Que as forças se dediquem a melhorar as condições de vida do povo.
As províncias de Pinar del Río e Artemisa foram os primeiros cenários, nesta quarta-feira, da realização das sessões plenárias extraordinárias dos comités provinciais do Partido, um processo que se estenderá a toda Cuba com o objectivo de dar seguimento ao acordado durante a XI Sessão Plenária do Comité Central da organização política.
Pinar del Río.– O único limite que pode ter a flexibilidade nos estilos de trabalho é aquele que coloca em risco a soberania e a independência do país. A ideia foi partilhada na manhã desta quarta-feira pelo Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, na Sessão Extraordinária do Comité Provincial da organização política.
Esta reunião – que contou também com a presença do membro do Bureau Político e secretário de Organização do Partido, Roberto Morales Ojeda – foi a primeira de uma etapa de análise que terá lugar em todo o país, para continuar a refletir e a elaborar planos de acção concretos e mensuráveis, de acordo com tudo o que foi acordado na recente XI Sessão Plenária do Comité Central.
Um momento distinto
Da militância da província de Pinar del Río surgiram vozes para contar à direcção do país sobre experiências específicas. Um tema, por exemplo, como o modo de funcionamento do município de Viñales, motivou reflexões por parte do presidente Díaz-Canel, que perguntou quanto não poderá ser exportado desse território atraente. «Estamos a entrar num momento diferente», disse ele, e ressaltou que a mentalidade também deve ser outra.
O mandatário falou sobre a importância de que aqueles que estão a criar bens e serviços sintam a necessidade de exportar; e comentou que agora se trata de fazer crescer o município para que, em seguida, cresça a província e, consequentemente, o país. Os municípios, enfatizou, poderão ter muito mais autonomia, assim como as empresas. E essa autonomia é para produzir e contribuir mais para a estrutura da economia nacional.
É preciso conseguir, enfatizou o Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, que os militantes se sintam responsáveis por tudo o que funciona mal; é preciso agir, destacou, «colocando os militantes à frente», discutindo, não deixando os problemas se acumularem. Além dessas ideias, ele perguntou quanto tempo será necessário esperar para colocar em prática as boas experiências que têm surgido em todo o país.
Ao fazer as conclusões da reunião, Díaz-Canel Bermúdez dedicou um amplo espaço para refletir sobre «os graves acontecimentos ocorridos nos primeiros dias do ano na pátria irmã de Bolívar e Chávez». A esse respeito, destacou a importância de compreender os antecedentes, o alcance do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, bem como os cenários que estão em disputa e os desafios que a região enfrenta diante de uma ofensiva imperial.
«Temos que considerar, como antecedentes, que existe uma lógica imperial que é, por si só, irracional»; e essa irracionalidade sempre se acentua na história da humanidade – argumentou – quando o império começa a vacilar, quando o império está em decomposição.
«E sempre que chegamos a essas situações na história, como está a acontecer agora, qual é a resposta imperial? Reafirmar a sua supremacia», alertou o mandatário.
Sobre o que o imperialismo norte-americano perpetrou contra Nicolás Maduro e a sua companheira, o presidente cubano denunciou que «estamos perante um sequestro, não uma captura; e, além disso, perante um julgamento que é totalmente ilegal».
Os factos foram definidos pelo mandatário como uma agressão covarde dos Estados Unidos, como um ato criminoso, violador do âmbito das Nações Unidas e do Direito Internacional, «que pisa, que esmaga princípios há muito defendidos na América Latina e no Caribe».
«Portanto, trata-se de uma agressão imperialista e fascista descarada. Pretendem reeditar as ambições hegemónicas dos Estados Unidos sobre a nossa América, ancoradas na Doutrina Monroe e no objectivo de ter acesso e controlo sobre as riquezas naturais da Venezuela e da região. E ficou muito claro que o problema não é Maduro: o problema é o petróleo e os recursos da Venezuela».
