Cuba

Milhares de cubanos comemoram o 65.º aniversário da proclamação do caráter socialista da Revolução

Milhares de cubanos reuniram-se esta quinta-feira em Havana para comemorar o 65.º aniversário da proclamação do carácter socialista da Revolução, reafirmar o seu carácter anti-imperialista no meio de repetidas ameaças de agressão por parte dos EUA e manifestar a determinação de defender com a vida o projecto revolucionário, se necessário.

A cerimónia comemorativa foi presidida pelo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, juntamente com outras autoridades do Partido Comunista de Cuba (PCC) e do Estado. Para além de diversos sectores populares, entre os participantes contavam-se jovens, estudantes, trabalhadores e uma numerosa delegação de combatentes das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior. Não faltaram os combatentes veteranos que repeliram a invasão mercenária em Playa Girón, em 1961, e participantes do quinto colóquio internacional «Patria», que tem início esta quinta-feira na capital cubana.

Foram evocadas as palavras do líder histórico da Revolução cubana, Comandante-Chefe Fidel Castro Ruz: «O que os imperialistas não nos conseguem perdoar é o facto de estarmos aqui, o que os imperialistas não nos conseguem perdoar é a dignidade, a integridade, a coragem, a firmeza ideológica, o espírito de sacrifício e o espírito revolucionário do povo de Cuba (…) É isso que não nos conseguem perdoar, que estejamos ali mesmo debaixo do nariz deles e que tenhamos feito uma Revolução socialista debaixo do próprio nariz dos Estados Unidos!”.

A mobilização popular tornou-se uma tribuna para denunciar os danos causados pelo bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA contra Cuba, política de guerra à qual, recentemente, a Administração Trump acrescentou um bloqueio energético de alcance extraterritorial para asfixiar a Revolução.

O presidente Díaz-Canel salientou que Cuba não deseja uma guerra e exortou os cubanos a estarem preparados para pegar em armas e combater uma invasão norte-americana, caso esta venha a ocorrer. Foto: teleSUR

Ao dirigir-se ao povo, o presidente Díaz-Canel evocou a epopeia revolucionária de abril de 1961 e descreveu a proclamação do carácter socialista da Revolução como um dia que «mudou a história, e não apenas para Cuba».

Condenou o bloqueio criminoso imposto pelos EUA contra Cuba há mais de 60 anos. Salientou que este faz parte da guerra multidimensional do imperialismo contra a Revolução e que constitui o maior obstáculo ao desenvolvimento do país. Afirmou que Cuba é um Estado ameaçado que não se rende, que resiste, cria e que vencerá.

Além disso, deixou claro que apesar da disponibilidade para dialogar com os EUA a fim de resolver as divergências nas relações bilaterais, existe o risco de uma invasão. Exortou os cubanos a estarem prontos para pegar em armas e combatê-la, caso isso venha a acontecer. «Não a queremos, mas é nosso dever prepararmo-nos para evitá-la e, se for inevitável, vencê-la».

Ao acto de reafirmação revolucionária realizado na capital cubana juntaram-se outros de carácter semelhante, protagonizados pelo povo em toda a ilha. Neles ficou patente a determinação dos cubanos em defender o projecto revolucionário e não ceder perante a arrogância e a prepotência de Trump e da sua administração belicista.

A proclamação do carácter socialista da Revolução ocorreu a 16 de abril de 1961, durante as cerimónias fúnebres das vítimas dos bombardeamentos perpetrados pelos EUA contra vários pontos do território nacional, que causaram a morte de 7 pessoas e deixaram numerosos feridos. Estes ataques foram o prelúdio da invasão de uma brigada mercenária em Playa Girón, que contou com apoio logístico e financeiro da Casa Branca e foi armada e treinada pela Agência Central de Inteligência (CIA).

Perante a multidão que se reuniu para se despedir dos falecidos, junto ao cemitério Cristóbal Colón, em Havana, Fidel Castro afirmou: «Camaradas operários e camponeses, esta é a revolução socialista e democrática dos humildes, com os humildes e para os humildes. E por esta Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes, estamos dispostos a dar a vida».

No meio da multidão, milhares de milicianos ergueram as armas e manifestaram a sua determinação em defender a pátria. Essa data ficou na história nacional como o Dia do Miliciano.

Esse ato marcou também o prelúdio da agressão norte-americana, que teve início na madrugada de 17 de abril em Playa Girón, a sul da província de Matanzas. A invasão foi derrotada em menos de 72 horas.

Também a 16 de abril de 1961 ocorreu a união informal do Movimento 26 de Julho, do Diretório Revolucionário e do Partido Socialista Popular, organizações que enfrentaram a ditadura de Fulgencio Batista e que, embora partilhassem objectivos, tinham agendas e perspectivas díspares. (Esse passo concretizou-se a 3 de outubro de 1965, quando o PCC foi formalmente constituído e foram eleitos os membros do Comité Central, entre os quais o seu líder máximo, Fidel).

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