A Trump já não basta ser o rei do seu império decadente; agora quer ser Deus sobre as ruínas da Humanidade
Já não é o futuro do Irão que está em jogo, mas sim o futuro da Humanidade, dependendo da mobilização dos povos do mundo pela paz e da derrota do imperialismo em todos os domínios
Como já referi em artigos anteriores, a agressividade, a virulência e as ameaças grandiloquentes dos EUA não se devem à sua força, mas, pelo contrário, à sua infinita fraqueza. Não se trata apenas da demonstração dos delírios de um monarca psicopata com aspirações de ser Deus, como Donald Trump, mas também do profundo e patológico desespero de um império que sabe que os seus dias como potência hegemónica já passaram. E que se agarra à sua posição e ataca os povos do mundo como uma fera mortalmente ferida à beira do abismo.
Há alguns analistas que pensam que «toda esta história da guerra é fruto de um cálculo minucioso do imperialismo», mas nem tudo é «tão calculado nos EUA». E agora os EUA são capazes, no seu desespero, de agir como a criança que parte o brinquedo para que ninguém possa brincar; a única diferença é que esse brinquedo é o mundo, não estamos a falar de soldadinhos de chumbo, mas de seres humanos, famílias, povos; não estamos a falar de um jogo, mas de estarmos às portas de um ataque nuclear. Porque, se ainda restar alguma dúvida, era a isso que Trump se referia quando twittou que, no final do prazo do ultimato, ou seja, na manhã de quarta-feira “esta noite uma civilização morrerá”, já não lhe basta ser Rei, agora quer ser Deus.
A guerra, esta guerra, é um acto desesperado dos EUA, porque fracassaram na sua tentativa de golpe de Estado no Irão há alguns meses. Agora, no seu desespero, cometeram o grave erro de atacar o país. Os ataques contra a população civil não são «erros de cálculo», são uma política de terrorismo, de castigos colectivos contra o povo do Irão por apoiar a Revolução Islâmica e fazer fracassar os projectos imperialistas na região. Mas o seu desespero deve-se não só à derrota dos seus planos de desestabilização contra o Irão, mas é também uma resposta ao seu fracasso nos planos político, comercial e económico face ao avanço da Rússia e da China, por intermédio dos BRICS, no Médio Oriente. O pano de fundo desta guerra não é apenas a intenção dos EUA e de «Israel» de forçar uma mudança de «regime no Irão», mas a sobrevivência do dólar como moeda de câmbio mundial e do imperialismo como policia internacional.
Estamos, sem dúvida, a caminhar para uma mudança de paradigma na indústria, na tecnologia militar e nas formas de combate. Mas, face às teorias da conspiração que sustentam que «os EUA estão a livrar-se de material bélico obsoleto», vale a pena esclarecer que, para potências cuja receita depende em grande parte da venda de armas, mostrar que os seus produtos são destruídos no campo de batalha não é a melhor forma de propaganda.
O mito da superioridade militar desmascarado
Só para dar um exemplo: a quem é que «Israel» vai vender o IRON DOME depois de este ter sido destruído pelos mísseis e drones iranianos? A quem é que «Israel» vai vender os seus tanques Merkava depois de haver mais de 60 Merkavas a arder no Líbano como latas de sardinha? E onde fica a suposta superioridade tecnológica dos EUA quando o Irão destruiu: um caça F-35 (no valor de 110 milhões de dólares), quatro caças F-15E (no valor total de 360 milhões de dólares), um avião A-10 (no valor de 18,8 milhões de dólares), um avião AWACS E-3 (no valor de 700 milhões de dólares), oito aviões-tanque de reabastecimento (no valor total de 320 milhões de dólares), três helicópteros HH-60M e HH-60W (no valor total de 60 milhões de dólares) e 17 drones MQ-9 dos Estados Unidos (no valor total de 510 milhões de dólares).
