Solidariedade com Cuba será sentida nesta segunda-feira em Washington
Moradores de Washington DC irão reuni-se hoje perto da Suprema Corte para denunciar os danos intencionais sofridos pelo povo cubano como consequência das políticas hostis dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas neste domingo.
O protesto pacífico, convocado para o meio-dia desta segunda-feira no Edifício Metodista Unido, ocorrerá porque o tribunal superior de justiça do país ouvirá os argumentos da petrolífera Exxon Mobil num caso fabricado contra Cuba ao abrigo da Lei Helms-Burton.
Os participantes exigirão o fim da «guerra petrolífera contra Cuba e do ataque jurídico (lawfare) da Exxon», detalhou um comunicado ao qual a Prensa Latina teve acesso.
Entre os palestrantes estão Paul Coates, fundador da Black Classic Press; Blake Burdge, autor e investigador; Leonardo Flores, da Rede Venezuela; Basev Sen, director do Projecto de Justiça Climática do Instituto de Estudos Políticos; a reverenda Nozomi Ikuta e Cheryl LaBash, da Rede Nacional sobre Cuba.
A Lei Helms-Burton, promulgada há quase 30 anos pelo então presidente William Clinton, tem um Título III que permite reclamar compensações a famílias e empresas supostamente afectadas pelas nacionalizações realizadas soberanamente na ilha após a vitória revolucionária de 1 de janeiro de 1959.
No entanto, o Título III permaneceu em pausa até 2019, quando Trump decidiu activá-lo durante o seu primeiro mandato e, nesse mesmo ano, a Exxon Mobil, anteriormente chamada Standard Oil Company, reclamou nos tribunais a expropriação da actual refinaria Ñico López, em Havana, bem como de 117 postos de gasolina que operavam naquele país antes de 1959. A acção foi movida contra a Corporação Cimex e a União Cuba Petróleo (Cupet).
No passado dia 29 de janeiro, o presidente Trump emitiu uma ordem executiva que classificou Cuba como uma «ameaça extraordinária e invulgar» para os Estados Unidos e, para a enfrentar, ameaçou impor tarifas como medida coerciva contra países independentes e soberanos que exerçam o seu direito económico de vender ou fornecer combustível à nação caribenha.
A desculpa oficial para esta ordem executiva — que evidencia a extraterritorialidade do bloqueio — «é cumprir o disposto na Lei Helms-Burton, que exige que o povo cubano renuncie ao seu sistema económico e político como condição prévia para levantar a guerra económica unilateral e ilegal contra essa pequena nação em desenvolvimento», sublinhou o comunicado.
Ele lembrou que «como resultado, severas privações são impostas ao povo cubano, negando-lhe o acesso a combustível e à geração de eletricidade».
O secretário de Estado, Marco Rubio, está a usar os poderes que lhe foram concedidos não em benefício do povo americano — incluindo a maioria dos cubano-americanos que favorecem relações pacíficas e de desenvolvimento —, mas para promover os interesses de um pequeno grupo, acrescentou.
Esse pequeno grupo «de funcionários eleitos, política e financeiramente poderosos de um único estado, a Flórida, pretende falar falsamente em nome de todo o país», enfatizou o comunicado. Os participantes da manifestação anunciarão ações em andamento ou planjadas para que os cidadãos americanos contribuam para superar a situação humanitária gerada em Cuba pelas medidas do governo dos Estados Unidos, adotadas sem a aprovação do Congresso e contra a vontade do povo americano.
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