Cuba

Seis décadas de cerco: o arsenal de maldade contra Cuba

Em 3 de fevereiro de 1962, John F. Kennedy emitiu a Proclamação 3447, com a qual oficializou o bloqueio económico, comercial e financeiro contra a ilha.

Como profetas do submundo, Donald Trump e a sua camarilha lançam mensagens de desolação e morte contra o povo cubano. A ordem executiva de 29 de janeiro emitida pelo presidente exala esses ares; para os imitadores de Thanatos, o objectivo é claro: transformar Cuba numa Numancia moderna.

Para a ilha, este cerco não é novidade. Convencidos do apoio maioritário do povo à Revolução, desde o seu início os Estados Unidos dedicaram-se a minar os alicerces do novo poder e a induzir a rebelião.

A estratégia tem sido invariável: enfraquecer a vida económica para provocar fome, desespero e a derrubar do governo. Uma política friamente concebida para mergulhar o povo cubano na miséria. Assim, em 6 de abril de 1960, o memorando de Lester D. Mallory, então vice-secretário de Estado adjunto para Assuntos Interamericanos, definiu a alma dessa guerra.

Pouco depois, em junho de 1960, o Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz apareceu na televisão cubana para denunciar que, seguindo instruções de Washington, as empresas estrangeiras pretendiam boicotar o processamento de petróleo.

A redução do fornecimento de combustível, a recusa em refinar petróleo soviético e a eliminação da quota de açúcar foram apenas o prelúdio do que se tornaria o genocídio mais prolongado da história. Em 7 de fevereiro de 1962, entrou em vigor a Ordem Executiva 3447, assinada pelo presidente John F. Kennedy no dia 3, que oficializou o bloqueio invocando a “Lei do Comércio com o Inimigo” de 1917.

Isso foi apenas o começo. Ao rever a história dessa guerra unilateral, parece que o arsenal de maldade de Washington é inesgotável. Administração após administração, os mecanismos de coerção e cerco foram aperfeiçoados: das 32 tarefas da “Operação Mangosta” — o vasto plano terrorista elaborado após a derrota em Playa Girón —, 15 eram dirigidas especificamente contra a economia da ilha.

Da frustração, da arrogância e do ódio nasceram leis como a Torricelli e a Helms-Burton, ou o Plano Bush, que as reforçou. Durante o seu primeiro mandato, Trump decretou mais de 243 medidas hostis, uma política que Joe Biden deu continuidade, apesar das suas promessas eleitorais.

Agora, a Casa Branca propôs-se levar a agressão à economia e à vida da nação a uma perfeição cirúrgica, pretendendo não deixar espaço sem fechar; mas não é tão fácil derrotar os cubanos, uma frase recente do presidente norte-americano diz tudo: “A única opção que resta é entrar e destruir Cuba”.

Durante mais de seis décadas de guerra económica imposta pela maior potência mundial, o projecto cubano demonstrou uma resiliência extraordinária, colhendo conquistas em todos os domínios que desafiam a lógica do cerco.

Fonte:

Autor:

Raúl Antoio Capote

Raúl Antonio Capote Fernández (Havana, 1961) é um escritor, historiador, professor, investigador e jornalista cubano.  Jornalista, chefe de redacção do Granma Internacional

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