A ameaça não é apenas para esse país, é contra toda a humanidade, afirmou o mandatário, que expressou que ou a Nossa América se resigna ao papel de quintal dos Estados Unidos e é constantemente humilhada pelos interesses imperialistas, ou propõe a ratificação soberana de construir um polo emergente, integrado, com voz própria, num mundo que deve ser cada vez mais multipolar.
Díaz-Canel afirmou: «É preciso unir-se, é preciso apresentar uma frente antifascista e uma luta entre todos. A história demonstra que nenhum imperialismo é invencível quando os povos decidem levantar-se e defender a sua vida. E num momento como este, tão dramático para os povos latino-americanos, mais uma vez a unidade é fundamental para rejeitar a agressão militar».
Sobre o Partido Comunista na Cuba actual
«Precisamos de um funcionamento superior do Partido, das instituições do Estado, do Governo, do nosso sistema de organizações de massas e organizações sociais, incluindo a União dos Jovens Comunistas no país e em todos os territórios».
Assim se expressou o mandatário nas suas palavras finais, que também se referiu a 2026 como o ano em que o objetivo essencial deve ser avançar. Nesse sentido, pediu que todas as forças se dediquem a melhorar as condições de vida na ilha.
Entre outros conceitos, Díaz-Canel enfatizou que o trabalho partidário deve ser baseado no trabalho directo com o povo, e não em relatórios frios; que o importante é transformar realidades, desbloquear tudo o que impede o desenvolvimento, fazer contrapartida ao que não funciona.
Um pórtico necessário
Nos primeiros momentos da jornada – na qual o Chefe de Estado enfatizou a importância de «colocar a militância em primeiro lugar» –, o camarada Roberto Morales Ojeda explicou que, no passado dia 8 de dezembro, o Bureau Político realizou uma análise profunda da situação que o país vive.
A primeira tarefa derivada de múltiplas reflexões, e à qual Morales Ojeda aludiu, tem a ver com continuar a garantir com maior eficácia a invulnerabilidade militar de Cuba.
Além disso, como prioridades essenciais, mencionou a estabilização do Sistema Elétrico Nacional, a produção de alimentos e a geração de receitas em divisas.
Da mesma forma, ele afirmou que as missões partidárias da batalha económica, da luta pela paz, da unidade e da firmeza ideológica são mantidas e ratificadas.
Essas análises terão continuidade nos comités municipais da organização política, disse Morales Ojeda.
Morales Ojeda levantou mais de uma questão essencial na reunião: Os núcleos do Partido estão desempenhando o papel que lhes cabe neste momento histórico? Qual é o papel da militância do Partido e da militância da União dos Jovens Comunistas? Os quadros da Revolução estão agindo com a energia, a criatividade, a exigência e o exemplo necessários?
As reflexões continuaram em Artemisa
Na tarde desta quarta-feira, Artemisa foi o segundo palco onde se realizou a Sessão Plenária Extraordinária do Comité Provincial do Partido Comunista. Lá também foi ractificado o espírito – como expressou Roberto Morales Ojeda – de que nada é estranho ao Partido; que, dentro da militância, é preciso trabalhar sem extremismos, sem preciosismos, mas com exigência; que é preciso mudar a maneira de pensar para mudar a maneira de agir – com autocrítica, sem autocomplacência.
Durante a reunião, a primeira secretária do Comité Provincial do Partido, Gladys Martínez Verdecia, bem como outros dirigentes do território, referiram-se à forma como a província cresceu em várias frentes, sem perder de vista aquelas em que se deve continuar a alcançar conquistas. O olhar passou pelos desafios no funcionamento da organização política e pelos objectivos productivos que são cada vez maiores em prol da auto-abastecimento.
O presidente cubano partilhou as suas avaliações sobre os recentes acontecimentos na Nossa América, que, segundo ele, não podem ser dissociados do espírito destas sessões plenárias extraordinárias; e, diante das pretensões imperialistas de que a Revolução Cubana caia por si só, foi categórico: «Não vamos cair; a Revolução vai continuar e vai se fortalecer».
O dignitário recordou o caminho: «Lutar, ser criativos, desenvolver uma resistência criativa e inteligente, que nos conduza, mais uma vez, à vitória».


