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Equador: o “Não” prevalece no referendo convocado por Noboa

Os resultados preliminares dão uma vantagem superior a 57% ao "Não" nas questões sobre bases militares, financiamento a partidos e convocatória para uma Assembleia Constituinte. O dia representa um revés para o presidente Daniel Noboa, alinhado com as políticas de Washington na região.

Os primeiros resultados da consulta popular e referendo no Equador, realizado neste domingo, dão uma clara vantagem à opção “Não” nas quatro questões-chave promovidas pelo Governo do Presidente Daniel Noboa, num dia caracterizado por uma elevada participação cidadã.

Segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com mais de 58% das actas contadas, o “Não” ultrapassa 52% dos votos. Esta rejeição centra-se em propostas para permitir a instalação de bases militares estrangeiras, eliminar o financiamento estatal para partidos políticos, reduzir o número de membros da assembleia e convocar uma Assembleia Constituinte.

Dada a tendência dos resultados, o ex-candidato presidencial à Revolução Cidadã, Andrés Arauz, disse que o voto pelo “Não” é imposto em todos os lugares. Por meio de suas redes sociais, Arauz conclamou os servidores públicos a impedirem o que denunciou como a “Operação Tello”, manobra para manipular os resultados eleitorais.

Mais de 60% do eleitorado optou pelo “Não” na primeira questão, a respeito da possibilidade de eliminar a proibição constitucional de instalações militares estrangeiras e a transferência de bases equatorianas para forças internacionais.

A resposta da cidadania em defesa da soberania nacional foi enfática e apresenta um sério revés para o presidente equatoriano, que no início de novembro viajou com a Secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kristi Noem, dois locais considerados estratégicos para a potencial instalação de bases, nas cidades de Manta e Salinas.

Nesse sentido, a ex-candidata presidencial, Luisa González, disse que a população diz “não a um governo que quer fazer do Equador a corporação Noboa”. González argumentou que o resultado é uma defesa maciça da soberania nacional e dos direitos consagrados na Constituição de Montecristi aprovada em 2008, durante o governo de Rafael Correa.

A líder política enfatizou que a proposta de convocar uma Assembleia Constituinte procurou “apropriar-se dos recursos naturais estratégicos do Equador” e “precarizar oemprego”. Também disse que o veredicto das pesquisas é “uma rejeição retumbante de Daniel Noboa”, demonstrando que os cidadãos não confiam na gestão do presidente de direita.

A jornada eleitoral, que convocou mais de 13,9 milhões de equatorianos, ocorreu pacificamente. O presidente do CNE ressaltou que a participação cidadã ultrapassou 80%. O resultado preliminar representa um revés político significativo para o governo Noboa, que procurou validar seu alinhamento total com as políticas de Washington através do apoio popular.

Esta consulta foi desenvolvida em meio a um boom de violência sem precedentes, atribuído pelas autoridades ao fortalecimento do narcotráfico e de gangues criminosas. Apesar da declaração de “conflito armado interno” e da catalogação desses grupos como terroristas, os assassinatos continuam a aumentar. Segundo dados oficiais, o ano actual de 2025 já se tornou o mais violento da história do Equador.

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