A esta lista deve acrescentar-se um helicóptero norte-americano Chinook que foi destruído há dois dias no Kuwait. Falemos agora dos radares: o Irão, que, ao contrário dos EUA, há anos que se prepara para este conflito destruiu todos os radares e sistemas de comando das defesas antiaéreas, incluindo os radares mais valiosos do Pentágono, um AN/TPY-2 do sistema antimísseis THAAD, avaliado em cerca de 300 milhões de dólares, que faz parte de um equipamento que pode custar cerca de mil milhões de dólares no total. Esta acção de cegar o inimigo obrigou os EUA a uma tentativa desesperada de reposição de radares noutras áreas para evitar que fossem destruídos e transferir recursos para substituir os aparelhos eliminados. É por isso que um ataque do Irão à Base Aérea de Prince Sultan, na Arábia Saudita, destruiu um avião radar E-3 Sentry, conhecido como Awacs, e avaliado pela agência Bloomberg em pelo menos 300 milhões de dólares. Se a isto somarmos a destruição das bases americanas em nove países do Médio Oriente e a evacuação dos seus soldados para posições de retaguarda, não estamos apenas a assistir a uma «enorme e inédita derrota económica dos EUA», estima-se que só no primeiro dia de ataque, na primeira vaga (já foram mais de 95 vagas de ataques iranianos), os EUA perderam dois mil milhões de dólares e bases militares que levaram 20 anos a construir. Ao custo económico há que acrescentar a derrota estratégica, uma vez que o valor militar das bases militares norte-americanas era «intimidar o Irão e a resistência» e servir de cabeça de praia para possíveis ataques. Hoje, com a sua destruição, a frente de guerra alarga-se para os EUA, exigindo não só um maior custo económico, mas também logístico para os seus ataques, uma vez que os aviões têm um tempo de autonomia e precisam de reabastecimento no ar, os radares estão destruídos, os equipamentos de comando antiaéreo estão destruídos e a cúpula de ferro não consegue interceptar nem uma mosca, as munições interceptoras não só escasseiam, como, sem radares, não sabem para onde apontar, e as tropas ianques estão expostas à fadiga devido às evacuações de emergência, à falta de reforços e à baixa moral causada pelos ataques.
Aprofundando o tema da evolução tecnológica na guerra, face ao fracasso comprovado no campo de batalha da indústria de armamento norte-americana e israelita, as potências vencedoras são o Irão, a China e a Rússia, uma vez que demonstraram que os seus sistemas de guerra electrónica, os seus drones, as suas defesas antiaéreas, o seu desenvolvimento de mísseis e a sua estratégia militar estão a derrotar, para não dizer a esmagar, os EUA, «Israel» e os seus aliados da OTAN.
Do fracasso e da crise política interna às operações de propaganda
Por todas estas razões, não se trata de «uma guerra planeada pelos EUA», mas sim de um fracasso retumbante. É a isso que se deve a substituição de toda a cúpula militar dos EUA. As críticas dentro das próprias forças armadas dos EUA à guerra contra o Irão estão a aumentar a tal ponto que os próprios militares estão a sabotar o seu equipamento para evitar ir para a linha da frente. Tal como fizeram com um dos porta-aviões.
Na falta de resultados, o imperialismo precisa de propaganda. Foi nisso que se baseou «a encenação hollywoodiana da falsa operação de resgate».
E se não tiver sido uma operação de resgate e o que se procurou encobrir foi o fracasso de uma invasão? Não é preciso ser analista militar para perceber que a zona invadida pelos EUA na suposta operação de resgate é a província de Isfahan, no Irão, onde se encontra o Centro de Tecnologia Nuclear de Isfahan (INTC), o maior complexo de investigação nuclear do país… será uma coincidência?
A isto há que acrescentar as declarações do ex-agente da CIA Larry Johnson: «O Pentágono mente às pessoas. O avião F-15 norte-americano abatido no Irão estava, na verdade, a preparar-se para um ataque terrestre em grande escala contra as instalações nucleares de Natanz. A missão de resgate foi um desastre total».
Estas declarações estão em consonância com o pessoal e o equipamento militar utilizados. De acordo com relatórios dos serviços secretos: Na madrugada de 5 de abril de 2026 (16 de Farvardín de 1404), quatro aviões C-130 dos Estados Unidos pertencentes ao 160.º Esquadrão SOAR (A), também conhecido como os «Night Stalkers» (Regimento de Aviação de Operações Especiais), cuja missão principal é o apoio aéreo a forças especiais como a Delta Force, os Army Rangers, os Green Berets e, ocasionalmente, os SEALs, dirigiram-se a um aeródromo abandonado em Dasht-e Mahyar, a 20 km a norte da cidade de Shahreza. Transportavam a bordo aproximadamente 80 comandos da Delta Force norte-americana. Além disso, seis caças (dois F-35, dois F-16 e dois F-15) e pelo menos seis drones de ataque e vigilância apoiavam esta missão.
Cada avião Hercules transportava, além dos comandos, um helicóptero leve MH-6M Little Bird e um helicóptero AH-6 Little Bird, equipados com sistemas de navegação digital, visão noturna avançada, motor mais potente, capacidade de reabastecimento em voo, e com vantagens como o seu tamanho reduzido, baixo nível de ruído, alta manobrabilidade e capacidade de aterragem em espaços muito reduzidos (no total, oito helicópteros).
