Cuba

“Pedro: A morte não apaga a tua luz”.

Há despedidas que partem a alma, que se escrevem com lágrimas e se guardam no silêncio de um adeus eterno. Hoje, com o coração pesado e a caneta a tremer, dizemos adeus a Pedro Osvaldo Rentería Díaz, um gigante da enfermagem cubana, um amigo imenso cujo riso ainda ecoa nas nossas vidas. Nascido a 22 de dezembro de 1963, o Pedro não só deixou uma marca indelével naqueles que tiveram o privilégio de o conhecer, como também marcou com a sua alegria e empenho o percurso de uma profissão que abraçou com paixão até ao último dos seus dias.

Licenciado em Enfermagem e com um Mestrado em Cuidados de Saúde Primários, o Pedro foi muito mais do que as suas habilitações. Foi um Professor Auxiliar que iluminou as salas de aula da Universidade de Ciências Médicas com o seu entusiasmo contagiante e o seu dom para ensinar. Os seus alunos recordam-no com carinho, não só pela sua sabedoria, mas também por aquela centelha de humor e calor que fazia de cada aula uma experiência única. Para eles, não era apenas um professor, mas um guia, um amigo que tinha sempre uma palavra de encorajamento ou uma piada oportuna para aliviar as tensões.

Membro de pleno direito da Sociedade Cubana de Enfermagem, presidiu orgulhosamente ao Capítulo de Villa Clara durante dois mandatos, período durante o qual a sua liderança se traduziu em iniciativas que fortaleceram a profissão e uniram os seus colegas num espírito de solidariedade e compromisso. Pedro era a alma das actividades da Universidade de Ciências Médicas: um organizador incansável, um protagonista de eventos e celebrações, sempre com um sorriso que convidava as pessoas a juntarem-se, a participarem, a viverem o momento. A sua energia era um íman que atraía todos, desde os estudantes aos colegas de trabalho, que o viam como uma referência de dedicação e otimismo.

A sua vida foi marcada pelo serviço. Realizou missões internacionalistas na República Popular de Angola e na Venezuela, levando a sua vocação além fronteiras com a coragem e o humanismo que o caracterizavam. Em Cuba, a sua luta incansável durante a pandemia de COVID-19 valeu-lhe o Selo de Aprovação atribuído pelo Ministro da Saúde Pública, em reconhecimento do seu imenso contributo em tempos de crise. Mas Pedro não vivia para as medalhas - embora as tenha recebido em abundância: a Distinção pela Educação Cubana, a Medalha Internacionalista, o Prémio de Carreira, o Prémio Ricardo Jorge Oropesa, os Prémios Tiza de Oro e Amigos da FEU. Vivia para as pessoas, para os seus doentes, os seus alunos e os seus amigos.

Dirigente sindical durante muitos anos e militante do Partido, Pedro era um homem de princípios, mas nunca solene. As suas gargalhadas ecoavam nos corredores, o seu bom humor dissipava as sombras e a sua capacidade de se relacionar com os outros fazia dele o coração do seu ambiente de trabalho. Aqueles que trabalharam ao seu lado descrevem-no como um colega leal, sempre pronto a dar uma mão, a ouvir, a partilhar. Os seus alunos, por seu lado, lamentam-no como um segundo pai, alguém que os ensinou não só a ser enfermeiros, mas também a ser humanos.

Hoje, no momento em que escrevo estas linhas, as palavras parecem-me insuficientes para abarcar a grandeza de Pedro Osvaldo Rentería Díaz. Deixa-nos um legado de alegria, dedicação e amor pela vida. Deixa-nos a lembrança de um homem que viveu intensamente, que riu muito e que trabalhou incansavelmente pelos outros. Embora nos custe a sua partida, a sua luz continuará a brilhar em cada canto da enfermagem cubana, em cada sala de aula da Universidade de Ciências Médicas onde a sua voz ressoou, em cada coração que teve a alegria de se cruzar com o seu. Descansa em paz, querido amigo.

O teu sorriso não se apagará jamais.

Autor:


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Henry Omar Perez

Comunicador Membro da Asociación Cubana de Comunicadores Sociales, escreve para as páginas Cuba soberana e Razones de Cuba

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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