Os lares argentinos começam 2026 com uma onda de aumentos nos serviços essenciais
Os argentinos enfrentam aumentos nos serviços essenciais e em itens-chave do consumo familiar, num contexto de ajuste fiscal.
Desde 1 de janeiro de 2026, as famílias argentinas enfrentam uma nova onda de aumentos nos serviços essenciais, que afectam directamente o poder de compra de uma população já castigada pela inflação e pela estagnação salarial. Os itens afectados incluem transporte público, aluguer, planos de saúde, combustíveis e serviços básicos como electricidade, gás e água, no âmbito de uma política económica que prioriza o ajuste fiscal e a focalização de subsídios.
Este cenário desenrola-se após a aprovação do Orçamento 2026, que prevê uma inflacção anual de 10,1% — um número considerado optimista perante os aumentos mensais já em curso e da aceleração dos preços na economia real — e que inclui cortes significativos em áreas como Ciência e Educação. A secretária-geral do Sindicato Argentino de Docentes Privados (CTERA), Sonia Alesso, classificou esta situação como uma «catástrofe política», considerando que promove um modelo de país «para poucos» e coloca em risco o futuro do sistema educativo e científico em todos os seus níveis.
«Isto é pior do que o próprio menemismo, porque implica destruir todas as bases da educação pública», afirmou a líder sindical, ao mesmo tempo que alertou que o impacto da norma será especialmente grave nas províncias, onde manter os salários dos professores e os serviços básicos se tornará uma tarefa impossível. Perante esse panorama, ela previu que 2026 será um ano de “alta conflituosidade social”, marcado pela deterioração sem precedentes do sistema educacional público.
📹🇦🇷 | En Argentina, tras discutir el presupuesto universitario, el parlamento no aportó beneficios para estudiantes. Menos del 1% del PIB destinado a educación, un golpe crítico para el futuro.
— teleSUR TV (@teleSURtv) December 29, 2025
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Enquanto isso, na Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA), o preço mínimo das passagens de autocarro e comboio aumentou 4,5%, atingindo $619,37 na Cidade Autônoma de Buenos Aires e $685,11 na Província de Buenos Aires. Por sua vez, a tarifa do metro de Buenos Aires passou de $1.206 para $1.259 por viagem. Também foi registado um aumento na Verificação Técnica Veicular (VTV) no território de Buenos Aires: a partir de 16 de janeiro, o custo básico para carros particulares será de $97.057,65.
Contrariamente à tendência de queda observada nos meses anteriores, os alugueres regidos pela lei revogada sofrerão uma actualização anual de 36,39%, calculada de acordo com o Índice de Contratos de Locação (ICL).
Ao mesmo tempo, no sector da saúde, os planos pré-pagos aplicarão aumentos entre 2,2% e 2,9% em janeiro, afetando tanto as mensalidades como as coparticipações. Esses aumentos mensais têm sido uma constante desde que o governo de Javier Milei determinou a desregulamentação do sector, permitindo que as empresas ajustassem suas tarifas sem limites vinculados à inflacção.
Gremios de la educación y la agricultura en #Argentina 🇦🇷 han repudiado el Presupuesto 2026 aprobado el pasado jueves, tras nueve horas de debate, con 46 votos a favor, 25 en contra y una abstención https://t.co/vRuxuEiVOi
— teleSUR TV (@teleSURtv) December 28, 2025
Da mesma forma, os serviços de energia eléctrica também aumentaram: na AMBA, a Edenor aplicará um aumento de 2,31% e a Edesur de 2,24%. Esses aumentos somam-se ao novo esquema de Subsídios Energéticos Focalizados (SEF), que estabelece como limite de acesso aos subsídios uma renda familiar equivalente a três cestas básicas totais. Aqueles que ultrapassarem esse limite deixarão de receber assistência estatal nas suas contas.
O gás natural, por sua vez, terá um aumento de 0,53% sobre o valor no Ponto de Entrada no Sistema de Transporte (PIST), juntamente com um ajuste nas tarifas fixas que elevará as contas entre 2% e 3%.
O serviço de água potável sofrerá um dos maiores impactos: o governo autorizou um aumento de 16% para o primeiro trimestre de 2026, aplicado de forma escalonada com 4% mensal entre janeiro e abril. Isso põe fim ao esquema de 2025, que limitava os aumentos a 1% mensal. Para janeiro, a tarifa média da AySA será de $30.489 na zona «alta», $27.689 na «média» e $22.248 na «baixa».
Por último, o imposto sobre combustíveis líquidos e dióxido de carbono também aumentou em janeiro. Para as gasolinas, o aumento será de $17,291 por litro no imposto sobre combustíveis e $1,059 no imposto sobre CO₂. No caso do gasóleo, serão aplicados 14,390 pesos pelo imposto geral, 7,792 pesos pela alíquota diferencial e 1,640 pesos pelo imposto sobre o dióxido de carbono.
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