Esta configuração é normalmente utilizada para duas operações simultâneas com 20 comandos por equipa terrestre em helicópteros MH-6, além de dois helicópteros AH-6 para apoio aéreo aproximado, em combinação com drones de ataque e caças.
Cada helicóptero demora cerca de 20 minutos a preparar-se para o voo. Os especialistas da equipa começam a montar os motores e a ligar os helicópteros imediatamente após a aterragem dos Hercules.
Dasht-e Mahyar fica perto de várias bases importantes de mísseis no Irão, e a zona de aterragem situava-se a pouca distância da instalação de enriquecimento mais segura do Irão, à qual não é possível aceder através de bombardeamentos aéreos convencionais.
Segundo outras informações, no local do acidente envolvendo dois aviões C-130 e três helicópteros, ou seja, entre os destroços do equipamento da suposta operação de resgate, foi encontrado um passaporte em nome de Morán Sagron; ao investigar esta pessoa, descobriu-se que não é fuzileiro naval, nem sequer soldado, mas sim engenheiro mecânico especializado em tecnologias nucleares.
E se o tão alardeado «resgate» não tiver sido uma manobra de diversão para encobrir a vergonhosa derrota de uma tentativa de invasão terrestre e de um ataque a uma central nuclear iraniana? E se fosse assim, não seria mais uma prova do fracasso e do elevado número de baixas que os EUA teriam na sua tentativa de invasão militar terrestre do Irão? Por fim, o que terá a ver o fracasso desta invasão com a ameaça de Trump de «fazer desaparecer uma civilização»?
A ameaça nuclear de Trump deve-se à impossibilidade de derrotar o Irão e o seu povo através de uma guerra convencional
A operação de invasão fracassada enviou uma mensagem clara e inequívoca ao Exército dos EUA: qualquer tentativa de os fuzileiros navais pisarem solo iraniano será repelida e terá um custo enorme para o seu equipamento e pessoal. Donald Trump sabe que o tempo é o seu pior inimigo. Que quanto mais tempo permanecer no Irão, a sua imagem desmorona-se, aumenta o descontentamento da sua população e, pior ainda, a crise estende-se até «Israel», com importantes mobilizações contra a guerra. E, além disso, o Hezbollah não só repeliu a invasão do Líbano, como, num acontecimento sem precedentes, fez recuar as tropas sionistas até ao próprio território israelita. Perante esta série de derrotas, resta a Donald Trump uma última carta. O ataque nuclear. Um ataque que, além disso, está a ser apoiado pelos lobbies sionistas. E que já tinha sido anunciado pela demissão do diplomata libanês Mohamad Safa do seu cargo na ONU, quando afirmou: «Não creio que as pessoas compreendam a gravidade da situação, uma vez que a ONU se está a preparar para uma possível utilização de armas nucleares no Irão. Esta é uma foto de Teerão. Para vocês, os ignorantes, que nunca viajaram, que nunca serviram, falcões de guerra que se deliciam com a ideia de bombardeá-la: não é um deserto pouco povoado. Lá há famílias, crianças, animais de estimação. Pessoas trabalhadoras normais, com sonhos. Vocês estão doentes se desejam a guerra».
Agora, uma semana após aquela denúncia, dois dias após a sua tentativa frustrada de invasão e depois de ter sofrido a pior das derrotas às mãos do Irão, afirma: «Esta noite, uma civilização deixará de existir».
Isto reafirma o que tenho defendido desde o início da guerra contra o Irão. A guerra dos EUA contra o Irão é uma guerra contra toda a humanidade. O plano das elites mundiais é redesenhar o mundo e as suas instituições, incluindo redesenhar o ser humano de acordo com as suas necessidades. Para isso, precisam da guerra. É preciso estar atento ao que se passa, porque os EUA (e as elites que governam o mundo), no seu desespero, são capazes de lançar um ataque nuclear contra o Irão. E isso seria o início formal do fim do mundo tal como o conhecemos.
O povo iraniano, numa das suas inúmeras demonstrações de amor pela pátria e de coragem, saiu às ruas para proteger as suas pontes, as suas centrais eléctricas e outros locais estratégicos.
Já não é o futuro do Irão que está em jogo, mas sim o futuro da humanidade, e isso depende da mobilização dos povos do mundo pela paz e da derrota do imperialismo em todos os domínios.
Autor:
Leonardo Herrmann | Secretário-geral da FIEL, diretor da INTIFADA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PALESTINAS, membro do Comité Argentino de Solidariedade com o povo palestiniano e integrante da Frente pela Liberdade dos Presos Políticos da América Latina e do Mundo.
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