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“Desta vez estão a falar a sério”: Trump sobre as supostas negociações com o Irão

O líder afirmou que Teerão "quer a paz", razão pela qual terá aceitado a condição de não possuir armas nucleares.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que Teerão e Washington têm mantido conversações sobre a resolução do conflito no Médio Oriente, garantindo que, desta vez, se trata de negociações “sérias”.

Durante o seu discurso na mesa redonda do Grupo de Trabalho de Segurança de Memphis, o presidente salientou que os Estados Unidos têm vindo a negociar com o Irão há muito tempo, mas que, desta vez, “estão a falar a sério”.

“E é apenas graças ao excelente trabalho realizado pelo nosso Exército que agora estão a levar isto a sério. Querem chegar a um acordo, e vamos conseguir. Espero que sim. Portanto, com sorte, isto será possível”, afirmou Trump, sem dar mais detalhes. Anteriormente, vários altos responsáveis iranianos rejeitaram as informações sobre supostas conversações.

Neste contexto, acrescentou que “estão a manter muito boas conversações”, que tiveram início “ontem à noite”. “Acho que são muito boas. [Os iranianos] querem a paz. Aceitaram que não terão uma arma nuclear, é preciso concretizar isso. Mas eu diria que há uma possibilidade muito boa”, afirmou, reiterando a sua intenção de não atacar centrais nucleares e infraestructuras energéticas iranianas. “Espero que não tenhamos de o fazer. E espero que possamos chegar a um acordo que seja bom para todos nós, incluindo os aliados do Médio Oriente que têm sido muito bons para connosco, incluindo Israel”, assinalou Trump.

Resolução “completa e total”

Anteriormente, o inquilino da Casa Branca anunciou que Washington e Teerão mantiveram, nos últimos dois dias, conversações “muito positivas e produtivas” com vista a uma “resolução completa e total” das hostilidades no Médio Oriente. Trump afirmou que conseguiram definir “pontos importantes do acordo». «Diria que quase todos os pontos”, acrescentou, salientando que as conversações correram “muito bem”. “Se seguirem em frente com isso, esse conflito terminará”, acrescentou.

Além disso, Trump indicou que estão em contacto com o homem “mais respeitado” e que exerce funções de “líder” no Irão, esclarecendo que não se trata do novo líder supremo, Mojtabá Jameneí. “Ninguém tem notícias dele […] não sabemos se ainda está vivo”, afirmou.

No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano salientou que não existe qualquer diálogo em curso entre Teerão e Washington, afirmando que as declarações do presidente norte-americano se inscrevem no âmbito de “tentativas para reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar os seus planos militares”.

Da mesma forma, o porta-voz do organismo, Esmail Baghaei, ao responder a uma pergunta sobre o recuo dos Estados Unidos relactivamente à sua postura ameaçadora contra as infraestruturas vitais do Irão, afirmou  que, nos últimos dias, foram recebidas, “através de alguns países amigos, mensagens que continham o pedido dos Estados Unidos para negociar o fim da guerra”.  Além disso, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros negou que tenha havido qualquer negociação ou conversa com os Estados Unidos ao longo dos 24 dias de conflito e reiterou que a posição de Teerão relativamente ao estreito de Ormuz e às condições para o fim da guerra “não mudou de forma alguma”.

Ataque contra o Irão

  • Na madrugada de sábado, 28 de fevereiro, Israel os EUA lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irão com o objetivo declarado de “eliminar as ameaças” da República Islâmica.
  • Os bombardeamentos causaram a morte do líder supremo do Irão, o ayatolá Ali Khamenei,  e de vários altos responsáveis militares, entre os quais o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtabá Jameneí, filho do falecido líder supremo, foi eleito como seu sucessor.
  • Desde o início das hostilidades, mais de 1 300 civis morreram no Irão e mais de 18 000 pessoas ficaram feridas, segundo as autoridades do país. Além disso, milhares de infraestruturas civis, habitações, centros médicos e escolas foram destruídas ou gravemente danificadas.
  • Em retaliação à agressão, Teerão lançou dezenas de ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e contra bases norte-americanas em países do Médio Oriente. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques massivos, que atingiram “instalações petrolíferas ligadas aos Estados Unidos” em vários países do Médio Oriente, em resposta aos ataques contra a sua infraestrutura energética.
  • Além disso, o Irão bloqueou quase totalmente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde circulam cerca de 20 % de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que fez disparar os preços dos combustíveis.

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