Equador: denúncia de inércia do Estado no caso de quatro menores assassinados nas Malvinas
A Fundação Regional de Assessoria em Direitos Humanos (Inredh) e familiares acusam o Estado equatoriano de ocultar informações e negar o desaparecimento forçado de quatro jovens de Las Malvinas.
Um ano após o desaparecimento e posterior morte de quatro menores do bairro Las Malvinas, no sul de Guayaquil, a Fundação Regional de Assessoria em Direitos Humanos (Inredh) denunciou a falta de resposta oportuna e a inacção do Estado equatoriano. Ismael, Josué, Nehemías e Steven foram detidos em 8 de dezembro de 2024 por membros da Força Aérea Equatoriana (FAE), um facto capturado por câmaras que foi vital para evitar que o caso ficasse impune.
Numa conferência de imprensa em Quito, Ingrid García, coordenadora executiva da Inredh, foi categórica ao afirmar que “o poder quer negar o desaparecimento forçado”. García destacou que, apesar da existência de processos judiciais, as autoridades militares e os advogados dos militares têm tentado sistematicamente impedir que o caso seja declarado como desaparecimento forçado por meio de um habeas corpus, cuja decisão está nas mãos do Tribunal Constitucional.
A activista de direitos humanos afirmou que, durante todo o processo, as famílias dos jovens foram vítimas de omissão e ocultação de informações, sem que tenha sido oferecida uma desculpa pública ou uma resposta real sobre o ocorrido. Essa falta de transparência se estende a um padrão de abusos, já que a organização denunciou pelo menos outras 33 desaparecimentos com características semelhantes nas províncias costeiras do país.
García explicou que os factos cumprem os três elementos essenciais estabelecidos pelo direito internacional para classificar um desaparecimento forçado: a privação da liberdade, a ocultação deliberada de informações oficiais e a participação comprovada de agentes estatais no crime. Este quadro jurídico internacional apoia a exigência de justiça das vítimas e das organizações civis.
#Los4DeLasMalvinas | Hoy, 8 de diciembre de 2025, organizaciones como Afroredh, INREDH, la Alianza por la Niñez y Adolescencia, se reunieron en una rueda de prensa para conmemorar a Steven, Josué, Ismael y Nehemías, los 4 niños de Las Malvinas víctimas de desaparición forzada y… pic.twitter.com/y6Ggh1Vo3q
— INREDH (@inredh1) December 8, 2025
O caso das Malvinas insere-se na controversa estratégia de segurança militarizada implementada pelo presidente Daniel Noboa desde janeiro de 2024, quando decretou um “conflito armado interno” contra o crime organizado. Defensores dos direitos humanos alertaram que essa militarização serviu de pretexto para excessos e uso desproporcional da força, abrindo caminho para graves violações.
Enquanto o julgamento contra os 17 militares envolvidos na morte dos jovens segue seu curso, com um pedido do Ministério Público de 34 anos e oito meses de prisão, a Mesa de Solidariedade pelos Quatro das Malvinas criticou o “silêncio inaceitável” do presidente Noboa. O colectivo denunciou que, numa tentativa de justificar a detenção arbitrária, procurou-se “criminalizar as crianças” e convocou mobilizações e vigílias em várias cidades para exigir verdade, justiça e garantias de não repetição.


