
A Presidente (E) da Venezuela consolida a agenda económica em Nova Iorque com o FMI
O Governo da Venezuela iniciou, há alguns meses, conversações com o Fundo Monetário Internacional, que se centram na troca de pontos de vista sobre as perspetivas macroeconómicas e na utilização das reservas internacionais para o financiamento do Plano «Venezuela Renace» e da recuperação após os terramotos.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, realizou esta segunda-feira um encontro de alto nível com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, na cidade de Nova Iorque. A reunião decorreu no âmbito da visita oficial da chefe de Estado ao território norte-americano para intervir na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que terá lugar entre 22 e 28 de setembro.
Mais cedo, Delcy Rodríguez reuniu-se com o presidente do Grupo do Banco Mundial, Ajay Banga.
Durante a jornada de trabalho, a mandatária em funções contou com o apoio de uma equipa composta pelo vice-presidente setorial da Economia, Calixto Ortega; pela ministra dos Hidrocarbonetos, Paula Henao; pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da República, Félix Plasencia, e por representantes diplomáticos nacionais. O encontro permitiu avaliar a agenda conjunta e as relações financeiras internacionais no contexto deste importante encontro multilateral.
📌 La presidenta (E) de Venezuela, Delcy Rodríguez, se reúne en Nueva York, en el marco del 81ª Asamblea General de la ONU, con altos representantes del Banco Interamericano de Desarrollo.
— teleSUR TV (@teleSURtv) September 21, 2026
🔴 A través de dicha reunión, el presidente del Banco Interamericano de Desarrollo (BID),… pic.twitter.com/iXhtuZvjRK
Situação macroeconómica e perspectivas com o FMI
Esta aproximação institucional consolidou os encontros mantidos com o FMI, marcados pelo respeito pela soberania nacional. As conversações centraram-se na troca de opiniões sobre as perspcetivas macroeconómicas, as prioridades da política económica, as áreas de assistência técnica destinadas a reforçar as capacidades institucionais e a utilização das reservas internacionais para financiar o Plano Venezuela Renace.
Por parte da instituição financeira, participaram no encontro o director do Departamento do Hemisfério Ocidental, Nigel Chalk; o director adjunto do Departamento do Hemisfério Ocidental e chefe de missão para a Venezuela, Álvaro Piris, e o subchefe de missão para a Venezuela, Juan Yépez Albornoz.
Recursos para a recuperação após a dupla onda sísmica
O Governo venezuelano obteve 346 milhões de dólares dos seus próprios recursos no FMI para o processo de recuperação e reconstrução na sequência dos sismos de 24 de junho passado.
«A Venezuela obteve inicialmente 346 milhões dos seus próprios recursos junto do FMI, que serão destinados ao processo de recuperação e reconstrução após a tragédia», afirmou a presidente interina.
Através de um comunicado divulgado no seu canal do Telegram, Rodríguez explicou que os fundos permitirão «apoiar as famílias afetadas em matéria de habitação, infraestruturas e serviços públicos essenciais, entre outras necessidades».
Nessa ocasião, a presidente agradeceu a Georgieva pelo seu apoio e estendeu o agradecimento às instituições envolvidas. Acrescentou: «Continuaremos a trabalhar incansavelmente para proteger o nosso povo e avançar na recuperação do país».
Anteriormente, a chefe de Estado tinha informado sobre uma conversa telefónica realizada a 8 de julho com Georgieva com vista à libertação de fundos bloqueados e reiterou a exigência do fim das sanções e do bloqueio dos activos estatais.
🚨 Gobierno de Venezuela y el FMI sostienen encuentro de alto nivel
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 30, 2026
🔴 La presidenta encargada de Venezuela, Delcy Rodríguez, lideró un encuentro con el Fondo Monetario Internacional (FMI) centrado en las perspectivas macroeconómicas del país y la asistencia técnica para… pic.twitter.com/jI1r6VJuXb
A porta-voz do FMI, Julie Kozack, explicou numa conferência de imprensa que o mecanismo utilizado correspondia à linha de reserva da Venezuela, uma fonte de liquidez de fácil acesso que se distingue dos direitos especiais de saque (DES) detidos pela instituição, que ascendem a cerca de 4 500 milhões de dólares.
Exigência de libertação de fundos e planos de reconstrução
O vice-ministro das Políticas Antibloqueio da Venezuela, William Castillo, declarou há algumas semanas que o país mantém a sua exigência junto do FMI para a libertação de 5 mil milhões de dólares em direitos especiais de saque retidos. Castillo indicou que, desses recursos, apenas 200 milhões de dólares foram liquidados (geridos através do Banco de Desenvolvimento da América Latina e das Caraíbas (CAF)), os quais são indispensáveis para intensificar a resposta à emergência e financiar o plano de reconstrução nacional na sequência do desastre causado pelos poderosos terramotos de 24 de junho.
🚨 Venezuela exige al FMI la liberación de 5.000 millones de dólares para atender la emergencia y la reconstrucción tras los sismos
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 5, 2026
🔴 El viceministro William Castillo denunció que el organismo solo liquidó 200 millones y retiene recursos indispensables para el plan de… pic.twitter.com/csW30K7Tm1
O responsável pelo Observatório Venezuelano Antibloqueio afirmou que «vamos avançar através da negociação, do diálogo e da união, porque esse é o caminho e não há outro», reiterando a via institucional escolhida pelo Estado venezuelano. No que diz respeito ao plano de acção para a emergência, informou que a segunda fase de recuperação já conta com um projecto estrutural técnico-académico apoiado pela Ordem dos Engenheiros da Venezuela, academias, institutos de investigação e universidades públicas e privadas.
Agenda diplomática em Nova Iorque
Na manhã desta segunda-feira, a presidente encarregadaa da República, Delcy Rodríguez, presidiu uma reunião com a delegação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), liderada pelo seu presidente, Ilan Goldfajn, e pelo vice-presidente da instituição, Everett Eissenstat.
A chefe de Estado cumpre uma agenda institucional intensa em território norte-americano e as conversações decorreram num espaço diplomático venezuelano decorado com um tapete do tecelão guajiro Luis Montiel.
No âmbito da sua estadia na cidade de Nova Iorque, prevê-se que, nas próximas horas, mantenha uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que representaria o primeiro encontro presencial entre os chefes de Estado de ambos os países desde o encontro ocorrido no Panamá, em 2015, entre Nicolás Maduro, catualmente detido nos EUA na sequência da invasão de 3 de janeiro, e Barack Obama.
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