Venezuela

Venezuela denuncia agressão militar dos EUA durante reunião com António Guterres

O embaixador Moncada lamentou que a ONU não tenha agido com firmeza diante da ameaça e do uso da força pelos EUA contra a Venezuela.

O representante permanente da Venezuela nas Nações Unidas, Samuel Moncada, reuniu-se nesta quarta-feira com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para denunciar a agressão armada unilateral e injustificada perpetrada pelo governo dos Estados Unidos contra a soberania e a integridade territorial venezuelana na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026.

Durante o encontro bilateral, o diplomata venezuelano expôs minuciosamente os bombardeamentos executados em Caracas, bem como em cidades dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Moncada detalhou que a operação militar incluiu o envio em massa de aeronaves, helicópteros de combate e forças especiais, no âmbito de uma estratégia progressiva que remonta pelo menos ao mês de agosto de 2025, quando começou o acumulo de forças militares americanas no Caribe.

Os ataques deixaram dezenas de vítimas fatais e numerosos feridos, tanto civis como militares, além de causar danos significativos à infraestrutura civil, militar e estratégica, incluindo portos, aeroportos, centros de armazenamento de suprimentos médicos, habitações e sistemas de telecomunicações.

Moncada classificou a acção militar perpetrada pelos EUA como uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, e definiu-a como «um crime de agressão, um acto de guerra, um crime contra a paz e um crime contra a humanidade». Além disso, denunciou o sequestro do presidente Nicolás Maduro Moros e da primeira-dama, Cilia Flores, por meio do uso da força militar, o que, segundo ele, constitui uma clara violação das imunidades diplomáticas reconhecidas tanto pelo direito internacional consuetudinário quanto pela jurisprudência dos tribunais internacionais.

Quanto ao papel da ONU, o embaixador lamentou que a Organização não tivesse desempenhado um papel mais ativo para prevenir e condenar a ameaça e o uso da força por parte dos Estados Unidos contra a Venezuela. No entanto, destacou que a organização ainda tem «um papel importante a desempenhar» e estendeu um convite formal ao Secretário-Geral para visitar a Venezuela o mais rapidamente possível ou, na sua falta, designar um Enviado Pessoal que possa verificar em primeira mão as consequências dos ataques, o estado de paz social e política, a continuidade constitucional e o abastecimento total de alimentos e medicamentos.

Por sua vez, António Guterres reconheceu que a incursão militar dos Estados Unidos em território venezuelano representa uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. O Secretário-Geral expressou a sua preocupação com as repercussões desses factos na América Latina e no Caribe, região proclamada como Zona de Paz, e reafirmou a soberania permanente da Venezuela sobre os seus recursos naturais, enfatizando que “o petróleo da Venezuela pertence aos venezuelanos”.

Em relação ao convite, Guterres agradeceu a oferta e comprometeu-se a considerar uma visita ou o envio de um representante, ao mesmo tempo que ofereceu os seus bons ofícios para promover um diálogo nacional.

Fonte:

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