Milhares de cubanos comemoram o 65.º aniversário da proclamação do caráter socialista da Revolução
Milhares de cubanos reuniram-se esta quinta-feira em Havana para comemorar o 65.º aniversário da proclamação do carácter socialista da Revolução, reafirmar o seu carácter anti-imperialista no meio de repetidas ameaças de agressão por parte dos EUA e manifestar a determinação de defender com a vida o projecto revolucionário, se necessário.
A cerimónia comemorativa foi presidida pelo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, juntamente com outras autoridades do Partido Comunista de Cuba (PCC) e do Estado. Para além de diversos sectores populares, entre os participantes contavam-se jovens, estudantes, trabalhadores e uma numerosa delegação de combatentes das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior. Não faltaram os combatentes veteranos que repeliram a invasão mercenária em Playa Girón, em 1961, e participantes do quinto colóquio internacional «Patria», que tem início esta quinta-feira na capital cubana.
#ENVIVO | Miles de cubanos se concentran en las calles de #LaHabana en conmemoración de los 65 años de la proclamación del carácter socialista de la revolución. pic.twitter.com/vgasQCe9P3
— teleSUR TV (@teleSURtv) April 16, 2026
Foram evocadas as palavras do líder histórico da Revolução cubana, Comandante-Chefe Fidel Castro Ruz: «O que os imperialistas não nos conseguem perdoar é o facto de estarmos aqui, o que os imperialistas não nos conseguem perdoar é a dignidade, a integridade, a coragem, a firmeza ideológica, o espírito de sacrifício e o espírito revolucionário do povo de Cuba (…) É isso que não nos conseguem perdoar, que estejamos ali mesmo debaixo do nariz deles e que tenhamos feito uma Revolução socialista debaixo do próprio nariz dos Estados Unidos!”.
A mobilização popular tornou-se uma tribuna para denunciar os danos causados pelo bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA contra Cuba, política de guerra à qual, recentemente, a Administração Trump acrescentou um bloqueio energético de alcance extraterritorial para asfixiar a Revolução.

Ao dirigir-se ao povo, o presidente Díaz-Canel evocou a epopeia revolucionária de abril de 1961 e descreveu a proclamação do carácter socialista da Revolução como um dia que «mudou a história, e não apenas para Cuba».
Condenou o bloqueio criminoso imposto pelos EUA contra Cuba há mais de 60 anos. Salientou que este faz parte da guerra multidimensional do imperialismo contra a Revolução e que constitui o maior obstáculo ao desenvolvimento do país. Afirmou que Cuba é um Estado ameaçado que não se rende, que resiste, cria e que vencerá.
Além disso, deixou claro que apesar da disponibilidade para dialogar com os EUA a fim de resolver as divergências nas relações bilaterais, existe o risco de uma invasão. Exortou os cubanos a estarem prontos para pegar em armas e combatê-la, caso isso venha a acontecer. «Não a queremos, mas é nosso dever prepararmo-nos para evitá-la e, se for inevitável, vencê-la».
#ENVIVO | #Cuba conmemora el 65 aniversario de la Declaración del Carácter Socialista de su Revolución.
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Este acto evoca el 16 de abril de 1961, cuando el comandante en jefe, Fidel Castro proclamó, el rumbo socialista tras los bombardeos.
El evento también marca el inicio del V… pic.twitter.com/QcODLTg857
Ao acto de reafirmação revolucionária realizado na capital cubana juntaram-se outros de carácter semelhante, protagonizados pelo povo em toda a ilha. Neles ficou patente a determinação dos cubanos em defender o projecto revolucionário e não ceder perante a arrogância e a prepotência de Trump e da sua administração belicista.
A proclamação do carácter socialista da Revolução ocorreu a 16 de abril de 1961, durante as cerimónias fúnebres das vítimas dos bombardeamentos perpetrados pelos EUA contra vários pontos do território nacional, que causaram a morte de 7 pessoas e deixaram numerosos feridos. Estes ataques foram o prelúdio da invasão de uma brigada mercenária em Playa Girón, que contou com apoio logístico e financeiro da Casa Branca e foi armada e treinada pela Agência Central de Inteligência (CIA).
Perante a multidão que se reuniu para se despedir dos falecidos, junto ao cemitério Cristóbal Colón, em Havana, Fidel Castro afirmou: «Camaradas operários e camponeses, esta é a revolução socialista e democrática dos humildes, com os humildes e para os humildes. E por esta Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes, estamos dispostos a dar a vida».
No meio da multidão, milhares de milicianos ergueram as armas e manifestaram a sua determinação em defender a pátria. Essa data ficou na história nacional como o Dia do Miliciano.

Esse ato marcou também o prelúdio da agressão norte-americana, que teve início na madrugada de 17 de abril em Playa Girón, a sul da província de Matanzas. A invasão foi derrotada em menos de 72 horas.
Também a 16 de abril de 1961 ocorreu a união informal do Movimento 26 de Julho, do Diretório Revolucionário e do Partido Socialista Popular, organizações que enfrentaram a ditadura de Fulgencio Batista e que, embora partilhassem objectivos, tinham agendas e perspectivas díspares. (Esse passo concretizou-se a 3 de outubro de 1965, quando o PCC foi formalmente constituído e foram eleitos os membros do Comité Central, entre os quais o seu líder máximo, Fidel).
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