Artigos de OpiniãoPaulo Da Silva

A Gota, o Oceano e o Machete

Uma gota. Pequena. Quase invisível. Uma gota que, sozinha, não faz ondas, não faz ruído, não faz história. Apenas existe. Apenas persiste. Apenas resiste.

Mas o oceano, aprendi, não se faz de gigantes isolados. Faz-se de gotas. Milhões delas. Gotas que se juntam sem saber que estão a formar a corrente. Gotas que, sem alarde, vão preenchendo o espaço; até que, um dia, o oceano está ali. Imenso. Inegável.

E no meio desse oceano, há quem pegue no machete. Não um machete de aço forjado em guerra. Um machete de trabalho, de persistência, de convicção. É o machete de Maceo; o homem que não pedia licença, que não esperava ordens, que simplesmente pegava na ferramenta e lutava. Com ela, abria caminho na floresta. Com ela, enfrentava o inimigo. Com ela, não se vergava.

O nosso machete, hoje, tem muitas formas. É uma página digital que denuncia o bloqueio. São os artigos traduzidos nas madrugadas, enquanto o mundo dorme. São as entrevistas que dão voz a quem a tem, mas precisa de um palco. São as esperas por navios no horizonte, as caminhadas silenciosas pela solidariedade. Não é um machete que se vê. É um que se sente. Quem precisa, sabe que ele está ali – afiado, pronto, disponível.


A Revolução é um Oceano que se faz de Gotas

O 65.º aniversário da proclamação do carácter socialista da Revolução Cubana, celebrado a 16 de abril, não foi apenas um marco histórico. Foi a prova viva de que o oceano da resistência se renova a cada geração. Milhares de cubanos reuniram-se em Havana; jovens, estudantes, trabalhadores, veteranos de Playa Girón e combatentes das Forças Armadas Revolucionárias. Estavam ali as gotas de ontem e as gotas de hoje. Juntas, formavam a mesma corrente.

Perante a multidão, o presidente Miguel Díaz-Canel evocou a epopeia de 1961. Descreveu aquele dia como um momento que «mudou a história, e não apenas para Cuba». Condenou o bloqueio criminoso que há mais de 60 anos estrangula a ilha, agora agravado por um bloqueio energético de alcance extraterritorial. E deixou claro: Cuba é um Estado ameaçado que não se rende. Que resiste. Que cria. Que vencerá.


A Gota que não se Rende

As palavras de Fidel, evocadas naquela cerimónia, soam como um eco de todos os tempos:

«O que os imperialistas não nos conseguem perdoar é o facto de estarmos aqui, debaixo do seu nariz, e termos feito uma Revolução socialista.»

O que eles não perdoam é a dignidade. A coragem. A firmeza ideológica. O espírito revolucionário de um povo.

E esse povo, camarada, é feito de gotas. Gotas que se recusam a secar. Gotas que, mesmo sob o sol mais forte, mantêm a sua consistência. Gotas que, juntas, formam um oceano que o império não consegue atravessar.


O Machete que se Forja na Solidariedade

O machete de Maceo, hoje, tem muitas formas. Para uns, é a página digital que denuncia o bloqueio. Para outros, a tradução de artigos que trazem a verdade sobre Cuba a quem não a conhece. Para muitos, é a simples disponibilidade para estar na rua, na manifestação, no grupo de solidariedade, na conversa que planta uma semente.

No 65.º aniversário, milhares de cubanos voltaram a pegar no machete. Não o machete de aço – embora Díaz-Canel tenha exortado os cubanos a estarem prontos para pegar em armas se uma invasão se concretizar. Pegaram no machete da memória, da resistência pacífica, da determinação inabalável. E ao fazê-lo, mostraram ao mundo que o oceano não se esgotou. Que as gotas continuam a juntar-se. Que o machete continua afiado.


Milhões de gotas

Somos milhões de gotas que, todos os dias, dedicam horas à luta. Sobre os que não estão no palco, mas constroem o oceano. Sobre os que, mesmo sem aplausos, continuam.

Porque a luta, camarada, não é de um. É de todos. E cada um, à sua maneira, empunha o seu machete. Uns com o teclado. Outros com a voz. Outros com a simples coragem de estar onde doí.

Continuo a sentir-me uma gota. Mas aprendi que as gotas, quando se juntam, formam o oceano. E que o machete, quando é empunhado com lealdade, corta mais fundo do que qualquer espada.

Todas as gotas, juntas, formam o oceano. E o oceano, camarada, não se quebra.


Patria o muerte! Venceremos!

E que as gotas continuem a juntar-se – e o oceano, a crescer.

Paulo Jorge da Silva | Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negoceiam.

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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