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Golpe eleitoral: Conselheiro do CNE denuncia graves irregularidades nas Honduras

O conselheiro Marlon Ochoa alerta que falhas no sistema biométrico e a retenção de 16.708 atas comprometem a transparência e a integridade dos resultados preliminares nas eleições de 30 de novembro.

O conselheiro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras, Marlon Ochoa, denunciou nesta terça-feira graves irregularidades após as eleições gerais de 30 de novembro, destacando falhas biométricas, a retenção de 16.708 atas, o não processamento das atas físicas e a falta de acesso público aos resultados.

Ochoa sublinhou que as informações fornecidas pelo sistema TREP (Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares) «não têm certeza nem consistência», algo que os cidadãos hondurenhos «puderam constatar». O país, afirmou ele, enfrenta uma eleição com «resultados péssimos em termos tecnológicos, com profundas inconsistências e irregularidades», evidenciadas pela falta de acesso público aos resultados preliminares neste dia 2 de dezembro.

Durante uma sessão do CNE que se estendeu até às 03h00 da madrugada desta terça-feira, a empresa ASD informou verbalmente que 16.708 atas de encerramento foram retidas e não divulgadas ao público. Estas dividem-se em 3.880 do nível presidencial, 6.387 de deputados e 6.441 de corporação municipal.

O conselheiro explicou, através de uma publicação nas redes sociais, que, dos 7.669 centros de transmissão do país, o sistema TREP apresentou inconsistências na atribuição dos votos. Ele ilustrou que, ao transcrever uma ata, o sistema pode projetar a imagem de uma caixa, mas atribuir os votos a outra diferente, sem que o transcritor perceba.

Além disso, a página de divulgação dos resultados ficou fora do ar, sem que até o momento haja uma conclusão oficial sobre as causas, apesar dos pedidos de relatório às empresas envolvidas.

Por outro lado, Ochoa opôs-se à decisão, tomada por maioria no CNE, de conceder acesso privilegiado às salas de divulgação dos resultados apenas aos meios de comunicação e partidos políticos a partir das 07h00. O conselheiro insiste que a página de divulgação deve ser ativada para toda a população, de acordo com a lei e as diretrizes aprovadas.

Além disso, criticou que às 13h15 (hora local) da tarde deste dia 2 de dezembro, nenhuma das actas físicas de encerramento devolvidas dos centros de votação havia sido processada, o que classificou como um «acto extremamente irregular» que semeia «dúvidas e incertezas» sobre a transparência eleitoral.

Rixi Moncada denuncia «trama eleitoral» com atas inflacionadas

A candidata presidencial pelo partido LIBRE, Rixi Moncada, denunciou na noite de segunda-feira uma «trama eleitoral» que permitiu a adulteração dos resultados com actas inflacionadas após a eliminação da validação biométrica nas eleições.

Moncada apresentou uma análise técnica contundente, destacando a responsabilidade do bipartidarismo num esquema de fraude eleitoral. A candidata revelou que a «eliminação da validação das actas contra os leitores biométricos foi aprovada» no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) «uma noite antes das eleições». Esta decisão controversa, segundo Moncada, «permite a soma de actas inflacionadas, especialmente ao nível presidencial».

A equipa técnica de Moncada identificou 2.859 atas sem validação biométrica, o que representa 25,35% do total. Essas actas, com uma média de 217 votos cada, apresentam casos extremos com até 100 votos adicionais aos legítimos.

O Partido Nacional acumula 1.588 dessas actas, somando 326.285 votos irregulares, enquanto o Partido Liberal registra 1.041 actas sem biometria, o que equivale a 217.193 votos irregulares.

Moncada afirmou: «Vamos exigir, neste período de 30 dias da contagem geral definitiva, que essas actas sejam revistas e vamos recorrer aos meios legais.»

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