CubaHenry Omar

Caros amigos, como está la Cosa?

Em Cuba, a resposta tem sempre um piscar de olhos, porque aqui a vida é uma arte que se pinta com esforço, engenho e uma centelha de humor que nunca se apaga. As coisas, é preciso dizê-lo, estão a arder, mas é nosso, e carregamo-lo de peito erguido e cabeça erguida, porque os cubanos não sabem desistir.

Cada dia é uma odisseia. Os apagões, como velhos conhecidos, chegam sem aviso, deixando as famílias à procura de velas ou a inventar histórias ao luar. A água, essa viajante caprichosa, por vezes pede e, quando aparece, é festejada como se fosse um tesouro. Os preços, infelizmente, sobem mais depressa do que o Pico Turquesa, transformando a compra de um simples pão numa proeza de malabarismo financeiro. E a luta diária, que começa ao amanhecer, é uma maratona para descobrir, para dar a volta, para esticar o peso e a inteligência até ao limite.

No entanto, no meio deste turbilhão, o povo cubano, bom e trabalhador, não perde o rumo. Há uma força indomável em cada mãe que se levanta cedo para garantir o pequeno-almoço, em cada jovem que pedala debaixo do sol para chegar a horas, em cada vizinho que partilha o pouco que tem com um sorriso. Porque aqui, a felicidade não se negoceia, constrói-se. Encontra-se no dominó que faz barulho numa esquina, na música que entra pelas janelas, nas piadas que transformam um dia mau numa anedota para rir amanhã.

La Cosa Mostra, como dizemos maliciosamente, não é apenas um desafio; é uma tela na qual pintamos a nossa resiliência. Não há apagão que apague o brilho de uma piada bem contada, não há cola que mate a esperança de um futuro melhor. Este é um povo que sabe que, mesmo quando as coisas ficam difíceis, a vida é uma dádiva e a esperança é um motor que nunca para.

Por isso, irmãos, vamos em frente. Com trabalho, com amor, com aquela centelha cubana que transforma o impossível em possível.

Porque as coisas podem estar a arder, mas nós somos a água que as refresca, o vento que as renova e o sol que as ilumina. Avante, Cuba, a luta é dura, mas o coração é maior! (Mesmo que estejamos à beira de um enfarte)

Um abraço de cubanos, sem perder o riso e a esperança.

Autor:

Henry Omar Perez

Comunicador Membro da Asociación Cubana de Comunicadores Sociales, escreve para as páginas Cuba soberana e Razones de Cuba

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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