As bases norte-americanas em solo andaluz estão a ser utilizadas para a criminosa guerra de agressão sionista contra o Irão.
É hora de retomar com força a luta contra as bases norte-americanas e contra a OTAN, uma organização que, segundo várias análises, deixou milhões de vítimas em conflitos recentes, do Afeganistão à Líbia, passando pela Síria e pelo Iraque.
Três contratorpedeiros norte-americanos — o USS Arleigh Burke, o USS Paul Ignatius e o USS Oscar Austin — normalmente destacados na Base Naval de Rota (Andaluzia) como parte do escudo antimísseis da OTAN, estão neste momento posicionados ao largo da costa de Israel, participando na guerra contra o Irão.
O seu objectivo nunca foi proteger a Andaluzia ou o Estado espanhol, isso é pura falácia, propaganda grosseira. Hoje em dia, é possível verificar claramente o uso real para o qual o escudo foi concebido: interceptar mísseis iranianos lançados em resposta ao ataque ilegal de Israel contra a República Islâmica. E se pensam que um grão não faz um celeiro, este não é um facto isolado: em 2024, durante a agressão israelita contra o Líbano, estes navios já tinham sido mobilizados de Rota para apoiar operações militares norte-americanas no Médio Oriente. Além disso, os contratorpedeiros da classe Arleigh Burke têm sido historicamente utilizados em ataques contra a Síria ou a Líbia, ou têm feito parte de operações apoiadas pelos Estados Unidos, incluindo o envio do USS Donald Cook em 2017 após as ameaças de Trump à Rússia.
Além dos contratorpedeiros, durante estes dias a Espanha também acolhe aviões-tanque Boeing KC-135 nas bases estratégicas de Rota (Cádiz) e Morón de la Frontera (Sevilha). De acordo com fontes oficiais, pelo menos 30 aviões-tanque foram destacados dos EUA para estas instalações como parte dos preparativos para uma possível ofensiva aérea contra o Irão. Essas aeronaves são fundamentais para prolongar o alcance de caças como o F-15 ou o F-35, cujo raio de combate é insuficiente para atingir alvos iranianos sem reabastecimento em voo.
Esta implantação reforça a dependência da Espanha em relação ao aparato militar norte-americano. A Base de Rota, além de ser sede do escudo antimísseis, funciona como principal centro logístico para operações no Médio Oriente, incluindo o transporte aéreo de suprimentos e pessoal militar. Este papel estratégico não só expõe o país a riscos em caso de escalada, como também torna a Espanha cúmplice de uma política externa que viola o direito internacional e apoia crimes de guerra, como os cometidos por Benjamin Netanyahu na Palestina ocupada.
A presença destas instalações norte-americanas em solo espanhol tem precedentes históricos: durante a invasão do Iraque em 2003, Morón e Rota abrigaram KC-135 e serviram como centros de comando, um modelo que hoje se repete com maior intensidade. Embora o Governo espanhol assegure agir “dentro dos limites do acordo bilateral de defesa de 1988”, a realidade é que estas bases facilitam intervenções que contradizem os princípios de soberania e não intervenção que um Estado democrático deveria defender.
É hora de retomar com força a luta contra as bases norte-americanas e contra a OTAN, uma organização que, segundo várias análises, deixou milhões de vítimas em conflitos recentes, do Afeganistão à Líbia, passando pela Síria e pelo Iraque. A escalada com o Irão, um país que não tem capacidade para atacar directamente Espanha, destaca a urgência de um debate cidadão: queremos continuar a ser trincheira dos interesses imperiais dos EUA? A situação exige o encerramento imediato das bases norte-americanas, a saída da OTAN e a construção de uma política externa independente, centrada na paz e no respeito pelos direitos humanos, e não na cumplicidade com regimes agressores que, sob o manto de uma suposta democracia, praticam o mais abjecto terrorismo de Estado.
Como se não bastasse, a pertença a este organismo belicista e agressor está a provocar uma enorme deterioração no já escasso estado de bem-estar de que dispomos, direccionando investimentos produtivos em saúde, educação ou cultura para gastos militares desperdiçadores e inúteis. Esta escalada bélica, há muito procurada com argumentos tortuosos por alguns líderes europeus que não são capazes de dirigir nem mesmo uma comunidade de vizinhos, vai mergulhar-nos numa crise social de primeira ordem, cujos primeiros efeitos já se fazem sentir em toda a União. A crise de crescimento europeia, a escalada da inflação, o aumento das despesas com energia, a desindustrialização, o desemprego… que agora sofremos são consequência da política de sanções à Rússia com o pretexto de uma guerra provocada deliberadamente pela OTAN (especialmente pelos EUA) em solo ucraniano, da qual não querem sair, apesar de estar absolutamente perdida há muito tempo e que pretendem manter viva com base na injecção de recursos económicos dos quais não dispomos, apesar de a UE ser, de longe, a primeira vítima de toda esta irracionalidade.
Fonte:
Autor:
Juanlu González
Juanlu González, Colaborador geopolítico de meios de comunicação públicos internacionais de várias ditaduras, países do Eixo do Mal e da Frente de Resistência, bem como de vários sítios de informação alternativa em espanhol em Espanha, no Médio Oriente e na América Latina.


