Artigos de OpiniãoPaulo Da Silva

Cuba: 67 Anos de Resistência, o Cerco Energético e a Vitória da Solidariedade

Do bloqueio anunciado ao navio que furou o cerco – uma lição de futuro

67 anos de resistência: um olhar desde Cuba

O conflito com os Estados Unidos não começou ontem. São 67 anos de uma guerra desigual, feita de sanções, ameaças, atentados e mentiras. Como recorda o artigo 67 años de resistencia: una mirada desde Cuba sobre el conflicto con Estados Unidos, de Razones de Cuba, o essencial é este: Cuba não é uma vítima passiva. É um povo que, há quase sete décadas, transformou o cerco em escola de dignidade.

Cada vez que o império aperta, Cuba aprende a fazer mais com menos. Cada vez que tentam isolar a ilha, o mundo descobre que o isolamento é do outro lado. E cada vez que anunciam o colapso, Cuba responde com uma lição: a de que a resistência, quando é consciente, não se rende.


O colapso anunciado: como o bloqueio energético deixou Cuba às escuras

O artigo Colapso anunciado: cómo el bloqueo energético de Estados Unidos dejó a Cuba a oscuras descreve o que se passou nos últimos meses. Não foi um acidente. Foi um plano: estrangular o combustível, apagar as luzes, parar os hospitais, impedir as crianças de estudar.

Desde 9 de janeiro, Cuba não recebeu uma gota de petróleo. Os geradores pararam. A ilha viveu dias de apagões prolongados. O governo cubano denunciou: é um “bloqueio energético” concebido para asfixiar um povo que o único crime que cometeu foi defender a sua soberania.

E durante esse tempo, o império observava, confiante. Achava que, sem energia, Cuba cairia. Achava que, sem combustível, a revolução se renderia. Achava que, no escuro, o povo se esqueceria de quem é.

Enganou-se.


A solidariedade com Cuba não é filantropia – é futuro

Foi aí que apareceu o artigo Solidaridad con Cuba no es filantropía, es futuro, publicado em La Jornada. O título é uma tese. O texto é uma declaração de princípios.

“Não se trata de caridade. Trata-se de construir um mundo onde os bloqueios não tenham lugar, onde os povos se ajudem não por obrigação moral, mas por consciência política.”

A solidariedade que Cuba recebeu – da Rússia, da China, do México, de todos os que não se curvaram – não foi um favor. Foi a prova de que o mundo multipolar não é um conceito. É uma prática. É a recusa em aceitar que uma potência decida, sozinha, quem vive e quem morre.


O navio que furou o cerco: a solidariedade da Rússia e a coragem de Putin

E depois, chegou o Anatoly Kolodkin. O artigo que publiquei nesta página Cuba Soberana – O navio que furou o cerco: a solidariedade da Rússia e a coragem de Putin – é a crónica desse momento histórico.

O navio russo com 100.000 toneladas de crude navegou escoltado, desafiou as ameaças de Trump, e atracou em Matanzas. Foi o primeiro petroleiro a chegar em três meses. Não foi um gesto simbólico – foi um facto. A Rússia mostrou que não abandona os seus aliados. E o império, que tanto ameaçou, ficou a ver.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, foi claro:

“A Rússia considera que é seu dever não ficar indiferente e prestar a ajuda necessária aos nossos amigos cubanos.”

Não é geopolítica abstracta. É aço. É petróleo. É a certeza de que, quando um povo está no limite, há quem apareça no horizonte.


Cuba: o bloqueio, a solidariedade e a lição de um povo que não se rende

O artigo que fecha este ciclo – Cuba: o bloqueio, a solidariedade e a lição de um povo que não se rende – é a síntese de tudo. Nele, recordo que Cuba não é um problema a resolver. É um exemplo a seguir.

Cuba não se rendeu quando o império lhe fechou o mercado. Não se rendeu quando assassinaram os seus líderes. Não se rendeu quando tentaram isolar a sua revolução. Não se rendeu quando lhe cortaram o petróleo. Não se rendeu quando o mundo parecia olhar para o lado.

E não se rende agora. Porque Cuba aprendeu que a solidariedade não se implora – constrói-se. Com navios, com artigos, com a verdade, com a certeza de que, quando os povos se unem, os bloqueios têm os dias contados.

O que fica

Ficam 67 anos de resistência.
Fica o bloqueio energético que não conseguiu apagar a luz.
Fica o navio russo que furou o cerco.
Fica a solidariedade que não é filantropia – é futuro.
Fica a lição de um povo que, mesmo no escuro, soube iluminar o caminho.

E fica Cuba. Sempre Cuba.

Fica o povo cubano – esse povo que não se verga, que não se vende, que não se cala. O povo que, há 67 anos, enfrenta o império de olhos nos olhos e lhe diz: não passarás.

Ficam os médicos que salvam vidas onde o mundo só vê morte. Ficam os professores que ensinam a ler onde outros ensinam a odiar. Ficam as crianças que, à luz de velas, aprendem que a liberdade não se implora – conquista-se.

Ficam os mambises de ontem e os revolucionários de hoje. Fica a certeza de que, enquanto houver um cubano de pé, a revolução continuará. Porque Cuba não é uma ilha. Cuba é uma ideia. E as ideias, camarada, não se bloqueiam.


Homenagem à luta do povo cubano

A ti, povo cubano, que ensinas ao mundo que a dignidade não tem preço.
A ti, que resistes ao bloqueio mais longo da história.
A ti, que transformaste o cerco em escola e a escassez em criatividade.
A ti, que mesmo sem petróleo, nunca deixaste de ter luz – a que vem do coração.

Esta é a minha homenagem. Não a que se escreve em placas, mas a que se vive em cada artigo, em cada vídeo, em cada palavra de solidariedade. Não a que se faz uma vez por ano, mas a que se constrói todos os dias.

Cuba resiste. E nós, camarada, resistimos com Cuba. Porque a luta do povo cubano é a nossa luta. Porque a soberania de Cuba é a nossa esperança. Porque o teu futuro – esse que o império quer negar – é o futuro de todos os que recusam ajoelhar-se.


¡Patria o Muerte! ¡Venceremos!

Paulo Jorge da Silva | Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negoceiam.

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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