas sim de um cerco energético deliberado. Aqui não há pânico, há uma gestão sob cerco.»

A mudança de estratégia — de cortes de energia por blocos para cortes por circuitos — não é um pormenor insignificante. É um indício de que o governo cubano está a ajustar os seus mecanismos para tornar mais suportável o impacto de uma crise cuja origem é clara: o bloqueio económico dos Estados Unidos, que reduziu as importações de energia da ilha entre 80 e 90 por cento.

Não se trata de improvisação nem de mau planeamento. Trata-se de um cerco concebido para asfixiar. E perante isso, o que é preciso é gestão, não pânico. A diferença é substancial: o pânico paralisa, a gestão transforma.

O mundo também está atento: apoio internacional a Cuba

Enquanto aqui se resolve circuito a circuito, lá fora o mundo continua a tomar partido. Na Duma Estatal russa, o deputado Dmitri Nóvikov foi claro: as reformas económicas anunciadas por Díaz-Canel não são sinal de pânico, mas sim confiança do povo cubano no seu próprio futuro.

«Essa interpretação, vinda do exterior, contrasta fortemente com o diagnóstico catastrofista que Washington insiste em repetir.»

Dmitri Nóvikov é um político russo com uma longa trajectória no Partido Comunista da Federação Russa, e as suas declarações não são improvisadas. Reflectem uma perspectiva geopolítica que vê em Cuba não um país à beira do colapso, mas sim um Estado que, apesar das dificuldades, mantém o seu rumo e a sua soberania. Esta visão afasta-se radicalmente da narrativa que os meios de comunicação ocidentais tentam impor.

No Paquistão, entretanto, teve início um programa de actividades para comemorar o centenário de Fidel Castro, com um workshop sobre o seu legado como impulsionador da solidariedade internacional. Não se trata de um evento isolado: faz parte de uma rede de homenagens que se estende pela Ásia, África e América Latina.

Cuba continua a ser acompanhada no mundo muito para além dos telegramas do Departamento de Estado. Essa é uma verdade que incomoda Washington, mas que a realidade se encarrega de nos lembrar todos os dias.


O avanço institucional: as transformações em curso

A nível interno, o vice-primeiro-ministro Jorge Luis Tapia falou esta semana sobre o acesso à terra no âmbito das reformas em curso. Esclareceu que todos os agentes económicos podem candidatar-se, desde trabalhadores por conta própria até pequenas e médias empresas.

«As 176 medidas continuam a traduzir-se em decisões concretas, e não em anúncios vazios.»

O acesso à terra é um dos pontos mais sensíveis do processo de actualização do modelo económico cubano. O facto de o vice-primeiro-ministro ter vindo a esclarecer que os trabalhadores por conta própria e as micro, pequenas e médias empresas podem aceder à terra é um sinal de que as transformações não ficam apenas no papel. Estão a ser implementadas, embora o contexto de bloqueio e crise económica faça com que os resultados sejam mais lentos do que muitos desejariam.

A crítica proveniente dos sectores mais radicais costuma salientar que as transformações avançam lentamente. Mas é preciso interpretá-las no seu contexto: nenhuma reforma económica num país bloqueado pode ser rápida. Cada passo deve ser cuidadosamente ponderado para não gerar desequilíbrios maiores. E, nesse sentido, o governo cubano optou pela gradualidade em vez da ruptura.


A voz de Cuba na ONU: o argumento sem intermediários

Para quem quiser consultar a fonte completa, o Granma publicou o texto integral do discurso de Bruno Rodríguez Parrilla no debate da Assembleia Geral sobre o fim do bloqueio, no ponto 38 da ordem de trabalhos.

«Aí está, sem intermediários, o argumento cubano face àqueles que preferem exercer pressão sobre as embaixadas em vez de debater em público.»

O discurso de Bruno Rodríguez na ONU não é um evento protocolar. É a voz de Cuba no principal fórum multilateral do mundo, denunciando um bloqueio que causou danos incalculáveis à economia e ao bem-estar do povo cubano. A estratégia de Washington tem sido, tradicionalmente, exercer pressão nos bastidores e evitar o debate público. Mas Cuba insiste em levar o debate para o palco onde todos os países podem ver e ouvir.

A transparência é uma arma política, e Cuba sabe usá-la bem. Publicar o discurso na íntegra no Granma é uma forma de dizer: «Aqui não há nada a esconder. Este é o nosso argumento. Julguem vocês mesmos».

Tempestades no horizonte: nuvens que não nos tiram o sono

A edição de hoje do *Amanecer Cubano* dedica também um espaço ao que se passa no chamado «cluster subversivo» que opera a partir do estrangeiro. Daniel Guerra resume-o com uma imagem impactante:

«Quantas vezes se formam tempestades no horizonte que acabam por ser apenas isso: nuvens negras ao longe. Não é por isso que deixamos de olhar para elas, mas não para nos tirarem o sono; temos imensas transformações para levar por diante e muitas coisas para fazer.»

A desmoralização que se percebe em alguns setores da oposição externa não é um facto insignificante. Revela que, apesar dos recursos milionários destinados às campanhas mediáticas e de desestabilização, a estratégia de «pressão máxima» não está a alcançar os resultados esperados. Cuba continua de pé, e isso desgasta aqueles que apostaram no seu colapso.

A mensagem é clara: é preciso manter os olhos abertos, mas sem perder de vista o que realmente importa. As transformações económicas, a gestão da crise, a defesa da soberania. É isso que ocupa o tempo e a energia do governo cubano e do povo.


Conclusão: a firmeza não se anuncia, demonstra-se

É assim que amanhece em Cuba: com um apagão que está a ser gerido, um bloqueio que é denunciado pelo nome e apelido, e um mundo que, pouco a pouco, continua a reconhecer o que aqui se mantém.

«A firmeza não se anuncia, demonstra-se. E hoje, mais uma vez, é altura de a demonstrar.»

A frase encerra o «Amanecer Cubano» com uma lição que transcende o momento actual. Não se trata de declarações grandiloquentes nem de promessas vazias. Trata-se de factos concretos: as 176 medidas que se traduzem em decisões reais, a voz de Cuba na ONU, o apoio da Rússia e o reconhecimento por parte do Paquistão, e a gestão diária de uma crise energética que Washington concebeu para subjugar a ilha.

Cuba não se rende. Cuba transforma-se, resiste e avança. E fá-lo com a certeza de que o mundo está a observar, embora muitos meios de comunicação prefiram desviar o olhar.

Bom dia, Cuba.


📢 Qual é a tua opinião sobre a gestão energética em Cuba e o apoio internacional às reformas? Achas que o reconhecimento da Rússia e do Paquistão reflete uma mudança no panorama geopolítico? De que forma as 176 transformações afectam a vida quotidiana?

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