Cuba

Vítimas de um atentado terrorista contra a Embaixada de Cuba em Portugal

Num dia como hoje, morrem as vítimas de um atentado terrorista contra a Embaixada de Cuba em Portugal: Adriana Corcho, de 35 anos, e Efrén Monteagudo, de 33 anos.

Esta é a história…
 
O acaso existe. Quem duvidar disso deve saber que foi apenas graças a ele que, naquele dia, uma dezena de crianças não morreu no ataque terrorista. Era a semana de férias escolares e, ao meio-dia, saíram para passear com as crianças, cerca de 10 de idades diferentes; depois, regressaram à pequena escola, situada a vários quilómetros da embaixada, porque tinham preparado uma festa para as crianças; foi por isso que demoraram a regressar à embaixada e foi por isso que salvaram as suas vidas.
 
Depois de falar com Alberto, um dos guardas, e com Efrén, Adriana dirige-se ao gabinete do embaixador, no sexto andar, e Efrén ao seu, no quinto, sede do consulado. Por volta das 14h10, Adriana e uma colega chamada Elena foram buscar Alberto, preocupadas por sentirem cheiro a pólvora.
 
Alberto saiu para o átrio e viu que a zona do elevador estava toda enevoada. Encontrou uma pasta na escada de serviço, atrás da porta de acesso à embaixada, exatamente no local onde se encontravam todos os relógios do sistema de gás, e perto da sala onde as crianças costumavam ficar até serem recolhidas pelos pais. No seu interior estava a bomba.
 
Ele hesitou se deveria levá-la para dentro para a examinar, pois não sabia quanto tempo faltava para ela explodir; também não podia atirá-la para baixo, porque os outros colegas estavam lá. Assim, voltou ao seu posto e, por telefone, pediu a uma colega que avisasse a todos para se retirarem e abrirem as janelas. Em seguida, tentou contactar a Adriana, mas a linha estava ocupada, porque ela estava a avisar as pessoas lá em baixo.
 
Enquanto isso acontecia, Efrén preparou-se para subir, aparentemente para avisar os outros e tentar evitar que lhes acontecesse alguma coisa. Gritaram-lhe para não atravessar, mas ele não lhes deu ouvidos e, nesse preciso instante, a bomba explodiu. A explosão atirou-o para o gabinete do embaixador, onde caiu morto, e a Alberto para a varanda, com ferimentos na cabeça, numa mão e numa perna.
 
Seguiu-se então um grande silêncio. Rapidamente começaram a procurar Adriana. Encontraram-na entre os escombros, com o rosto desfigurado; já estava a agonizar. No quinto andar abriu-se um cratera tão grande que, se a colega que atendia no consulado estivesse ali, teria morrido.
 
Quem colocou a bomba planeou tudo ao pormenor. Sabiam que por volta das 16h as crianças chegavam à embaixada, e foi precisamente por isso que a explosão ocorreu às 16h45. O objectivo era matar toda a gente, mas só lá estavam dois homens, o Efrén e o Alberto, e quatro ou cinco mulheres, porque o resto do pessoal estava a trabalhar fora naquele momento.
Adriana chegou à nossa embaixada de Cuba em Portugal em 1975, vinda da nossa representação diplomática em Madrid. À data da sua morte, era titular de Distinção por Dez Anos de Serviço no Ministério do Interior.
 
Efrén Monteagudo ingressou nas fileiras do nosso Ministério do Interior em junho de 1967. Em 1973, integrou o grupo de funcionários cubanos que acompanharia a delegação de Cuba, liderada pelo nosso Comandante em Chefe, à IV Cimeira do Movimento dos Países Não Alinhados, na Argélia, e nas visitas que este realizou aos países da Ásia e da África. Desempenhou missões de trabalho na Polónia, no Reino Unido, em Portugal, na Suécia, em vários países africanos e no Vietname.
Tinha chegado a Lisboa, Portugal, acompanhado pela sua família, em junho de 1975.
 
A Adriana e o Efrén não se deixaram intimidar pelo perigo mortal representado pelo engenho explosivo e sacrificaram a própria vida para alertar os outros e tentar evitar que lhes acontecesse algo, quando a bomba lhes tirou a vida.
 
Os seus corpos regressaram à sua pátria agradecida por volta das 10h00 de domingo, 25 de abril daquele ano. À chegada da aeronave, à base da escada de embarque, encontravam-se membros do Bureau Político do PCC, do Comité Central, do MINREX e do Ministro do Interior.
 
Uma cena dramática teve lugar quando a companheira Sonia, viúva de Efrén, descia a escadinha, contendo os soluços; Eruvina Rodríguez, mãe do corajoso revolucionário, gritou com veemência: «Aqui não se chora… Efrén morreu como queria. Ao serviço da Revolução!»
 
Na tarde de 25 de abril de 1976, milhares de cubanos deram a Adriana e a Efrén o último adeus na Necrópole de Colón. As palavras de despedida e de luto do ministro dos Negócios Estrangeiros Raúl Roa expressaram a veemente repulsa do povo cubano perante um acto tão infame.
 
¡HONOR Y GLORIA A NUESTROS MÁRTIRES!
¡NUESTROS MUERTOS MANDAN!

Autor:

Ale JC Boyeros Comunicación | Membro da Asociación de Combatientes de la Revolución Cubana

 

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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