Lavrov comenta as linhas vermelhas e a paciência da Rússia
O ministro dos Negócios Estrangeiros denunciou que o Ocidente tenta transformar a Ucrânia num «gatilho» para uma ameaça global e descreveu o conflito russo-ucraniano como «uma guerra contra a Rússia que o Ocidente vem preparando há anos».
A paciência da Rússia não é ilimitada e pode esgotar-se, advertiu este sábado o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguéi Lavrov, que acusou o Ocidente de ultrapassar repetidamente as «linhas vermelhas» de Moscovo empurrando a Ucrânia para um conflito mais alargado.
Assim, rejeitou o que classificou como a crescente percepção ocidental de que a Rússia é incapaz de responder às provocações. Nesse contexto, citou os relatos sobre a utilização do espaço aéreo de vários Estados-Membros da OTAN por parte do regime de Kiev para realizar ataques com drones em território russo como mais uma violação das «linhas vermelhas» de Moscovo, e alertou contra a tendência de menosprezar o país euro-asiático, rotulando-o de «tigre de papel» no meio da sua aparente moderação.
«Talvez alguns nos chamem de “tigre de papel”, tal como o presidente norte-americano, Donald Trump, chamou à OTAN. Mas eu alertaria contra tais comparações», afirmou durante uma intervenção no Fórum Diplomático de Antália, na Turquia. «A paciência é uma qualidade inerente ao nosso carácter. Dizemos que Deus perseverou e nos ordenou que fizéssemos o mesmo. Mas, a certa altura, a paciência esgota-se», explicou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou que Moscovo evitou deliberadamente definir as suas «linhas vermelhas» exactas, sugerindo que a própria ambiguidade funciona como um elemento dissuasor. “Acho que, na verdade, é bom que ninguém perceba onde está essa ‘linha vermelha’”, afirmou, sublinhando que a Rússia é capaz de agir se for necessário. “O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou repetidamente que temos uma resposta”, acrescentou.
«Factor desencadeante» de uma ameaça global
No meio do contínuo apoio militar ocidental a Kiev, Lavrov afirmou que a crise se insere num padrão histórico mais amplo, apontando os membros europeus da Aliança Atlântica como os seus principais impulsionadores. Além disso, denunciou que o Ocidente tenta transformar a Ucrânia num «gatilho» de uma ameaça global e descreveu o conflito como «uma guerra contra a Rússia que o Ocidente vem preparando há anos».
No que diz respeito à OTAN, cujo futuro foi posto em causa face às críticas e ameaças do presidente norte-americano, o chefe da diplomacia russa afirmou que o bloco “não está no seu melhor momento”, embora não preveja que venha a ser substituído. Em contrapartida, previu que continuará a ser «um bloco agressivo» apesar das tensões internas.
- A Rússia afirmou em várias ocasiões que os países ocidentais desencadearam uma guerra indireta contra ela através da Ucrânia, citando a expansão da OTAN como uma das principais causas do conflito. Moscovo insiste que qualquer solução duradoura deve abordar a expansão da aliança para leste, o alinhamento militar da Ucrânia com o Ocidente e o reconhecimento das novas fronteiras da Rússia.
- Ao longo do último ano, a Rússia e a Ucrânia realizaram várias rondas de conversações directas, a par de reuniões trilaterais em que participaram os EUA, mas o processo de paz estagnou.
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