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México defende a permanência do T-MEC diante da pressão económica de Washington

No estado de Puebla, a presidente do México anunciou que o secretário da Economia, Marcelo Ebrard, viajará a Washington para continuar as negociações.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reafirmou nesta quinta-feira, 22 de janeiro, a conveniência estratégica de manter o tratado comercial trilateral entre o México, os Estados Unidos e o Canadá, classificando-o como um instrumento indispensável para a estabilidade das três nações da América do Norte.

Num contexto marcado pela incerteza gerada pelas ameaças de Donald Trump de fragmentar o bloco comercial. «Vamos trabalhar para que não se rompa e acreditamos que é conveniente para os três países manter o acordo comercial», declarou a chefe de Estado.

A posição mexicana surge após a tensão diplomática no Fórum de Davos entre o chefe da Casa Branca e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que denunciou o fim da velha ordem mundial e o uso da coercção económica por parte das potências para impor os seus objectivos.

Sheinbaum evitou classificar o incidente como um confronto direto, salientando que «não se trata de um choque de discursos, mas simplesmente de pontos de vista diferentes sobre o que está a acontecer a nível internacional».

A mandatária sublinhou que o seu governo procura canais de comunicação direta com ambos os líderes para proteger a integração regional face à volatilidade das políticas republicanas. À margem das questões comerciais, informou que uma equipa técnica já se encontra na capital norte-americana a supervisionar os acordos bilaterais em matéria de segurança.

Com o envio de Ebrard, o México procura proteger a relação comercial face à criticada política tarifária de Trump, que sugeriu deixar expirar o acordo trilateral para impor pactos bilaterais. Sheinbaum insistiu que o caminho deve ser o diálogo soberano, rejeitando a subordinação perante as pressões que pretendem alterar o equilíbrio de poder no continente sob lógicas de força.

O secretário da Economia, Marcelo Ebrard, informou que a revisão do T-MEC está a avançar de acordo com o cronograma estabelecido, estimando que, no final deste mês, os três parceiros da América do Norte apresentarão as conclusões das suas consultas com os sectores produtivos.

Este processo de diálogo, que deve ser concluído definitivamente em junho, prevê a apresentação dos resultados nacionais à presidente Claudia Sheinbaum para posterior validação no Senado.

O Executivo mexicano reafirmou que a prioridade é a preservação do tratado devido ao seu efeito positivo na integração regional, salientando que a América do Norte conseguiu consolidar um bloco altamente competitivo face a outros polos económicos mundiais, partindo do princípio de que é conveniente para os três países manter o acordo comercial.

Um objectivo estratégico para a delegação mexicana será o fortalecimento do mecanismo de resolução de controvérsias, que Ebrard classificou como vital para garantir uma esfera de igualdade e simetria entre os parceiros. O México aposta em processos mais ágeis que reduzam a incerteza operacional e protejam as indústrias de decisões imprevistas, buscando que o tratado ofereça uma plataforma jurídica robusta para o desenvolvimento industrial.

A equipa negociadora insistirá em alcançar reciprocidade e paridade em diversos âmbitos, especialmente no mecanismo laboral, para garantir que a relação comercial se desenvolva sob princípios de respeito mútuo e não de subordinação a interesses externos. Por sua vez, a presidente Sheinbaum ratificou que a economia nacional continua sólida e com uma perspectiva de crescimento favorável, antecipando que em breve apresentará um balanço do primeiro ano do Plano México.

Este programa é fundamental para impulsionar investimentos em infraestrutura, petróleo, gás natural e energias renováveis, setores que fazem parte da visão estratégica do país para o ano de 2026.

Com essas acções, o Governo do México se prepara para fechar o acordo em junho, ressaltando que as decisões são tomadas com base em considerações soberanas e que o fortalecimento do T-MEC deve servir para garantir o bem-estar do povo e a independência económica diante das flutuações da ordem internacional.

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