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A guerra “paralela” em que o Irão leva a melhor sobre os EUA

Teerão tem intensificado a divulgação de conteúdos satíricos, vídeos gerados por inteligência artificial e mensagens com tom irónico dirigidas a figuras políticas ocidentais.

O Irão está a intensificar a sua atividade na chamada «guerra de informação» do conflito com os Estados Unidos, com uma presença cada vez mais ativa nas redes sociais e em campanhas digitais dirigidas a públicos internacionais.

Através de contas ligadas ao seu aparelho diplomático e estatal, o país tem aumentado  a divulgação de conteúdo satíricovídeos gerados por inteligência artificial e mensagens com tom irónico dirigidas a figuras políticas ocidentais, especialmente do meio norte-americano e israelita.

A antropóloga e especialista em comunicação iraniana Narges Bajoghli, professora da Universidade Johns Hopkins, defende que o Irão conseguiu impor-se no terreno da comunicação do conflito. Segundo explicou, as guerras não se travam apenas no campo de batalha, mas também no espaço mediático, onde Teerão conseguiu «monopolizar» a narrativa, especialmente nas redes sociais a nível global.

Bajoghli salienta que esta vantagem se deve, em grande parte, ao papel de uma geração jovem de criadores digitais iranianos, a quem foi dada liberdade para produzir conteúdos adaptados à linguagem da Internet. De acordo com a sua análise, estas mensagens conseguiram ultrapassar fronteiras ideológicas e tornar-se virais em diferentes setores do espectro político, algo pouco comum, o que demonstra uma capacidade invulgar de influenciar o debate digital internacional.

Estas publicações têm ganho visibilidade nas plataformas digitais, acumulando, em alguns casos, dezenas de milhares de interações. Parte do conteúdo recorre a referências culturais ocidentais, incluindo formatos virais e animações, para ampliar o seu alcance fora do Irão.

A estratégia desenvolve-se num contexto interno marcado por fortes restrições ao acesso à Internet, o que limita a circulação de informação dentro do país, mas não impede a atividade dos canais oficiais voltados para o exterior.

Entre os conteúdos divulgados incluem-se representações humorísticas de líderes políticos ocidentais e mensagens que procuram questionar a narrativa de Washington sobre o conflito. Também têm circulado publicações que associam figuras internacionais a controvérsias políticas, sendo o caso Epstein o mais notável.

Paralelamente, a Casa Branca adoptou uma estratégia de comunicação muito mais agressiva, combinando imagens de operações militares com referências à cultura pop, aos videojogos e ao cinema. Esta abordagem tem sido criticada por sectores militares e políticos que consideram que ela banaliza o conflito e pode gerar confusão quanto à gravidade do confronto.

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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