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Brasil: a retirada das credenciais de um agente dos EUA é um acto de reciprocidade diplomática

O agente brasileiro expulso dos EUA estava envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem, foragido da justiça brasileira, condenado por ter participado na conspiração golpista de 2022.

O director-geral da Polícia Federal do Brasil, Andrei Rodrigues, informou nesta quarta-feira que a instituição retirou as credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que actuava em Brasília, e classificou a medida como um acto de reciprocidade diplomática.

Esta medida constitui uma resposta do Governo brasileiro à decisão da Administração norte-americana de retirar a acreditação ao delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, que actuava em Miami como ponto de contacto com as autoridades de imigração norte-americanas.

O chefe da polícia, que concedeu uma entrevista à GloboNews, comentou que “gostaria que nada disto estivesse a acontecer. E espero que possamos sentar-nos à mesa para dialogar, para conversar, e assim poder continuar (as relações) com total normalidade”.

Rodrigues afirmou que Carvalho regressou ao Brasil «por sua própria decisão» devido a esse episódio, para que a polícia possa esclarecer se existe um processo formal por parte do Governo de Donald Trump contra o funcionário.

Na passada segunda-feira, o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou que tinha solicitado a saída de um «funcionário brasileiro» do país. Embora a publicação não mencionasse nomes, o texto indicava que se tratava de um agente da Polícia Federal envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem, procurado pela justiça brasileira.

Ramagem, ex-deputado e ex-dirigente da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), terá sido libertado pelo Serviço de Controlo de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) após ter ficado detido durante dois dias em Orlando, na Flórida, após ter fugido enquanto cumpria uma pena de 16 anos de prisão pelo seu papel na conspiração golpista de 2022, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ICE libertou Ramagem, apesar de o Brasil ter solicitado formalmente a sua extradição. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão por um processo penal relacionado com o golpe de Estado.

Na última terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso durante uma viagem à Alemanha e falou em reciprocidade. «Acho que, se houve um abuso por parte dos Estados Unidos contra o nosso polícia, responderemos da mesma forma aos seus no Brasil. Não há discussão», afirmou.

Fonte:

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